Argumentos envolvendo fé e obras

 1 - https://www.youtube.com/watch?v=Nid-XMVNNfA&list=TLPQMjEwOTIwMjacQpr6P86Q-g&index=2



Boa tarde. Me batizei aos 13 anos, sem dinheiro para comprar todos os livros de Ellen G White e muito menos para analisar todos os pormenores das complexidades existentes. Atualmente, não creio em EGW como mensageira que não tenha cometido erros, principalmente tendo em mente a defesa que ela fez do grande desapontamento como equivalente ao amargo do livrinho de João.


Acredito que os escritos que falam dos malefícios da carne, necessidade de mudanças para saúde, vida no campo, são corretos e basicamente inexistentes no padrão cristão da maioria, e valorizo estas informações. Me mantenho com minha família na igreja, até por não ter achado, ao menos ainda, um corpo de crenças fora da igreja que me leve a mudar, mas busquei explicações que justificassem determinadas dificuldades, e não concordo com as respostas dadas.

Considerando as dúvidas que tenho atualmente, que não compartilho na igreja, mas que já compartilhei (algumas) com minha família e alguns líderes, atualmente prefiro apenas explicar como a igreja pensa e deixar a pessoa decidir por si mesma, e informar, para alguns, meus posicionamentos. Alguns informei em meu canal do youtube e blog.
Quanto à questão fé e obras, entendo que as falas de Paulo são difíceis de harmonizar com todos os escritos bíblicos, principalmente os do "AT" (Tanach), ao menos com as traduções e padrões de interpretação tradicionais. Muito do cristianismo é baseado em falas de Paulo que não consistem necessariamente de um estudo em que ele demonstra a validade de suas alegações biblicamente, mas apenas coloca algo como revelações que as pessoas deveriam aceitar. Talvez as novas perspectivas realmente possam levar a modos melhores de entender Paulo, mas até aí, o melhor seria olhar suas palavras com muitas aspas. Ao meu ver, não existe graça por fé sem obras simplesmente por não haver este conceito nas Escrituras, ou seja, não existe como falar em fé/fidelidade sem obras, e isso vejo com muita evidência de Gênesis a Malaquias, e por isso Tiago teria basicamente reproduzido tal conceito ao dizer que a fé sem obras é morta em si mesma, que não há lógica em mostrar uma fé sem obras, mas é totalmente coerente falar em fé verificada pelas obras. Termos como justo, santo, obras...são desprezados pelo cristianismo em sua maioria.
Se não há perdão sem arrependimento e o arrependimento verdadeiro leva à conversão, também é inconsistente falar em fidelidade sem obras tendo em mente que acreditar meramente não leva ao arrependimento, mas uma pessoa que acredite na necessidade do arrependimento e efetivamente se disponha a se arrepender vai entender que não é a mera crença em Jesus como Salvador, ou no ETERNO do Tanach, o que se propõe para quem deseja o perdão que salva e transforma.

Entendo que Romanos 4 é uma linha de pensamento complicada e que pode até encontrar algum respaldo nas Escrituras (especificamente tendo em mente que "NT" não pode contradizer, usurpar, desautorizar o "AT"), mas é difícil tal adequação. Tiago usa o mesmo exemplo de Paulo, inclusive, para defender a justificação com as obras, anulando a ideia de graça sem obras no sentido de misericórdia divina que não inclua na proposta a necessidade de obediência. Visto que a obediência é o que foi proposto desde Adão e Eva para manutenção da imortalidade, que é a proposta de salvação ao ser humano após o pecado, restauração da imortalidade sem dor, sofrimento, etc, Deus não precisaria se cobrado por algo que Ele mesmo já estabeleceu (como uma cobrança de Si mesmo), mas a ideia de obedecer e fazer prova de Deus, no sentido de orar e pedir que Ele apresente a confirmação de Suas promessas, me parece, sim, apresentar a obediência, ainda que não como algo que o ser humano consiga fazer sem o poder do ETERNO, mas como as condições que Ele mesmo especificou: obedeço e peço que mantenha a minha saúde, conforme proposto por Ele mesmo, e também que me ajude mantendo abertas "as janelas do céu, com bênçãos sem medida".

Este contraste entre graça e obras, mesmo que a ênfase esteja na cobrança, é estranho, pois o próprio Paulo fala no verso 4, ao que parece, que o próprio ato gera a dívida, e não a cobrança em si, ou seja, se a obra faz parte do processo de salvação (o que é bastante coerente, visto que se Adão e Eva não tivessem pecado, não necessitariam de dom imerecido para manter a sobrevivência que já estava garantida pela obediência, conforme estabelecido pelo próprio ETERNO). Se é unicamente pela graça, e sendo esta mero perdão dos pecados independente de qualquer disposição e efetividade na obediência, a obediência seria mera liberalidade, algo que até podemos fazer por gratidão, mas que não seria necessária, visto que não influencia em nada na manutenção da salvação oferecida antes de conseguirmos obedecer efetivamente.

E para quem nasce em um mundo de pecado: se é impossível ser perfeito nesta vida, não podemos ser cobrados pela imperfeição em si, pois por mais que nos empenhemos, não alcançamos pela impossibilidade de se alcançar tal perfeição, e portanto não há dom imerecido a quem se esforçar em obedecer, visto que já está alcançando o máximo que pode (e como definir, aliás, a partir de que ponto é possível e impossível?).
Se é possível ser perfeito nesta vida, e ainda assim não o somos, aí podemos falar em dom imerecido, visto que somos cobrados por algo possível e, não alcançando o êxito necessário, ainda assim somos perdoados e é considerada nossa disposição em obedecer, apesar de ainda pecarmos, mesmo que eventualmente.
Ou as obras são causa ou consequência necessária da salvação. Visto que o perdão é oferecido a quem está até mesmo em rebeldia, desde que se arrependa, a obediência é consequência necessária e, portanto, obras fazem parte da salvação, não como algo que gere uma dívida, visto que a salvação já é dada a quem está obedecendo, e não precisa ser cobrada para ter efetivação, mas como condição de permanência: quando começo a pensar em desobedecer e dou força a estes pensamentos, já estou cobiçando o que não me pertence, já estou adulterando em pensamento, e se isso não interfere na salvação, é mera liberalidade e, portanto, posso fazer tudo isso e estar salvo. Mas se falar em graça sem obras é inconsistente com o pensamento bíblico, visto que não existe fé/fidelidade sem obras, até porque o próprio ato de se dispor a ser fiel/leal é uma obra (Deus não me faz ser fiel/leal como um robô, mas me dá forças para decidir e efetivar tal fidelidade/lealdade).
A não ser que o perdão seja efetivado independentemente de arrependimento, vejo como muito difícil validar um raciocínio de graça sem obras, mesmo com a ideia de cobrança como um mérito, visto que uma pessoa não perfeita percebe a importância do perdão divino, mas seria inconsistente com o ensino bíblico que tal pessoa fosse sincera em seu pedido de perdão, arrependimento, obediência, e Deus simplesmente a condenasse mesmo reconhecendo que ela foi efetivamente fiel/leal, ou seja, seria sim uma dívida, no caso, tendo em mente que tudo o que foi determinado ao ser humano foi cumprido por essa pessoa (acreditar, se arrepender e se converter, pedir perdão pelos pecados cometidos e estar disposta a lutar contra o pecado buscando o poder do ETERNO). O ETERNO passa a ter uma dívida consigo mesmo: cumprir Suas promessas, e uma delas é a salvação final e eternidade, no caso.

Passa também a ter uma dívida com aqueles a quem prometeu: ele perdoa a quem estiver disposto a mudar, o que envolve arrependimento e conversão, e este perdão se mantém enquanto a pessoa se mantém disposta a lutar contra o pecado, com um misto de obediência + perdão pelas desobediências que tendem a ser cada vez mais exceção, e não regra.
Assim entendo. Vivendo e aprendendo. Obrigado pelo vídeo. Shaná Tová!



No caso de Eva: ela cobiçou o fruto, segundo as Escrituras - "⁶ E viu a mulher que aquela árvore era boa para se comer, e agradável aos olhos, e árvore desejável para dar entendimento; tomou do seu fruto, e comeu, e deu também a seu marido, e ele comeu com ela. Gênesis 3:6 | ACF - https://www.bibliaonline.com.br/acf/gn/3/6+". Já havia um pecado na mente no momento da cobiça, ainda que não viesse a ser necessariamente este o ato que causaria a expulsão.

Também pecamos em pensamento.

Qualquer que seja a ordem proposta, é o pensar e agir contrários à vontade de Deus o que nos leva à perdição. Quando decido me afastar de Deus, já em pensamento me rebelei contra Ele: "⁴ Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor. ⁵ Amarás, pois, o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças. ⁶ E estas palavras, que hoje te ordeno, estarão no teu coração; ⁷ E as ensinarás a teus filhos e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te e levantando-te. Deuteronômio 6:4-7 | ACF

A ruptura que ocorreu na mente também é pecado, visto que fere as palavras estabelecidas pelo ETERNO.
Não há ordem expressa anterior ao pecado de Caim, e Deus age de modo a repreender fortemente e amaldiçoar pelo ato, e o próprio Caim age como quem sabe que agiu em pecado. Seria estranho supor que a cobiça só fosse considerada pecado a partir da ordem escrita, por exemplo.
Sendo a ação física o resultado de ação mental, temos: uma pessoa pode cobiçar e não efetivar fisicamente a ação da cobiça, ou seja, escolher interromper a ruptura ou aprofundá-la. Quando ela age, dá sequência e amplia a ruptura que se iniciou na mente. Posso resolver mentir e, planejar toda a mentira e, no momento decisivo, interromper o processo de rebeldia ou dar continuidade e ampliar tal rebeldia. A ação não será mera continuidade da ruptura iniciada na mente, mas a própria ampliação dela, causando prejuízos a terceiros. O mesmo para adultério, furto, roubo, assassinato...
Não há indícios nas Escrituras de que Abraão tenha resolvido ser leal ao ETERNO apenas quando houve o pedido para sair da terra, parentela e casa dos pais. Interessante é que o caminho para Canaã já havia sido iniciado por Terá. Mas voltando antes disso: "⁸ Noé, porém, achou graça aos olhos do Senhor.
⁹ Estas são as gerações de Noé. Noé era homem justo e perfeito em suas gerações; Noé andava com Deus.
Gênesis 6:8,9 | ACF

Há uma citação expressa que mostra que Deus não permitiu que Noé e família vivessem desconsiderando qualquer questão de obediência. E isso envolve uma sequência de eventos muito mais grave que a de Abraão. O ETERNO especifica o motivo da destruição: "⁵ E viu o Senhor que a maldade do homem se multiplicara sobre a terra e que toda a imaginação dos pensamentos de seu coração era só má continuamente.
⁶ Então arrependeu-se o Senhor de haver feito o homem sobre a terra e pesou-lhe em seu coração.
⁷ E disse o Senhor: Destruirei o homem que criei de sobre a face da terra, desde o homem até ao animal, até ao réptil, e até à ave dos céus; porque me arrependo de os haver feito.
Gênesis 6:5-7 | ACF

E logo após tal relato, fala-se em Noé como alguém que justo, íntegro, completo, maduro, ou seja, um contraste com a maldade da época, e nenhum outro ponto além da disposição de Noé e sua família estarem dispostos a obedecerem e o fazerem efetivamente é apontado como motivo imerecido deles terem sido poupados. "¹ Depois disse o Senhor a Noé: Entra tu e toda a tua casa na arca, porque tenho visto que és justo diante de mim nesta geração. - Gênesis 7:1 | ACF - https://www.bibliaonline.com.br/acf/gn/7/1+"

Porém, o que provavelmente ocorreria se, após tudo isso, tendo o próprio Eterno dito que seriam poupados por estarem dispostos a obedecer, a servir, eles desistissem de entrar na arca. Provavelmente seria: "⁸ Se eu disser ao ímpio: Ó ímpio, certamente morrerás; e tu não falares, para dissuadir ao ímpio do seu caminho, morrerá esse ímpio na sua iniquidade, porém o seu sangue eu o requererei da tua mão.
⁹ Mas, se advertires o ímpio do seu caminho, para que dele se converta, e ele não se converter do seu caminho, ele morrerá na sua iniquidade; mas tu livraste a tua alma.
¹⁰ Tu, pois, filho do homem, dize à casa de Israel: Assim falais vós, dizendo: Visto que as nossas transgressões e os nossos pecados estão sobre nós, e nós desfalecemos neles, como viveremos então?
¹¹ Dize-lhes: Vivo eu, diz o Senhor Deus, que não tenho prazer na morte do ímpio, mas em que o ímpio se converta do seu caminho, e viva. Convertei-vos, convertei-vos dos vossos maus caminhos; pois, por que razão morrereis, ó casa de Israel?
¹² Tu, pois, filho do homem, dize aos filhos do teu povo: A justiça do justo não o livrará no dia da sua transgressão; e, quanto à impiedade do ímpio, não cairá por ela, no dia em que se converter da sua impiedade; nem o justo poderá viver pela sua justiça no dia em que pecar.
¹³ Quando eu disser ao justo que certamente viverá, e ele, confiando na sua justiça, praticar a iniquidade, não virão à memória todas as suas justiças, mas na sua iniquidade, que pratica, ele morrerá.

Ezequiel 33:8-13 | ACF



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