O bode Azazel e a interpretação Adventista

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Download do Livro O Grande Conflito

(ao digitar "Satanás" na busca, aparecerem 372 resultados para mim. Vou usar alguns deles. Você pode consultar por completo acessando o livro pelo link acima)

pg. 10:

Muito descrédito tem acarretado à obra do Espírito Santo o erro de certa gente que, presumindo-se iluminada por Ele, declara não mais necessitar das instruções da palavra divina. Tais pessoas agem sob impulsos que reputam como a voz de Deus às suas almas. Entretanto o espírito que as rege não é de Deus. Essa docilidade às [10] impressões de momento,com desprezo manifesto do que ensina a Bíblia, só pode resultar em confusão e ruína, favorecendo os desígnios do maligno. Como o ministério do Espírito tem importância vital para a igreja de Cristo, é o decidido empenho de Satanás, por meio dessas excentricidades de gente desequilibrada e fanática, cobrir de opróbrio a obra do Espírito Santo e induzir o povo a negligenciar a fonte de virtude que Deus proveu para o Seu povo.


pg. 12:

A grande controvérsia entre o bem e o mal há de assumir proporções cada vez maiores até o seu final desenlace. Em todas asépocas a ira de Satanás esteve voltada contra a igreja de Cristo, motivo pelo qual Deus a dotou do Seu Espírito e de Sua graça para que pudesse enfrentar todas as oposições do mal. Ao receberem os apóstolos a incumbência de levar o evangelho até os confins da Terra e escrevê-lo para as gerações futuras, Deus lhes deu a iluminação [12] do Seu Espírito. À medida, porém, que a igreja se aproxima da hora de sua libertação definitiva, Satanás há de agir com redobrada energia. Ele desceu a vós, e tem grande ira, sabendo que já tem pouco tempo. Apocalipse 12:12. Ele operará “com todo o poder, e sinais e prodígios de mentira.” 2 Tessalonicenses 2:9.

De quando em quando me foi permitido contemplar a operação, nas diversas épocas, do grande conflito entre Cristo, o Príncipe da vida, o Autor de nossa salvação, e Satanás, o príncipe do mal, o autor do pecado, o primeiro transgressor da santa lei de Deus. A inimizade de Satanás para com Cristo manifestou-se contra os Seus seguidores.


Pg. 13:


Os esforços de Satanás para representar de maneira falsa o caráter de Deus, para fazer com que os homens nutram um conceito errôneo do Criador, e assim O considerem com temor e ódio em vez de amor; seu empenho para pôr de parte a lei divina, levando o povo a julgar se livre de suas reivindicações e sua perseguição aos que ousam resistir a seus enganos, têm sido prosseguidos com persistência em todos os séculos. Podem ser observados na história dos patriarcas, [13] profetas e apóstolos, mártires e reformadores.

Para alcançar esse propósito, esforcei-me por selecionar e agrupar fatos da história da igreja de tal maneira a esboçar o desdobramento das grandes verdades probantes que em diferentes períodos foram dadas ao mundo, as quais excitaram a ira de Satanás e a inimizade de uma igreja que ama o mundo, verdades que têm sido mantidas pelo testemunho dos que “não amaram suas vidas até à morte”.


Pg. 23:

Os preceitos de Jeová seriam desprezados e anulados. Milhões na servidão do pecado, escravos de Satanás, condenados a [23] sofrer a segunda morte, recusar-se-iam a escutar as palavras de verdade no dia de sua visitação. Terrível cegueira! estranha presunção!


Pg. 28:

Afastou Deus então deles a proteção, retirando o poder com que restringia a Satanás e seus anjos, de maneira que a nação ficou sob o controle do chefe que haviam escolhido. Seus filhos tinham desdenhado a graça de Cristo, que os teria habilitado a subjugar seus maus impulsos, e agora estes se tornaram os vencedores. Satanás suscitou as mais violentas e vis paixões da alma. Os homens não raciocinavam; achavam-se fora da razão, dirigidos pelo impulso e cega raiva. Tornaram-se satânicos em sua crueldade.


Pg. 29:

Satanás estava à frente da [29] nação e as mais altas autoridades civis e religiosas estavam sob o seu domínio.


Pg. 36:

É assim que o grande enganador procura esconder sua própria obra. Pela obstinada rejeição do amor e misericórdia divina, os judeus fizeram com que a proteção de Deus fosse deles retirada, e permitiu-se a Satanás dirigi-los segundo a sua vontade. As horríveis crueldades executadas na destruição de Jerusalém são uma demons- [36] tração do poder vingador de Satanás sobre os que se rendem ao seu controle. Não podemos saber quanto devemos a Cristo pela paz e proteção de que gozamos. É o poder de Deus que impede que a humanidade passe completamente para o domínio de Satanás.

Cada raio de luz rejeitado, cada advertência desprezada ou desatendida, cada paixão contemporizada, cada transgressão da lei de Deus, é uma semente lançada, a qual produz infalível colheita. O Espírito de Deus, persistentemente resistido, é afinal retirado do pecador, e então poder algum permanece para dominar as más paixões da alma, e nenhuma proteção contra a maldade e inimizade de Satanás.


Pg. 37:

Os registros do passado — o longo cortejo de tumultos, conflitos e revoluções, a “armadura daqueles que pelejavam com ruído, e os vestidos que rolavam no sangue” (Isaías 9:5) — que são,em contraste com os terrores daquele dia em que o Espírito de Deus será totalmente retirado dos ímpios, não mais contendo a explosão das paixões humanas e ira satânica! O mundo contemplará então, como nunca dantes, os resultados do governo de Satanás.


Pg. 42:

Nulos foram os esforços de Satanás para destruir pela violência a igreja de Cristo. O grande conflito em que os discípulos de Jesus rendiam a vida, não cessava quando estes fiéis porta-estandartes tombavam em seus postos. Com a derrota, venciam. Os obreiros de Deus eram mortos, mas a Sua obra ia avante com firmeza.

Os sofrimentos que suportavam, levavam os cristãos mais perto uns dos outros e de seu Redentor. Seu exemplo em vida, e seu testemunho ao morrerem, eram constante atestado à verdade; e, onde menos se esperava, os súditos de Satanás estavam deixando o seu serviço e alistando-se sob a bandeira de Cristo. Satanás, portanto, formulou seus planos para guerrear com mais êxito contra o governo de Deus, hasteando sua bandeira na igreja cristã. Se os seguidores de Cristo pudessem ser enganados e levados a desagradar a Deus, falhariam então sua força, poder e firmeza, e eles cairiam como presa fácil.


Pg. 43:

Sob a capa de pretenso cristianismo, Satanás se estava insinuando na igreja a fim de corromper-lhe a fé e

desviar-lhe a mente da Palavra da verdade.


Pg. 44:

Mas Judas não andou na luz que tão misericordiosamente foi permitido brilhasse sobre ele. Pela condescendência com o pecado, atraiu as tentações de Satanás. Seus maus traços de caráter se tornaram predominantes. Rendeu a mente à direção dos poderes das trevas, irava-se quando suas faltas eram reprovadas, sendo assim levado a cometer o terrível crime de trair o Mestre.


Pg. 46: [na indicação das páginas, os números utilizados são os que estão entre colchetes]

Mas Judas não andou na luz que tão misericordiosamente foi permitido brilhasse sobre ele. Pela condescendência com o pecado, atraiu as tentações de Satanás. Seus maus traços de caráter se tornaram predominantes. Rendeu a mente à direção dos poderes das trevas, irava-se quando suas faltas eram reprovadas, sendo assim levado a cometer o terrível crime de trair o Mestre.


Pg. 47:

Mas o mundo em grande parte se acha sob o domínio de Satanás, o acérrimo adversário de Cristo. O evangelho apresenta-lhes princípios de vida que se acham totalmente em desacordo com seus hábitos e desejos, e eles se erguem em rebelião contra ele.


Pg. 51:

Aquele gigantesco sistema de religião falsa é a obra-prima do poder de Satanás — monumento de seus esforços para sentar-se sobre o trono e governar a Terra segundo a sua vontade. Uma vez Satanás se esforçou por estabelecer um compromisso mútuo com Cristo. Chegando-se ao Filho de Deus no deserto da tentação, e mostrando-Lhe todos os reinos do mundo e a glória dos mesmos, ofereceu-se a entregar tudo em Suas mãos se tão-somente reconhecesse a supremacia do príncipe das trevas. Cristo repreendeu o pretensioso tentador e obrigou-o a retirar-se. Mas Satanás obtém maior êxito em apresentar ao homem as mesmas tentações.


Pg. 70:

Conquanto os valdenses considerassem o temor do Senhor como o princípio da sabedoria, não eram cegos no tocante à importância do contato com o mundo, do conhecimento dos homens e da vida [70] ativa, para expandir o espírito e avivar as percepções. De suas escolas nas montanhas alguns dos jovens foram enviados a instituições de ensino nas cidades da França ou Itália, onde havia campo mais vasto para o estudo, pensamento e observação, do que nos Alpes nativos. Os jovens assim enviados estavam expostos à tentação, testemunhavam o vício, defrontavam-se com os astuciosos agentes de Satanás, que lhes queriam impor as mais sutis heresias e os mais perigosos enganos. Mas sua educação desde a meninice fora de molde a prepará-los para tudo isto.


Pg. 132:

Estas verdades suscitarão a inimizade de Satanás e dos homens que amam as fábulas que ele imaginou. No conflito com os poderes do mal, há necessidade de algo mais do que força de intelecto e sabedoria humana.


Pg. 144:

Os que apresentam a verdade para este tempo não devem esperar ser recebidos com mais favor do que o foram os primeiros reformadores. O grande conflito entre a verdade e o erro, entre Cristo e Satanás, há de aumentar em intensidade até ao final da história deste mundo.


Pg. 193:

Satanás está constantemente procurando enganar os homens e levá-los a chamar ao pecado justiça, e à justiça pecado.


Pg. 205:

Satanás ainda está a trabalhar com todos os meios de que pode dispor, a fim de destruir a liberdade religiosa. O poder anticristão que os protestantes de Espira rejeitaram, está hoje com renovado vigor procurando restabelecer sua perdida supremacia. A mesma inseparável adesão à Palavra de Deus que se manifestou na crise da Reforma, é a única esperança de reforma hoje.


Pg. 299:

Satanás continuou a perverter as doutrinas da Escritura Sagrada, e tradições que deveriam fazer a ruína de milhões estavam a deitar profundas raízes.


Pg. 378:

Convém à política de Satanás que os homens conservem as for mas da religião, embora falte o espírito da piedade vital.


Pg. 390:

A Escritura Sagrada declara que Satanás, antes da vinda do Senhor, operará “com todo o poder, e sinais e prodígios de mentira, e com todo o engano da injustiça”; e “os que não receberam o amor da verdade para se salvarem” serão deixados à mercê da “operação do erro, para que creiam a mentira.” 2 Tessalonicenses 2:9-11. A queda de Babilônia se completará quando esta condição for atingida, e a união da igreja com o mundo se tenha consumado em toda a cristandade. A mudança é gradual, e o cumprimento perfeito de Apocalipse 14:8 está ainda no futuro.


Pg. 395:

Satanás é o “acusador de nossos irmãos”, e é o seu espírito que inspira os homens a espreitar os erros e defeitos do povo do Senhor, conservando-o sob observação, enquanto deixa ignoradas suas boas ações.


Pg. 398:

Desperte do sono o povo de Deus, e inicie com fervor a obra de arrependimento e reforma; investigue as Escrituras para aprender a verdade como é em Jesus; faça uma consagração completa a Deus, e não faltarão evidências de que Satanás ainda se acha em atividade e vigilância. Com todo o engano possível manifestará ele seu poder, chamando em seu auxílio os anjos caídos de seu reino.


Pg. 423:

Verificou-se também que, ao passo que a oferta pelo pecado apontava para Cristo como um sacrifício, e o sumo sacerdote representava a Cristo como mediador, o bode emissário tipificava Satanás, autor do pecado, sobre quem os pecados dos verdadeiros penitentes serão finalmente colocados. Quando o sumo sacerdote, por virtude do sangue da oferta pela transgressão, removia do santuário os peca dos, colocava-os sobre o bode emissário. Quando Cristo, pelo mérito de Seu próprio sangue, remover do santuário celestial os pecados de Seu povo, ao encerrar-se o Seu ministério, Ele os colocará sobre Satanás, que, na execução do juízo, deverá encarar a pena final. O bode emissário era enviado para uma terra não habitada, para nunca mais voltar à congregação de Israel. Assim será Satanás para sempre banido da presença de Deus e de Seu povo, e eliminado da existência na destruição final do pecado e dos pecadores.



Pg. 444:

“Mas o Espírito expressamente diz que nos últimos tempos apostatarão al guns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios.” 1 Timóteo 4:1. Satanás operará “com todo o poder, e sinais e prodígios de mentira, e com todo o engano da injustiça.” E todos os que “não receberam o amor da verdade para se salvarem”, serão abandonados à mercê da “operação do erro, para que creiam a mentira.” 2 Tessalonicenses 2:9-11. Quando for atingido tal estado de impiedade, ver-se-ão os mesmos resultados que nos primeiros séculos.


Pg. 465:

Nas verdades de Sua Palavra, Deus deu aos homens a revelação de Si mesmo; e a todos os que as aceitam servem de escudo contra os enganos de Satanás.


Pg. 485:

“O Senhor te repreende, ó Satanás; sim, o Senhor, que escolheu Jerusalém, te repreende; não é este um tição tirado do fogo?” Zacarias 3:2. Cristo vestirá Seus fiéis com Sua própria justiça, para que os possa apresentar a Seu Pai como “igreja gloriosa, sem mancha, nem ruga, nem coisa semelhante.” Efésios 5:27. Seus nomes permanecem registrados no livro da vida, e está escrito com relação a eles: “Comigo andarão de branco; porquanto são dignos disso.” Apocalipse 3:4.


Pg. 486:

No culto típico, o sumo sacerdote, havendo feito expiação por Israel, saía e abençoava a congregação. Assim Cristo, no final de Sua obra de mediador, aparecerá “sem pecado, ... para salvação” (Hebreus 9:28), a fim de abençoar com a vida eterna Seu povo que Oespera. Como o sacerdote, ao remover do santuário os pecados, confessava-os sobre a cabeça do bode emissário, semelhantemente Cristo porá todos esses pecados sobre Satanás, o originador e instiga dor do pecado. O bode emissário, levando os pecados de Israel, era enviado “à terra solitária” (Levítico 16:22); de igual modo Satanás, levando a culpa de todos os pecados que induziu o povo de Deus a cometer, estará durante mil anos circunscrito à Terra, que então se achará desolada, sem moradores, e ele sofrerá finalmente a pena [486] completa do pecado nos fogos que destruirão todos os ímpios. Assim o grande plano da redenção atingirá seu cumprimento na extirpação final do pecado e no livramento de todos os que estiverem dispostos a renunciar ao mal.


Pg. 488:

Satanás concebe inumeráveis planos para nos ocupar a mente, para que ela se não detenha no próprio trabalho com que deve remos estar mais bem familiarizados. O arquienganador odeia as grandes verdades que apresentam um sacrifício expiatório e um todo-poderoso Mediador. Sabe que para ele tudo depende de desviar a mente, de Jesus e de Sua verdade.


Pg. 499:

A rebelião de Satanás deveria ser uma lição para todo o Universo por todos os séculos vindouros, um testemunho perpétuo da natureza e terríveis resultados do pecado. A consequência do governo de Satanás — seus efeitos tanto sobre os homens como sobre os anjos —mostraria qual o fruto de rejeitar a autoridade divina.


Pg. 504:

A cruz do Calvário, ao mesmo tempo em que declara ser imutável a lei, proclama ao Universo que o salário do pecado é a morte. No brado agonizante do Salvador — “Está consumado” — soou a sentença de morte de Satanás. Decidiu-se então o grande conflito que durante tanto tempo estivera em andamento e confirmou-se a extirpação do mal. O Filho de Deus transpôs os umbrais do túmulo, a fim de que “pela morte aniquilasse o que tinha o império da morte, isto é, o diabo.” Hebreus 2:14.


Pg. 509:

Satanás está continuamente procurando vencer o povo de Deus, derribando as barreiras que os separam do mundo. O antigo Israel foi enredado no pecado quando se aventurou a associação proibida com os gentios. De modo semelhante se transvia o Israel moderno. “O deus deste século cegou o entendimento dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus.” 2 Coríntios 4:4. Todos os que não são decididos seguidores de Cristo, são servos de Satanás. No coração não regenerado há amor ao pecado e disposição para acariciá-lo e desculpá-lo. No coração renovado há ódio e decidida resistência ao pecado. Quando os cristãos escolhem a sociedade dos ímpios e incrédulos, expõem-se à tentação. Satanás esconde-se das vistas, e furtivamente estende sobre os olhos deles seu véu enganador. Não podem ver que tal companhia é calculada a fazer-lhes mal; e ao mesmo tempo em que constantemente vão assimilando o mundo, no que respeita ao caráter, palavras e ações, mais e mais cegos se tornam.


Pg. 519:

As Escrituras declaram que em certa ocasião, em que os anjos de Deus foram apresentar-se perante o Senhor, Satanás foi também entre eles (Jó 1:6), não para curvar-se perante o Rei eterno, mas para favorecer seus maldosos intentos contra os justos. Com o mesmo objetivo está ele presente quando os homens se congregam para o culto a Deus. Posto que oculto das vistas, está ele a trabalhar com toda a diligência para dirigir o espírito dos adoradores. Semelhante a um hábil general, formula de antemão seus planos. Vendo ele o mensageiro de Deus examinando as Escrituras, toma nota do [519] assunto a ser apresentado ao povo. Emprega então todo o seu engano e astúcia no sentido de amoldar as circunstâncias, a fim de que a mensagem não atinja aqueles a quem ele está enganando a respeito daquele mesmo ponto. Alguém que mais necessite da advertência estará empenhado em alguma transação comercial, que requer a sua presença ou de algum outro modo será impedido de ouvir as palavras que se lhe poderiam demonstrar um cheiro de vida para vida.



2 - Comentário Bíblico Adventista - Levítico - Capítulo 16 (pgs. 834/844 )


1 Como o sumo sacerdote deve entrar no lugar santo. 11 A oferta pelo pecado por si 

mesmo. 15 A oferta pelo pecado em favor do povo. 20 O bode expiatório. 

29 A festa anual pela expiação. 


Falou o SENHOR a Moisés, depois que mor

reram os dois filhos de Arão, tendo chegado aque

les diante do SENHOR. 

Então, disse o SENHOR a Moisés: Dize a Arão, teu irmão, que não entre no santuário em todo tempo, para dentro do véu, diante do propiciatório que está sobre a arca, para que não morra; porque aparecerei na nuvem sobre o propiciatório. 

Entrará Arão no santuário com isto: um novilho, para oferta pelo pecado, e um carneiro, para holocausto. 

4 Vestirá ele a túnica de linho, sagrada, terá as calças de linho sobre a pele, cingir-se-á com o cinto de linho e se cobrirá com a mitra de linho; são estas as vestes sagradas. Banhará o seu corpo em água e, então, as vestirá. 

5 Da congregação dos filhos de Israel tomará ~I>- dois bodes, para a oferta pelo pecado, e um carneiro, para holocausto. 

6 Arão trará o novilho da sua oferta pelo pecado e fará expiação por si e pela sua casa. 

7 Também tomará ambos os bodes e os porá perante o SENHOR, à porta da tenda da congregação. 

8 Lançará sortes sobre os dois bodes: uma, para o SENHOR, e a outra, para o bode emissário. 

9 Arão fará chegar o bode sobre o qual cair a sorte para o SENHOR e o oferecerá por oferta pelo pecado. 

lO Mas o bode sobre que cair a sorte para bode emissário será apresentado vivo perante o SENHOR, para fazer expiação por meio dele e enviá-lo ao deserto como bode emissário. 

11 Arão fará chegar o novilho da sua oferta pelo pecado e fará expiação por si e pela sua casa; imolará o novilho da sua oferta pelo pecado. 

12 Tomará também, de sobre o altar, o incensário cheio de brasas de fogo, diante do SENHOR, e dois punhados de incenso aromático bem moído e o trará para dentro do véu. 

13 Porá o incenso sobre o fogo, perante o SENHOR, para que a nuvem do incenso cubra o propiciatório, que está sobre o Testemunho, para que não morra. 

14 Tomará do sangue do novilho e, com o dedo, o aspergirá sobre a frente do propiciatório; e, diante do propiciatório, aspergirá sete vezes do sangue, com o dedo. 

15 Depois, imolará o bode da oferta pelo pecado, que será para o povo, e trará o seu sangue para dentro do véu; e fará com o seu sangue como fez com o sangue do novilho; aspergi-lo-á no propiciatório e também diante dele. 

16 Assim, fará expiação pelo santuário por causa das impurezas dos filhos de Israel, e das suas transgressões, e de todos os seus pecados.

Da mesma sorte, fará pela tenda da congregação, que está com eles no meio das suas impurezas. 

17 Nenhum homem estará na tenda da congregação quando ele entrar para fazer propiciação no santuário, até que ele saia depois de feita a expiação por si mesmo, e pela sua casa, e por toda a congregação de Israel. 

18 Então, sairá ao altar, que está perante o SENHOR, e fará expiação por ele. Tomará do sangue do novilho e do sangue do bode e o porá sobre os chifres do altar, ao redor. 

19 Do sangue aspergirá, com o dedo, sete vezes sobre o altar, e o purificará, e o santificará das impurezas dos filhos de Israel. 

20 Havendo, pois, acabado de fazer expiação pelo santuário, pela tenda da congregação e pelo altar, então, fará chegar o bode vivo. 

16:2 

25 Também queimará a gordura da oferta pelo pecado sobre o altar. 

26 E aquele que tiver levado o bode emissário lavará as suas vestes, banhará o seu corpo em água e, depois, entrará no arraial. 

27 Mas o novilho e o bode da oferta pelo pecado, cujo sangue foi trazido para fazer expiação no santuário, serão levados fora do arraial; 

porém as suas peles, a sua carne e o seu excremento se queimarão. 

21 

Arão porá ambas as mãos sobre a cabeça do bode vivo e sobre ele confessará todas as iniquidades dos filhos de Israel, todas as suas transgressões e todos os seus pecados; e os porá sobre a cabeça do bode e enviá-lo-á ao deserto, pela mão de um homem à disposição para isso. 

22 Assim, aquele bode levará sobre si todas as iniquidades deles para terra solitária; e o homem soltará o bode no deserto. 

23 Depois, Arão virá à tenda da congregação, e despirá as vestes de linho, que havia usado quando entrara no santuário, e ali as deixará. 

24 Banhará o seu corpo em água no lugar santo e porá as suas vestes; então, sairá, e oferecerá o seu holocausto e o holocausto do povo, e fará expiação por si e pelo povo. 

28 Aquele que o queimar lavará as suas vestes, banhará o seu corpo em água e, depois, entrará no arraial. 

29 Isso vos será por estatuto perpétuo: no sétimo mês, aos dez dias do mês, afligireis a vossa alma e nenhuma obra fareis, nem o natural nem o estrangeiro que peregrina entre vós. 

30 Porque, naquele dia, se fará expiação por .,.:::! vós, para purificar-vos; e sereis purificados de todos os vossos pecados, perante o SENHOR. 

31 É sábado de descanso solene para vós outros, e afligireis a vossa alma; é estatuto perpétuo. 

32 Quem for ungido e consagrado para oficiar como sacerdote no lugar de seu pai fará a expiação, havendo posto as vestes de linho, as vestes santas; 

33 fará expiação pelo santuário, pela tenda da congregação e pelo altar; também a fará pelos sacerdotes e por todo o povo da congregação. 

34 Isto vos será por estatuto perpétuo, para fazer expiação uma vez por ano pelos filhos de Israel, por causa dos seus pecados. E fez Arão como o SENHOR ordenara a Moisés. 



1. Falou o SENHOR a Moisés. Embora Arão fosse o escolhido como sumo sacerdote, Deus mantinha Moisés como líder e, através dele, dava instruções a Arão. 

2. Que não entre. Isso foi logo após a morte dos dois filhos de Arão, registrada no capítulo 10. Embora ainda houvesse alguns meses até o Dia da Expiação, Deus instruiu Arão em relação a isso, para que se familiarizasse com o ritual.

Dentro do véu. Havia dois véus no santuário. O primeiro separava o pátio do lugar santo, e o segundo separava os dois compartimentos internos. O véu em questão aqui é o segundo (Hb 9:3), que ficava diante do propiciatório (Êx 26:31, 32). Era diante desse véu que os sacerdotes ficavam quando ofereciam incenso sobre o altar de incenso, diante do propiciatório. Eles não podiam olhar através do véu, mas sabiam que do outro lado estava a arca do concerto e o propiciatório, onde Deus prometera se encontrar com Seu povo (Êx 25:22). 

A figura dos querubins bordados no véu representava os anjos diante do trono da Divindade. O véu os protegia da glória consumidora, ao mesmo tempo lhes permitia chegar bem perto do santíssimo. Os querubins lhes faziam lembrar os dois anjos no portão do Éden (ver Gn 3:24). Depois de pecar, Adão e Eva não podiam passar pelos querubins, nem os sacerdotes podiam entrar na presença de Deus. Isso devia causar-lhes profunda impressão acerca da santidade de Deus. Só o sumo sacerdote, podia entrar no santíssimo para ministrar muito brevemente, uma vez por ano. 

 Durante o ano, o sangue das vítimas era levado para o interior do santuário e aspergido "sete vezes perante o SENHOR, diante do véu do santuário" (Lv 4:6, 17), em casos em que o sacerdote ungido e toda a congregação tivessem pecado. Logo atrás do véu ficava a arca, contendo as tábuas da lei. O sangue era aspergido em referência à lei, pois, ao pecar, as pessoas haviam transgredido a lei e suas transgressões demandavam expiação. A aspersão do sangue era o reconhecimento da autoridade da lei e um pagamento simbólico por sua exigência, quer fosse por per feita obediência ou pela vida do desobediente. "Obedeça e viva, ou desobedeça e morra", era a sentença. 

No entanto, o sangue aspergido jamais alcançava as tábuas da lei, pois o véu se interpunha entre eles. E, mesmo no Dia da Expiação, quando o véu era afastado e o sangue era aspergido dentro do santíssimo, o sangue não atingia as tábuas da lei. O propiciatório cobria as tábuas da lei, e o sangue ficava ali. O propiciatório era um tipo de Cristo. De acordo com Romanos 3:25, a quem Deus propôs por Seu sangue "como propiciação", literalmente, um "propiciatório". Cristo é nosso "propiciatório". Por Sua morte e por Seu ministério na corte celestial, Cristo nos salva ao tomar nosso lugar na cruz, e pleiteia nosso caso sobre a lei transgredida. 

Ele Se coloca entre nós e a lei e nos salva de sua penalidade, não por aboli-la ou ignorá-la, mas por pagar sua justa demanda e, desse modo, reconhecer sua autoridade e honrá-la. 

Os sacerdotes entravam no santuário por virtude do sangue de um animal sacrificado. 

Cristo, pelo "poder de uma vida indestrutível" (Hb 7: 16, NVI), "não por sangue de bodes e bezerros, mas pelo Seu próprio sangue, entrou uma vez no santuário, havendo efetuado uma eterna redenção" (Hb 9:12, 

ARC). Somos convidados a segui-Lo até lá pela fé (Hb 4:16). O caminho novo e vivo que Ele abriu para nós, e que Ele próprio trilhou, é o caminho da cruz, o caminho da obediência. Não há outro. 

Isso dá força à expressão usada com frequência - e, às vezes, impensadamente de trilhar "todo o caminho". Ele entrou no santuário uma vez por todas e agora está ministrando em favor dos Seus. Ele andou o caminho da cruz, o caminho do Getsêmani e do Gólgota, e convida todos a segui-Lo (Mt 20:22, 23). 

Os que aceitam o convite devem se dispor a seguir com Ele o caminho da cruz. Aqueles que O seguem aqui terão o privilégio de viver em Sua presença no mundo por vir. 

A mesma lição é apresentada ao partir o pão e beber o vinho. Cristo disse: "Isto é o Meu corpo, que é dado por vós; ( ... ) Este cálice é a nova aliança no Meu sangue" (l Co 11:24, 25). 

Ao tomar o cálice e o pão partido, o pecador entra num solene concerto com Deus que o obriga a permanecer fiel por todo o caminho, mesmo que isso possa significar um corpo partido e sangue derramado em martírio. 

Parece notavelmente adequado que a igreja remanescente de Deus seja a geração mais destacada deste tempo. Sobre ela brilha a luz de todas as épocas passadas. Ela herdou não somente as fraquezas das gerações anteriores, mas também acumulou o conhecimento bíblico dos séculos. Sobre ela incide a luz das Escrituras como jamais foi dada a outro povo. A ela foi dado o inestimável privilégio de anunciar ao mundo a hora do julgamento vindouro e o fim pró ximo de todas as coisas. Por tão grande responsabilidade, espera-se que o rema nescente viva "em santo procedimento e piedade" (2Pe 3: 11).

A arca. Na arca, sob o propiciatório, as tábuas da lei eram guardadas, o firme fundamento do trono de Deus. Ali, "encontra ram-se a graça e a verdade, a justiça e a paz se beijaram" (SI 85:10). Ali, Deus Se revelou, e ali estava o lugar secreto do Todo Poderoso. A arca e o propiciatório eram o centro de todo o serviço sacrificai. Para que não morra. A advertência dada a Arão lembrava a tragédia que sobre veio a seus filhos por causa da desobediência (Lv 10:1, 2). 

 Na nuvem. Deus prometeu a Moisés encontrá-lo na "porta da tenda da congregação" (Êx 29:42), no altar de incenso, diante do véu (Êx 30:36; Nm 17:4) e bem em frente ao propiciatório (Êx 25:22; 30:36). A presença da "nuvem" acima do propiciatório de modo algum implica que o santíssimo era um lugar escuro, pois a "nuvem" era a gló ria do Senhor (lRs 8:10, ll; 2Cr 5:13, 14; Ap 15:8). O shekinah, a evidência visível de que Deus estava com Seu povo, manifestava se acima do propiciatório (Êx 25:22; Sl80:1; Is 37: 16). Pode parecer que Deus habita as "trevas" (lRs 8:12; Sl18:11); porém, "Deus é luz, e não há nEle treva alguma" (lJo 1:5). 

Ele habita "em luz inacessível, a quem homem algum jamais viu" (lTm 6:16). Ao revelar-Se aos filhos de Israel, Deus velou Sua glória com uma nuvem, para que pudessem sentir Sua presença e ainda suportá-la (Êx 16:10; 19:9; 24:16; 34:5; 40:34, 38). 

3. No lugar santo (NVI). Neste capí tulo, Moisés chama o segundo comparti mento de "lugar santo" (NVI) e o primeiro compartimento, de "tenda da congregação" (16, 17, 20). Oferta pelo pecado. Quando ofertas pelo pecado e holocaustos eram apresenta dos, a oferta pelo pecado era feita antes, e exigia a vítima mais nobre. Se a oferta pelo pecado fosse um novilho, o holocausto seria um carneiro.

4. A túnica de linho, sagrada. No princípio, havia apenas alguns sacerdotes, e o sumo sacerdote geralmente assistia os sacerdotes comuns em seu trabalho. Quando o número de sacerdotes cresceu, ele fazia isso com menos frequência. Eventualmente ele ajudava seus irmãos sacerdotes somente aos sábados, nas luas novas e nas três festas <1~ anuais. Os sacerdotes comuns eram considerados representantes dele. 

Quando eles oficiavam, o ministério deles era aceito como se o próprio sumo sacerdote o estivesse realizando, com exceção do Dia da Expiação, ocasião em que somente o sumo sacerdote podia ministrar. Ele era o sacerdote e, quando oficiava, usava as gloriosas vestes próprias do seu elevado ofício. Essas caras vestimentas não somente eram adornadas com ouro e pedras preciosas (Êx 28:13-36), mas eram também bordadas com as cores do santuário e com fios do ouro mais puro (Êx 28:4-6). Assim vestido, o sumo sacerdote representava Cristo em Sua divina glória como Filho de Deus. 

No Dia da Expiação, o sumo sacerdote oficiava em todas as etapas do serviço, assis tido por outros sacerdotes. Ele conduzia o sacrifício da manhã e da tarde, paramentado com as vestes douradas. Mas, para o singular ritual do Dia da Expiação, o sumo sacerdote usava as sagradas "vestes de linho" (Lv 16:23), exclusivas para essa ocasião. Essas vestes se pareciam com as usadas pelos sacerdotes comuns, exceto pelos borda dos variegados. Provavelmente também fossem de uma textura mais fina do que a dos sacerdotes comuns.

O sumo sacerdote mudava as vestes várias vezes durante o dia e, a cada mudança, lavava o corpo todo. De acordo com o Talmude, ao surgir a primeira luz da aurora, ele tirava as roupas comuns e se vestia com os trajes dourados. Assim vestido, ele oficiava o sacrifício da manhã. Ao completá-lo, tirava as vestes douradas e punha a túnica sagrada para os serviços especiais do dia (v. 4). Mais tarde, ele tirava a túnica sagrada e punha o traje dourado para o sacrifício da tarde (v. 23, 24). Ao concluir o sacrifício da tarde, ele se trocava novamente, vestindo as roupas pessoais; então, retirava-se do recinto sagrado do santuário. 

Vestido com os trajes dourados, o sumo sacerdote representava Cristo perante o povo; em sua túnica sagrada, ele tipificava Cristo como mediador, como representante do povo diante de Deus (GC, 422). As vestes brancas e imaculadas do sumo sacerdote, no Dia da Expiação, tipificavam a perfeição de caráter que ele e o povo bus cavam através dos rituais desse dia. Assim como o sacerdote se apresentava à congregação expectante em seus trajes pontificais, do mesmo modo Cristo virá a segunda vez, vestido em trajes do mais puro branco (AA, 33). 

E, como no fim dos serviços especiais daquele dia o povo saía purificado de seus pecados (v. 30), assim também quando Cristo aparecer, Seu povo se apresentará sem mácula, diante do trono de Deus (Ap 14:5; Ef 5:27; C! 1:22; Jd 24; Ap 19:8). 

5. Oferta pelo pecado. Arão devia tomar dois bodes da congregação por "oferta pelo pecado". Isso não era comum, pois para o contínuo requeria-se um novilho como oferta pelo povo e não um bode (Lv 4:14); porém, o Dia da Expiação era diferente de todos os outros dias. Holocausto. O holocausto devia ser um carneiro, o mesmo animal oferecido na consagração de Arão (Lv 9:2). 

6. Arão trará o novilho da sua oferta. Arão não devia sacrificar o novilho naquela hora, mas apresentá-lo ao Senhor na porta do tabernáculo para que fosse aceito por Ele (ver v. 11). 

Ele deixava a vítima próxima ao altar do holocausto, pronta para ser oferecida no momento certo. Pela sua casa. O novilho era por si mesmo e por sua família. Somente ele devia oficiar nessa ocasião solene. Devia livrar-se de todo pecado antes que pudesse representar adequadamente Cristo como mediador (ver ]o 17: 19). Os outros sacerdotes assistiam, mas não ofereciam sacrifício. 

7. Ambos os bodes. Arão devia tomar os dois bodes e apresentá-los ao Senhor na porta da tenda da congregação, onde fica vam enquanto se lançavam sortes sobre eles. 

8. Lançará sortes. Isso era feito colocando-se dois objetos escritos em uma urna ou outro receptáculo, e tirando-os depois. Desse modo, a escolha era deixada para Deus. Nos tempos antigos, esses objetos eram feitos de madeira e continham uma inscrição, um era para o Senhor, o outro para o "bode emissário". Mais tarde, eles foram feitos de metais mais preciosos, até mesmo ouro. De acordo com o Talmude, os bodes deviam ser tão parecidos quanto possível. Para evitar qualquer erro depois de se lançar a sorte, um cordão escarlate era amar rado em volta dos chifres do bode emissário <11~ e um cordão em volta do pescoço do bode do Senhor. Isso os distinguia claramente. O bode emissário. Alguns teólogos acham que ambos os bodes são símbolos de Cristo e representam duas fases de Seu trabalho expiatório. Não são poucos, no entanto, que creem que eles representam duas forças opostas, uma força pelo Senhor e a outra para Satanás. A maioria das versões deixa a palavra hebraica para bode emissário, 'aza zel, sem traduzir, já que não há unanimidade em relação ao significado. Alguns estudiosos defendem, com os judeus, que Azazel denota um espírito pessoal, sobrenatural e pérfido; e quase todos concordam que a raiz da palavra significa "aquele que remove", o removedor, especificamente, o que remove através de "uma série de atos". Outros suge rem que é uma combinação de 'ez, "bode", e 'azal, "ir embora", "partir". Como um bode é para o Senhor, um ser pessoal, o outro bode também deve ser para um ser pessoal; e como ambos são, eviden temente, antitéticos, o ponto de vista mais consistente é que Azazel se opõe ao Senhor, e, portanto, só pode ser Satanás. 

9. A sorte para o SENHOR. Arão devia sacrificar o bode sobre o qual caía a sorte para o Senhor, como oferta pelos pecados do povo (v. 15). 

10. Mas o bode. O contraste entre os dois bodes é bem evidente. O bode do Senhor era sacrificado, o bode emissário, não. O sangue do bode do Senhor devia ser levado ao santuá rio e aspergido, o do bode emissário, não pela simples razão de que seu sangue não era der ramado. A gordura da oferta pelo pecado era sempre queimada sobre o altar. Isso ocorria com o bode do Senhor (v. 25), mas, é claro, não com o bode emissário. O sangue do bode do Senhor purificava (v. 15, 16); o do bode emis sário contaminava (v. 26). O contraste entre os dois bodes é total (ver v. 20, 21). Para fazer expiação. Ver o v. 21. 

11. Arão fará chegar o novilho. Este novilho havia sido apresentado ao Senhor (v. 6); e agora era levado para o sacrifício. Antes que Arão se preparasse para fazer expia ção pelos outros, devia primeiro fazer expiação por si mesmo. 

12. Brasas de fogo. O novilho havia sido sacrificado e seu sangue colocado em uma bacia, por um dos sacerdotes. Antes de entrar com o sangue, Arão pegava brasas do altar de holocausto e enchia o incensário. Ele tomava também dois punhados de incenso e colocava sobre as brasas depois de entrar no santíssimo. Dentro do véu. Esta seria a primeira vez em que Arão oficiaria no santíssimo. Era também a primeira vez que oficiaria com as vestes sagradas. Dali em diante, ele devia usar as gloriosas vestes douradas e fazer expiação pelos outros. Agora ele aparece em vestes de humildade, pedindo misericórdia para si mesmo e para o povo. Seu status havia mudado completamente. 

De acordo com o Talmude, o sumo sacerdote passava a semana precedente ao Dia da Expiação em um quarto reservado para ele nos aposentos destinados aos sacerdotes, envolvido em meditação e oração e revisando cuidadosamente o ritual do dia. Ele podia pensar somente no significado do serviço que estava prestes a desempenhar. Pensaria ele no significado da mudança de vestes e na mudança de status de Cristo em Sua encarnação (ver v. 4)? 

Compreenderia o significado de depor a túnica real e entrar na presença de Deus, ao passar pelo véu? Parece impensável que o sumo sacerdote oficiaria o serviço mais importante do ano sem, ao menos, considerar ares peito de seu verdadeiro significado. Sacrificar novilhos, carneiros e bodes, aspergir o sangue dos animais no altar ou no santíssimo e não saber o significado desses atos seria diminuir em grande medida o significado do ritual mais solene do santuário, transformando-o numa simples encenação piedosa. Não podia ser assim. "Abraão, vosso pai, alegrou-se por ver o Meu dia", disse Cristo; ele "viu-o e regozijou-se" (Jo 8:56). Se Abraão compreendeu, com certeza, Arão também. Pode-se concluir que Arão compreendeu em parte, talvez sem ter um completo entendimento da verdade relacionada ao plano da salvação. 

Algumas pessoas do passado sabiam mais sobre Deus e da salvação do que muita gente culta do presente. Cristo disse sobre Moisés: "Ele escreveu a Meu respeito" (Jo 5:46). Moisés escreveu de modo tão claro sobre Jesus que Filipe e Natanael reconhece ram quando Ele veio (Jo 1:45). Paulo afirmou .. 31 que continuaria "dando testemunho, tanto a pequenos como a grandes, nada dizendo,  senão o que os profetas e Moisés disseram haver de acontecer, isto é, que o Cristo devia padecer e, sendo o primeiro da ressurreição dos mortos" (At 26:22, 23). 

13. O incenso. Com o véu afastado, somente o incenso separava Arão da sagrada presença de Deus. De fora do tabernáculo, as orações subiam com o incenso e, pela fé, o povo, com Arão, entrava no santíssimo. 

14. Do sangue do novilho. Deixando o incensário no santíssimo, Arão voltava ao pátio. A aspersão do sangue do novilho, primeiro sobre o propiciatório e então sete vezes diante dele, encerrava o trabalho no santíssimo com o sangue. Assim, ele havia feito expiação por si mesmo e por sua casa (v. 17). Livre do pecado, ele agora se tornava um representante adequado de Cristo, Aquele que jamais pecou, e podia, portanto, mediar em favor dos outros. 

15. O bode. Depois de o serviço com o novilho ter sido concluído, Arão trazia o bode do Senhor, que era "pelo povo" e o sacrificava. Então, ele levava o sangue para den tro do véu e o aspergia do mesmo modo que o sangue do novilho, uma vez no propiciatório e sete vezes diante dele. Onde quer que o sangue do novilho fosse aspergido, ali o sangue do bode também era aspergido. 

16. Assim, fará expiação. Literalmente, o texto diz que "desse modo e com esse sangue fará expiação pelo santuário". Os ser viços do santuário, do início ao fim, eram essencialmente uma obra de expiação. Uma "expiação" era feita a cada passo no processo de lidar com o pecado. 

 1. Em qualquer tempo, durante o ano, quando um pecador apresentava a oferta e confessava seus pecados, uma "expiação" era feita por ele. Ele era "perdoado" (Lv 4:20, 26, 31, 35; 5:6, lO, 13, 16, 18; 6:7). Seu pecado era simbolicamente transferido para o santuário pela ministração do sangue da oferta e pela queima das partes da vítima no altar. No entanto, a completa expiação ainda não havia sido feita. Embora o pecado fosse perdoado, o pecador devia continuar no caminho da obediência. Se falhasse e negligenciasse em "afligir" sua alma no Dia da Expiação (Lv 23:27-29), todos os pecados perdoados retornariam e ele morreria (Ez 18:24; 33:13). Sua única segurança estava em permanecer firme até "o fim". Somente assim ele podia esperar a salvação (Mt 24:1 3). 

2. No Dia da Expiação- o dia de completa e final expiação por todos os peca dos confessados e perdoados durante o ano (Lv 16:16, 19; Hb 10:1-3) - o sangue do bode do Senhor simbolicamente removia esses pecados do santuário, fazendo expiação também pelo tabernáculo, purificando-o do pecado (Lv 16:17, 20). No primeiro dia do sétimo mês, as trombetas soavam para chamar a atenção do povo para o Dia da Expiação que ocorreria dez dias mais tarde (Nm 29:1). Os nove seguintes se tornavam dias de exame do coração e preparação para o Dia da Expiação, o dia do julgamento que selaria o destino do povo. Eles acreditavam que naquele dia "eram selados aqueles que deviam viver ou morrer" (]ewish Encyclopedia, v. 2, 286, art. "Atonement, Day of"). 

17. Nenhum homem. Durante a apli cação do sangue do novilho e do sangue do bode, no santíssimo, o véu que separava os dois compartimentos era afastado. Por causa do véu, nenhuma pessoa de dentro do lugar santo podia ver o santíssimo. Isso era prer rogativa somente do sumo sacerdote, pois somente ele podia entrar na presença de Deus. A proibição feita aqui se aplica aos v. 12 a 16, que tratam da ministração do sumo sacerdote no santo dos santos. O povo ansiosamente aguardava ouvir os sinos presos às vestes do sumo sacerdote, no Dia da Expiação. Ele havia entrado no san tíssimo com as vestes brancas para aspergir o sangue e, assim, remover simbolicamente o registro dos pecados do povo para sempre. 

Será que Deus o aceitaria - e também ao povo? Quando o sacerdote saía do santíssimo e o povo ouvia o som dos sinos, sentia profunda alegria e gratidão. Tudo fora aceito. 

18. Então, sairá ao altar. Tendo purificado o santíssimo e completado a minis tração ali, Arão devia fazer a mesma coisa pela "tenda da congregação", ou o lugar santo (v. 16). Então, ele devia sair ao altar do holocausto. Ali devia pegar um pouco do sangue do novilho e do bode, e com ele purificar o altar de todas as "impurezas dos filhos de Israel (v. 19). De acordo com a tradição judaica, o sangue do bode e do novilho era misturado numa vasilha. 

O fato de as duas amostras de sangue serem mencionadas, como apenas uma, tende a confirmar esse ponto de vista. Além de aplicar o sangue sobre os chifres do altar- onde o sangue das ofertas pelo pecado havia sido posto-, o sumo sacerdote também devia aspergir o sangue sobre o próprio altar, onde o sangue dos holocaustos e das ofertas pela culpa havia sido aspergido, e também o sangue do sacrifício da manhã e da tarde. Ao fazer isso, o sumo sacerdote purificava e santificava o altar de todas "as impurezas dos filhos de Israel". 

Pode-se compreender prontamente a necessidade de purificação dos dois altares do santuário terrestre, pois ambos recebiam a aspersão do sangue das ofertas queimadas e das ofertas pelo pecado (Lv 1:5, ll; 4:7, 18, 25, 30, 34). No caso das ofertas queima das e das ofertas pela culpa, o sangue era aspergido no próprio altar (1:5, ll; 5:9); e, nas ofertas pelo pecado, o sangue era aplicado sobre os chifres do altar (4:7, 18, 25, 30, 34). 

É dito sobre o altar de incenso: "Uma vez no ano, Arão fará expiação sobre os chifres do altar com o sangue da oferta pelo pecado" (Êx 30:10). Do altar do holocausto é dito: "Então, sairá ao altar [do santuário], que está perante o SENHOR ( ... )Tomará do sangue do novilho e do sangue do bode e o porá sobre os  chifres do altar, ao redor. Do sangue aspergirá, com o dedo, sete vezes sobre o altar, e o purificará, e o santificará das impurezas dos filhos de Israel" (Lv 16:18, 19; cf. v. 20).  O santuário terrestre é um modelo do santuário celestial; a purificação na terra é simplesmente um tipo da purificação no Céu. 

Daniel fala a respeito disso quando diz que no fim dos 2.300 dias "o santuário será purificado" (ver Dn 8:14). O santuário celestial, contudo, precisa ser purificado? Há algum tipo de contaminação no santuário celestial que torna a purificação necessária? Paulo responde a essa questão: "Era necessário, por tanto, que a figura das coisas que se acham nos céus se purificassem com tais sacrifícios [de animais], mas as próprias coisas celestiais, com sacrifícios a eles superiores" (Hb 9:23, ênfase). 

20. Havendo, pois, acabado. O sangue do bode do Senhor oferecido no Dia da Expiação purificava o santíssimo, o santo e o altar do holocausto "das suas [de Israel] transgressões, e de todos os seus peca dos" e "das impurezas dos filhos de Israel" (v. 16, 19). O povo havia obtido perdão previamente dos mesmos pecados, quando no serviço diário havia apresentado sacrifícios pessoais. O sangue era posto nos chifres do altar do holocausto, e o penitente saía perdoado. Repetidamente afirma-se que "o sacerdote fará expiação por ele, no tocante ao seu pecado, e este lhe será perdoado" (Lv 4:26, 31, 35). No entanto, embora o pecado fosse perdoado, o registro do pecado permanecia até o Dia da Expiação, quando era "apagado". Quando isso ocorria, havia então reconciliação. 

21. Do bode vivo. Enquanto o sumo sacerdote fazia expiação com o bode do Senhor e purificava o santuário, o bode emissário permanecia perto do altar, não tendo parte no ritual. Sua parte começava somente após a expiação com o bode do Senhor haver sido completada (v. 20). 

Havia nisso um propósito de reconciliar o lugar santo, a tenda da congregação e o altar. Depois de purificar o santuário dos peca dos, o sumo sacerdote simbolicamente saía com esses pecados à porta da tenda da congregação onde o bode emissário esperava (PP, 356; GC, 422). 

Ele punha as mãos sobre a cabeça do animal e confessava todas as transgressões, transferindo assim os peca dos do santuário para o bode, que os levava ao deserto (PP, 356, 358). No antítipo, Cristo finalmente purificará ~"" o santuário celestial, removendo os pecados confessados e perdoados de Seu povo e colocando-os sobre Satanás. Cristo o declarará culpado de todo mal, e então ele receberá a punição final (GC, 422, 485, 658). "Os peca dos daqueles que foram remidos pelo sangue de Cristo finalmente serão lançados sobre o originador do pecado, e ele receberá a punição final" (PE, 178). É de se notar que o ato final de Deus ao lidar com o drama do pecado será lançar sobre a cabeça de Satanás todo o pecado e toda culpa que, originando-se dele, trouxe tragédia àqueles que então estarão livres por meio do sangue expiatório de Cristo. Assim se completará o ciclo e o drama terminará. Somente quando Satanás, o instigador do pecado, sair de cena, o pecado será remo vido para sempre do universo. Nesse sentido, pode-se compreender que o bode emissário tem uma parte no processo da "expiação" (v. lO). O universo voltará ao estado de plena harmonia somente quando os justos estive rem salvos, quando os ímpios forem exterminados e Satanás não mais existir. Enviá-lo-á. Literalmente, "expulsá-lo-á". A palavra aqui empregada é a mesma usada no caso de divórcio da esposa (Dt 21:14; 22:19, 22; Jr 3:8). Esta é uma palavra forte, como "expulsar" um animal indesejável ou repulsivo (heb. midbar). O bode emissário era mandado para o deserto e podia ou não mor rer ali, pois os hebreus levavam o rebanho para pastar no midhar, que podia significar uma terra selvagem, onde animais habitavam. O Talmude menciona um costume posterior de lançar o bode de um penhasco, mas mesmo assim, sua morte não desempenhava papel algum na cerimônia sacrificai. Ao contrário do bode do Senhor, o bode emissário era mandado embora vivo, sua morte eventual não era sacrificai ou substitutiva em nenhum sentido

22. Todas as iniquidades deles. Os israelitas sabiam que haviam pecado e não tinham alcançado o suficiente na expectativa de Deus para eles. Contudo, através do ritual do Dia da Expiação, eles tinham uma demonstração visual da completa separação dos pecados que haviam confessado e deles sido perdoados durante aquele ano, e da bondade de Deus em poupar a vida deles. Eles sabiam que não mereciam a graça a eles estendida, mas, pelo derramamento do sangue no sacrifício da expiação, o registro de seus pecados perdoados havia sido apagado do santuário. 

Ao observar a partida do bode emissário, eles testemunhavam o último ato do drama-Satanás recebia "sobre a cabeça" (SI 7:16) todos os pecados que havia instigado, e partia para seu destino final. 

23. Despirá as vestes de linho. Estas vestes eram também chamadas de "vestes sagradas" (v. 4) e eram usadas somente no Dia da Expiação. Arão as vestia quando entrava no santíssimo com o incenso, de manhã. Quando o trabalho de mediação especial terminava, ele despia as vestes de linho e vestia a dourada. 

24. Banhará o seu corpo. Arão entrara em contato com o pecado. Isso não o contaminava a ponto de precisar oferecer um sacrifício pelo pecado; no entanto, ele devia se banhar e depois vestir a túnica dourada. Então, ele oferecia o costumeiro sacrifício da tarde, tanto por si como pelo povo. Com isso, a rodada de cerimônias para outro ano começava. 

 25. A gordura. Naquele dia, a gordura das várias ofertas pelo pecado não era quei mada até aquela hora (v. 11, 15). 

26. E aquele que tiver levado o bode emissário. A pessoa que levava o bode não era necessariamente um sacerdote. Poderia ser qualquer um "à disposição para isso" (v. 21). Uma corda era amarrada ao pescoço do bode e o homem o levava ou o conduzia com seu cajado. 

27. O novilho. A lei requeria que a car caça dos animais, cujo sangue havia sido levado ao santuário pelo sumo sacerdote, fosse queimada fora do acampamento. Paulo vê nisso um tipo de Cristo que "sofreu fora da porta", e admoesta os crentes a seguir com Ele "fora do arraial, levando o Seu vitupério" (Hb 13:11-13).

29. Estatuto perpétuo. O Dia da Expiação era o único dia de jejum do ano, chamado de o "Dia do Jejum" (At 27:9). Outros jejuns adotados mais tarde não foram exigidos ou aprovados por Deus (Is 58:3-7; Zc 7:3-10). Nos dias de Jesus, havia 29 jejuns além dos dois dias de jejum semanais. Afligireis a vossa alma. Isso era mais do que jejuar. Incluía examinar o coração, rever o progresso do crescimento em santi dade, buscar a Deus, confessar os pecados, reparar deveres negligenciados, acertar as contas com Deus e com os homens e, desse .,.~ modo, remir o tempo. 

30. E sereis purificados. Sendo esse o Dia da Expiação, era necessário a cada pessoa cooperar com a obra de purificação. O sacerdote podia fazer expiação apenas se Israel confessasse os pecados e pedisse ajuda a Deus. Os pecados pelos quais o sumo sacerdote fazia expiação eram somente os confessados, aqueles pelos quais o penitente fazia ofer tas durante o ano. Esse dia oferecia a opor tunidade anual, no tipo, de ter os pecados apagados para sempre; era o dia da aceitação. 

31. É sábado de descanso solene. Literalmente, "um sábado de sábados", .um dia solene.

32. Quem for ungido. O sacerdócio e o serviço deviam continuar depois da morte de Arão. Outro sacerdote devia, então, ser ungido e consagrado para o ofício sacerdotal; devia pôr as vestes sagradas e conduzir o serviço. Levítico 16 é um dos grandes capítulos da Bíblia. Nele, o plano da salvação é revelado de modo belo e impressivo. Alguns segredos profundos de Deus estão escondidos em seus 34 versos. A profundidade do significado revelado nas cerimônias descritas aponta um Autor divino. A mente se amplia ao máximo na tentativa de compreender seus ensinos.


COMENTÁRIO ADICIONAL A LEVÍTICO 16 

Para compreender com clareza os serviços do Dia da Expiação, é preciso saber a respeito da construção do tabernáculo, onde ocorria o ritual do santuário, bem como seus arredores. Para uma descrição geral, ver Êxodo 26:1, e para uma descrição detalhada, Êxodo 25-31; 35-40. 

O tabernáculo original construído por Moisés era uma tenda com paredes de madeira (ver Êx 26:15-26). A cobertura consistia de quatro camadas de material, a mais interna era linho retorcido, e as outras, de vários tipos de pele (ver Êx 26:1-14). A tenda media cerca de 13,3 m por 4,5 m. Havia um pátio externo com cerca de 52 m de comprimento por 26 m de largura (ver Êx 27:9-18). 

A tenda era dividia em dois compartimentos. O primeiro e maior era chamado de lugar santo e o segundo, de santíssimo. Uma rica cortina, ou véu, dividia os dois compartimentos. Como não havia janelas na tenda, um candelabro com sete hastes provia a iluminação do primeiro compartimento. Ali havia luz suficiente para os sacerdotes desempenharem o serviço. 

No primeiro compartimento havia três peças do mobiliário: a mesa dos pães da proposição, o candelabro e o altar de incenso. Entrando na tenda, cuja frente se voltava para o leste, podia-se ver no fim do recinto o altar de incenso. À direita, havia a mesa dos pães da proposição, organizados em duas pilhas de seis pães cada uma, e também o incenso para o pão e as jarras para as ofertas de libação. Havia também pratos, colheres e vasilhas usadas no serviço. O candelabro era de ouro puro e suas lâmpadas tinham o formato de amêndoas. 

O objeto mais importante nesse compartimento era o altar de incenso. Media cerca de 89 por 44 por 44 em. Era coberto de ouro puro, e ao redor da parte superior havia uma coroa de ouro. Nesse altar, o sacerdote colocava uma vasilha contendo brasas vivas tiradas do altar do holocausto e também o incenso. Quando ele punha o incenso sobre as brasas, a fumaça subia e, como o véu não chegava ao teto da tenda, o incenso não apenas enchia o primeiro compartimento, mas também o segundo. Assim, servia ao lugar santíssimo também. 

No segundo compartimento havia apenas a arca, que media 112 em de comprimento, por 66 em de largura e altura. A cobertura da arca era chamada de propiciatório, sobre o qual a expiação era feita no Dia da Expiação. Ao redor da cobertura havia uma coroa de ouro, semelhante à que havia no altar de incenso. Dentro da arca estavam guardadas as tábuas da lei, escritas pelo próprio dedo de Deus. 

No alto do propiciatório havia dois querubins de ouro. Ali, Deus comungava com Seu ~.,. povo (Êx 25:22). 

No pátio, fora da tenda, havia um lavatório, uma bacia grande feita de bronze que continha água para lavar-se. Nesse lavatório, os sacerdotes lavavam as mãos e os pés antes de entrar no santuário ou no início de cada serviço (Êx 30:17-21; 38:8). 

No pátio, a leste do lavatório, havia também o altar do holocausto, que tinha o mais importante propósito em todas as ofertas sacrificais. O altar media 1,33 m de altura e, para se ministrar junto a ele, era necessária uma pequena plataforma sobre a qual o sacerdote ficava. O topo do altar media 2,22 metros quadrados. Era feito de madeira, coberto de bronze. Em tempos posteriores, o altar foi ampliado para acomodar o crescente número de ofertas. Nesse altar, os sacrifícios eram queimados e, por isso, recebia o nome de altar de ofertas queimadas. 

Ali também a gordura das vítimas era queimada, assim como certas partes de outras ofertas. Nos quatro cantos do altar havia projeções semelhantes a chifres, conhecidas como "chifres do altar". Em certos sacrifícios, os sacerdotes tocavam os chifres do altar com sangue. Em outros, eles o aspergiam em volta do altar. Na base do altar, o sangue adicional não usado no serviço era despejado no chão.


COMENTÁRIOS DE ELLEN G. WHITE 

2-CBV, 437 

7, 8- PP, 355 

8, lO- GC, 419 

13, 14-T4, 124 

14-GC, 419 

15-PP, 355 

16-GC, 419; PP, 355 

17-GC, 428; CBV, 437 

19- GC, 419; PP, 355 

21 - GC, 658; PP, 356 

21 , 22- PE, 178; GC, 419; 

PP, 355 

22-GC, 485 

29-34 - GC, 400 


3 - Livro Questões de Doutrina

(Vou ler pelo livro físico)


3 - Revista Kerygma - Ano 5 - Número 2 - 2º Semestre de 2009

www.unasp.edu.br/kerygma - pp. 95



Trabalho de Conclusão de Curso 

 A IDENTIDADE DO BODE PARA AZAZEL EM LEVÍTICO 16 

Sidnei da Rosa - Bacharel em Teologia pelo Unasp, Campus Engenheiro Coelho, SP 

 TCC apresentado em dezembro de 2008 - Orientador: Reinaldo W. Siqueira, Ph. D. 


Resumo: A discussão a respeito da identidade do bode para Azazel, mencionado no capítulo 16 de Levítico, tem dividido opiniões entre os estudiosos. As diferentes interpretações quanto a esse bode variam em vê-lo como um símbolo do demônio, ou como um símbolo de Cristo. Alguns entendem a palavra “Azazel” como um termo técnico, outros como uma designação geográfica. A presente monografia pretende analisar a função do bode para Azazel no contexto do Dia da Expiação e, com base neste ponto avaliar criticamente cada interpretação sugerida sobre o bode para Azazel. 


Trabalho de Conclusão de Curso, apresentado como requisito parcial para obtenção de título de bacharel em teologia, pelo Centro Universitário Adventista de São Paulo, campus Engenheiro Coelho. Orientador: Reinaldo W. Siqueira, Ph. D.


INTRODUÇÃO

O trabalho se limitará a discutir o significado do bode para Azazel em Levítico 16. No primeiro capítulo, veremos as diferentes opiniões defendidas acerca do bode para Azazel e os argumentos usados na defesa de cada opinião. No segundo capítulo buscaremos entender qual era a função do bode para Azazel no contexto do Dia da Expiação, visto que entender sua função naquele dia servirá de auxílio para compreendermos sua identidade. Tendo como base as conclusões do segundo capítulo, o terceiro capítulo criticará as opiniões levantadas no capítulo um, e procurará trazer uma conclusão bíblica acerca da identidade do bode para Azazel.


CAPITULO I - PRINCIPAIS TEORIAS SOBRE O BODE PARA AZAZEL 

O presente estudo busca entender a identidade do bode para Azazel, em Levítico 16. Admitimos que a tarefa não parece fácil, haja vista a quantidade de opiniões divergentes no meio acadêmico sobre o assunto. Entre as principais idéias conhecidas temos: 1) Azazel é um nome próprio, ou epíteto de um demônio; 2) Azazel faz referência à ação do bode de “ir”, ’ez+’azel “bode que vai”, as traduções da LXX e Vg para a palavra “Azazel” que são, respectivamente, “αποποµπαιοs” e “caper emissarius”, transmitem essa idéia, daí surgiu a terminologia “bode emissário”; 3) Está ligado a uma designação geográfica, um local para onde o bode é enviado; 4) É um termo técnico que significa “extirpação”, “inteira eliminação”1.

 

  O Bode para Azazel como o Epíteto de um Demônio

A primeira teoria acerca do bode para Azazel, é que o nome “Azazel” representa um demônio. Wright2 apresenta quatro argumentos, defendido por ele e por outros autores, que devem ser considerados: 1. Existe um paralelismo entre o bode “para YHWH” e o bode “para Azazel”, assim como o primeiro (YHWH) era um ser sobrenatural, o segundo (Azazel) também deveria ser, mas está em oposição a YHWH. Esse flagrante contraste é também destacado por W. Volck3. De modo mais incisivo, o comentário de Keil sobre o texto “requer incondicionalmente que Azazel deve ser tomado como um ser pessoal em oposição a YHWH”4. Segundo R. Vaux, quando fazemos uma conexão entre os dois bodes devemos considerar a ambos como representando uma personalidade. Tentar relacionar um paralelo entre o bode para YHWH, com o bode para Azazel, e interpretar o último com qualquer outro significado que não evoque personalidade torna “o paralelismo incompleto”5. Um ponto que deve ser destacado é que em parte alguma os defensores dessa hipótese criam que o bode sobre o qual caiu a sorte “para Azazel” seja uma oferta a esse ser maligno, tampouco desempenhe ele alguma parte ativa na purificação do pecado, ele “simplesmente, recebe submisso sua provisão”6.

Assim sendo o bode para Azazel não morre pelos pecados do povo (o bode para YHWH já fez isso), ele apenas os leva de volta ao seu originador. 2. Outro argumento levantado por Wright é que o deserto na Bíblia é usualmente sinônimo de morada de demônios. E algumas passagens fazem alusão a isso (Is 13:21-22, 34:11-15; talvez Lv 17:7; cf. Tb 8:3; Mt 12:43; Ap 18:2). 

Ainda em apoio a esse argumento, vale lembrar que existem de forma análoga nos cultos das antigas religiões orientais, animais sendo enviados para limpar a impureza dentre o povo a lugares desabitados a divindades ou demônios que residiam ali9. Existem traços de semelhança (como o envio a um lugar desabitado), embora na maioria dos pontos o ritual hebreu difere dos rituais do antigo Oriente Médio10.

3. A evidência externa também traz sua contribuição sobre o assunto. Embora tardia em relação à data da tradicional composição de Levítico, a literatura pseudo-epígrafa apresenta Azazel ou Azael como um ser demoníaco.

(I Enoque 8:1, 2) - (9:4); (10:3, 4; 13:1-3 e 54:2-4).

Os Capítulos 1-36 de I Enoque11 são datados da primeira metade do segundo século antes de Cristo...

Outro pseudo-epígrafo que apresenta a figura de Azazel é o Apocalipse de Abraão (c. II séc. d.C.) aqui, novamente, ele é o que ensina a maldade ao homem (13:7-11); há juízo contra ele (14:1, 5 e 22:5-7); ele foi quem tentou Adão e Eva (23:8-9).

4. “Todo o nome poderia ser interpretado como o epíteto de um ser sobrenatural mantendo a ordem das consoantes no texto massorético (‘z’zl), a etimologia de nome tem sido explanada como uma forma metastizada de ‘zz-’l ”13. Na opinião de Janowsky “o resultado da metástase consonantal, parece ser a mais provável explanação”, a tradução seria algo como “deus irado” “deus feroz”14.


O Bode Azazel como um Símbolo de Cristo


A segunda idéia quanto à interpretação do bode para Azazel entende que a palavra “Azazel” descreve a ação realizada pelo bode. Como já dito antes, as antigas traduções como LXX (αποποµπαιοs), Vulgata (caper emissarius), além de Símaco e Teodócio entenderam que a palavra indica “o bode que se vai”15, daí vem à idéia de “bode emissário”, o que serviu de fundamento para Lutero, Calvino e outros a interpretarem “Azazel” como a ação realizada pelo bode. Logo, ambos os bodes estariam prestando o mesmo serviço de purificação do templo, mas em fases distintas. “Os dois bodes juntos formavam um sacrifício, um deles sendo morto e o outro ‘indo’ ”16, conforme seu nome indicava. Basicamente essa posição torna-se antagônica à primeira. A natural implicação de considerar o bode para Azazel como participante do sacrifício do Dia da Expiação é torná-lo (pelo menos no pensamento cristão), como um tipo de Cristo.

A principal analogia feita pelos autores que defendem essa perspectiva vem de Levítico 14:1-9. Ali na cerimônia de purificação de um leproso, duas pombas são escolhidas, enquanto uma é sacrificada outra é solta levando a impureza embora.


https://www.bibliaonline.com.br/acf+nvi/lv/14 

¹ Depois falou o Senhor a Moisés, dizendo:

² Esta será a lei do leproso no dia da sua purificação: será levado ao sacerdote,

³ E o sacerdote sairá fora do arraial, e o sacerdote o examinará, e eis que, se a praga da lepra do leproso for sarada,

⁴ Então o sacerdote ordenará que por aquele que se houver de purificar se tomem duas aves vivas e limpas, e pau de cedro, e carmesim, e hissopo.

⁵ Mandará também o sacerdote que se degole uma ave num vaso de barro sobre águas vivas,

⁶ E tomará a ave viva, e o pau de cedro, e o carmesim, e o hissopo, e os molhará, com a ave viva, no sangue da ave que foi degolada sobre as águas correntes.

⁷ E sobre aquele que há de purificar-se da lepra aspergirá sete vezes; então o declarará por limpo, e soltará a ave viva sobre a face do campo.

⁸ E aquele que tem de purificar-se lavará as suas vestes, e rapará todo o seu pelo, e se lavará com água; assim será limpo; e depois entrará no arraial, porém, ficará fora da sua tenda por sete dias;

⁹ E será que ao sétimo dia rapará todo o seu pelo, a sua cabeça, e a sua barba, e as sobrancelhas; sim, rapará todo o pelo, e lavará as suas vestes, e lavará a sua carne com água, e será limpo,

¹⁰ E ao oitavo dia tomará dois cordeiros sem defeito, e uma cordeira sem defeito, de um ano, e três dízimas de flor de farinha para oferta de alimentos, amassada com azeite, e um logue de azeite;

¹¹ E o sacerdote que faz a purificação apresentará o homem que houver de purificar-se, com aquelas coisas, perante o Senhor, à porta da tenda da congregação.

¹² E o sacerdote tomará um dos cordeiros, e o oferecerá por expiação da culpa, e o logue de azeite; e os oferecerá por oferta movida perante o Senhor.

¹³ Então degolará o cordeiro no lugar em que se degola a oferta da expiação do pecado e o holocausto, no lugar santo; porque quer a oferta da expiação da culpa como a da expiação do pecado é para o sacerdote; coisa santíssima é.

¹⁴ E o sacerdote tomará do sangue da expiação da culpa, e o sacerdote o porá sobre a ponta da orelha direita daquele que tem de purificar-se e sobre o dedo polegar da sua mão direita, e no dedo polegar do seu pé direito.

¹⁵ Também o sacerdote tomará do logue de azeite, e o derramará na palma da sua própria mão esquerda.

¹⁶ Então o sacerdote molhará o seu dedo direito no azeite que está na sua mão esquerda, e daquele azeite com o seu dedo aspergirá sete vezes perante o Senhor;

¹⁷ E o restante do azeite, que está na sua mão, o sacerdote porá sobre a ponta da orelha direita daquele que tem de purificar-se, e sobre o dedo polegar da sua mão direita, e sobre o dedo polegar do seu pé direito, em cima do sangue da expiação da culpa;

¹⁸ E o restante do azeite que está na mão do sacerdote, o porá sobre a cabeça daquele que tem de purificar-se; assim o sacerdote fará expiação por ele perante o Senhor.

¹⁹ Também o sacerdote fará a expiação do pecado, e fará expiação por aquele que tem de purificar-se da sua imundícia; e depois degolará o holocausto;

²⁰ E o sacerdote oferecerá o holocausto e a oferta de alimentos sobre o altar; assim o sacerdote fará expiação por ele, e será limpo.

²¹ Porém se for pobre, e em sua mão não houver recursos para tanto, tomará um cordeiro para expiação da culpa em oferta de movimento, para fazer expiação por ele, e a dízima de flor de farinha, amassada com azeite, para oferta de alimentos, e um logue de azeite,

²² E duas rolas, ou dois pombinhos, conforme as suas posses, dos quais um será para expiação do pecado, e o outro para holocausto.

²³ E ao oitavo dia da sua purificação os trará ao sacerdote, à porta da tenda da congregação, perante o Senhor.

²⁴ E o sacerdote tomará o cordeiro da expiação da culpa, e o logue de azeite, e os oferecerá por oferta movida perante o Senhor.

²⁵ Então degolará o cordeiro da expiação da culpa, e o sacerdote tomará do sangue da expiação da culpa, e o porá sobre a ponta da orelha direita daquele que tem de purificar-se, e sobre o dedo polegar da sua mão direita, e sobre o dedo polegar do seu pé direito.

²⁶ Também o sacerdote derramará do azeite na palma da sua própria mão esquerda.

²⁷ Depois o sacerdote com o seu dedo direito aspergirá do azeite que está na sua mão esquerda, sete vezes perante o Senhor.

²⁸ E o sacerdote porá do azeite que está na sua mão na ponta da orelha direita daquele que tem de purificar-se, e no dedo polegar da sua mão direita, e no dedo polegar do seu pé direito; no lugar do sangue da expiação da culpa.

²⁹ E o que sobejar do azeite que está na mão do sacerdote porá sobre a cabeça daquele que tem de purificar-se, para fazer expiação por ele perante o Senhor.

³⁰ Depois oferecerá uma das rolas ou um dos pombinhos, conforme suas posses,

³¹ Sim, conforme as suas posses, será um para expiação do pecado e o outro para holocausto com a oferta de alimentos; e assim o sacerdote fará expiação por aquele que tem de purificar-se perante o Senhor.

³² Esta é a lei daquele em quem estiver a praga da lepra, cujas posses não lhe permitirem o devido para purificação.

³³ Falou mais o Senhor a Moisés e a Arão, dizendo:

³⁴ Quando tiverdes entrado na terra de Canaã que vos hei de dar por possessão, e eu enviar a praga da lepra em alguma casa da terra da vossa possessão,

³⁵ Então aquele, de quem for a casa, virá e informará ao sacerdote, dizendo: Parece-me que há como que praga em minha casa.

³⁶ E o sacerdote ordenará que desocupem a casa, antes que entre para examinar a praga, para que tudo o que está na casa não seja contaminado; e depois entrará o sacerdote, para examinar a casa;

³⁷ E, vendo a praga, e eis que se ela estiver nas paredes da casa em covinhas verdes ou vermelhas, e parecerem mais fundas do que a parede,

³⁸ Então o sacerdote sairá da casa para fora da porta, e fechará a casa por sete dias.

³⁹ Depois, ao sétimo dia o sacerdote voltará, e examinará; e se vir que a praga nas paredes da casa se tem estendido,

⁴⁰ Então o sacerdote ordenará que arranquem as pedras, em que estiver a praga, e que as lancem fora da cidade, num lugar imundo;

⁴¹ E fará raspar a casa por dentro ao redor, e o pó que houverem raspado lançarão fora da cidade, num lugar imundo;

⁴² Depois tomarão outras pedras, e as porão no lugar das primeiras pedras; e outro barro se tomará, e a casa se rebocará.

⁴³ Porém, se a praga tornar a brotar na casa, depois de arrancadas as pedras e raspada a casa, e de novo rebocada,

⁴⁴ Então o sacerdote entrará e examinará, se a praga na casa se tem estendido, lepra roedora há na casa; imunda está.

⁴⁵ Portanto se derribará a casa, as suas pedras, e a sua madeira, como também todo o barro da casa; e se levará para fora da cidade a um lugar imundo.

⁴⁶ E o que entrar naquela casa, em qualquer dia em que estiver fechada, será imundo até à tarde.

⁴⁷ Também o que se deitar a dormir em tal casa, lavará as suas roupas; e o que comer em tal casa lavará as suas roupas.

⁴⁸ Porém, tornando o sacerdote a entrar na casa e examinando-a, se a praga não se tem estendido na casa, depois que a casa foi rebocada, o sacerdote a declarará por limpa, porque a praga está curada.

⁴⁹ Depois tomará, para expiar a casa, duas aves, e pau de cedro, e carmesim e hissopo;

⁵⁰ E degolará uma ave num vaso de barro sobre águas correntes;

⁵¹ Então tomará pau de cedro, e o hissopo, e o carmesim, e a ave viva, e os molhará no sangue da ave degolada e nas águas correntes, e aspergirá a casa sete vezes;

⁵² Assim expiará aquela casa com o sangue da ave, e com as águas correntes, e com a ave viva, e com o pau de cedro, e com o hissopo, e com o carmesim.

⁵³ Então soltará a ave viva para fora da cidade, sobre a face do campo; assim fará expiação pela casa, e será limpa.

⁵⁴ Esta é a lei de toda a praga da lepra, e da tinha,

⁵⁵ E da lepra das roupas, e das casas,

⁵⁶ E da inchação, e das pústulas, e das manchas lustrosas;

⁵⁷ Para ensinar quando alguma coisa será imunda, e quando será limpa. Esta é a lei da lepra. 


Levítico 14:1-57 (ACF)



¹ Disse também o Senhor a Moisés:

² "Esta é a regulamentação acerca da purificação de um leproso: ele será levado ao sacerdote,

³ que sairá do acampamento e o examinará. Se a pessoa foi curada da lepra,

⁴ o sacerdote ordenará que duas aves puras, vivas, um pedaço de madeira de cedro, um pano vermelho e um ramo de hissopo sejam trazidos em favor daquele que será purificado.

⁵ Então o sacerdote ordenará que uma das aves seja morta numa vasilha de barro com água da fonte.

⁶ Então pegará a ave viva e a molhará, juntamente com o pedaço de madeira de cedro, com o pano vermelho e com o ramo de hissopo, no sangue da ave morta em água corrente.

⁷ Sete vezes ele aspergirá aquele que está sendo purificado da lepra e o declarará puro. Depois soltará a ave viva em campo aberto.

⁸ "Aquele que estiver sendo purificado lavará as suas roupas, rapará todos os seus pêlos e se banhará com água; e assim estará puro. Depois disso poderá entrar no acampamento, mas ficará fora da sua tenda por sete dias.

⁹ No sétimo dia rapará todos os seus pêlos: o cabelo, a barba, as sobrancelhas e o restante dos pêlos. Lavará suas roupas e banhará o corpo com água; então ficará puro.

¹⁰ "No oitavo dia pegará dois cordeiros sem defeito e uma cordeira de um ano sem defeito, juntamente com três jarros da melhor farinha amassada com óleo, como oferta de cereal, e uma caneca de óleo.

¹¹ O sacerdote que faz a purificação apresentará ao Senhor, à entrada da Tenda do Encontro, tanto aquele que estiver para ser purificado como as suas ofertas.

¹² "Então o sacerdote pegará um dos cordeiros e o sacrificará como oferta pela culpa, juntamente com a caneca de óleo; ele os moverá perante o Senhor como gesto ritual de apresentação e

¹³ matará o cordeiro no Lugar Santo, onde são sacrificados a oferta pelo pecado e o holocausto. Como se dá com a oferta pelo pecado, também a oferta pela culpa pertence ao sacerdote; é santíssima.

¹⁴ O sacerdote porá um pouco do sangue da oferta pela culpa na ponta da orelha direita daquele que será purificado, no polegar da sua mão direita e no polegar do seu pé direito.

¹⁵ Então o sacerdote pegará um pouco de óleo da caneca e o derramará na palma da sua própria mão esquerda,

¹⁶ molhará o dedo direito no óleo que está na palma da mão esquerda, e com o dedo o aspergirá sete vezes perante o Senhor.

¹⁷ O sacerdote ainda porá um pouco do óleo restante na palma da sua mão, na ponta da orelha direita daquele que está sendo purificado, no polegar da sua mão direita e no polegar do seu pé direito, em cima do sangue da oferta pela culpa.

¹⁸ O óleo que restar na palma da sua mão, o sacerdote derramará sobre a cabeça daquele que está sendo purificado e fará propiciação por ele perante o Senhor.

¹⁹ "Então o sacerdote sacrificará a oferta pelo pecado e fará propiciação em favor daquele que está sendo purificado da sua impureza. Depois disso, o sacerdote matará o animal do holocausto

²⁰ e o oferecerá sobre o altar, juntamente com a oferta de cereal; e assim fará propiciação pelo ofertante, o qual estará puro.

²¹ "Se, todavia, for alguém pobre, sem recursos para isso, pegará um cordeiro como oferta pela culpa para ser movido para fazer propiciação por ele, juntamente com um jarro da melhor farinha, amassada com óleo, como oferta de cereal; uma caneca de óleo

²² e duas rolinhas ou dois pombinhos, os quais ele tenha condições de ofertar, um como oferta pelo pecado e o outro como holocausto.

²³ "No oitavo dia ele os trará ao sacerdote, para a sua purificação, à entrada da Tenda do Encontro, perante o Senhor.

²⁴ O sacerdote pegará o cordeiro da oferta pela culpa, juntamente com uma caneca de óleo, e os moverá perante o Senhor como gesto ritual de apresentação.

²⁵ Matará o cordeiro da oferta pela culpa e pegará um pouco do sangue e o porá na ponta da orelha direita daquele que está sendo purificado, no polegar da sua mão direita e no polegar do seu pé direito.

²⁶ O sacerdote derramará um pouco do óleo na palma da sua mão esquerda,

²⁷ e com o dedo indicador direito aspergirá um pouco do óleo da palma da sua mão esquerda sete vezes perante o Senhor.

²⁸ Ele porá o óleo da palma da sua mão nos mesmos lugares em que pôs o sangue da oferta pela culpa: na ponta da orelha direita daquele que está sendo purificado, no polegar da sua mão direita e no polegar do seu pé direito.

²⁹ O que restar do óleo na palma da sua mão, o sacerdote derramará sobre a cabeça daquele que está sendo purificado, para fazer propiciação por ele perante o Senhor.

³⁰ Depois sacrificará uma das rolinhas ou um dos pombinhos, os quais a pessoa tem condições de ofertar,

³¹ um como oferta pelo pecado e o outro como holocausto, juntamente com a oferta de cereal. Assim o sacerdote fará propiciação perante o Senhor em favor daquele que está sendo purificado".

³² Essa é a regulamentação para todo aquele que tem lepra e não tem recursos para fazer a oferta da sua purificação.

³³ O Senhor disse a Moisés e a Arão:

³⁴ "Quando vocês entrarem na terra de Canaã, que lhes dou como propriedade, e eu puser mancha de mofo numa casa, na terra que lhes pertence,

³⁵ o dono da casa irá ao sacerdote e dirá: ‘Parece-me que há mancha de mofo em minha casa’.

³⁶ Antes de examinar o mofo, o sacerdote ordenará que desocupem a casa para que nada que houver na casa se torne impuro. Depois disso, o sacerdote irá examinar a casa.

³⁷ Examinará as manchas nas paredes, e, se elas forem esverdeadas ou avermelhadas e parecerem mais profundas do que a superfície da parede,

³⁸ o sacerdote sairá da casa e a deixará fechada por sete dias.

³⁹ No sétimo dia voltará para examinar a casa. Se as manchas se houverem espalhado pelas paredes da casa,

⁴⁰ ordenará que as pedras contaminadas pelas manchas sejam retiradas e jogadas num local impuro, fora da cidade.

⁴¹ Fará que a casa seja raspada por dentro e que o reboco raspado seja jogado num local impuro, fora da cidade.

⁴² Depois colocarão outras pedras no lugar das primeiras, e rebocarão a casa com barro novo.

⁴³ "Se as manchas tornarem a alastrar-se na casa depois de retiradas as pedras e de raspada e rebocada a casa,

⁴⁴ o sacerdote irá examiná-la, e, se as manchas se espalharam pela casa, é mofo corrosivo; a casa está impura.

⁴⁵ Ela terá que ser demolida: as pedras, as madeiras e todo o reboco da casa; tudo será levado para um local impuro, fora da cidade.

⁴⁶ "Quem entrar na casa enquanto estiver fechada estará impuro até à tarde.

⁴⁷ Aquele que dormir ou comer na casa terá que lavar as suas roupas.

⁴⁸ "Mas, se o sacerdote for examiná-la e as manchas não se houverem espalhado depois de rebocada a casa, declarará pura a casa, pois as manchas de mofo desapareceram.

⁴⁹ Para purificar a casa, ele pegará duas aves, um pedaço de madeira de cedro, um pano vermelho e hissopo.

⁵⁰ Depois matará uma das aves numa vasilha de barro com água da fonte.

⁵¹ Então pegará o pedaço de madeira de cedro, o hissopo, o pano vermelho e a ave viva, e os molhará no sangue da ave morta e na água da fonte, e aspergirá a casa sete vezes.

⁵² Ele purificará a casa com o sangue da ave, com a água da fonte, com a ave viva, com o pedaço de madeira de cedro, com o hissopo e com o pano vermelho.

⁵³ Depois soltará a ave viva em campo aberto, fora da cidade. Assim fará propiciação pela casa, que ficará pura".

⁵⁴ Essa é a regulamentação acerca de qualquer tipo de lepra, de sarna,

⁵⁵ de mofo nas roupas ou numa casa

⁵⁶ e de inchaço, erupção ou mancha brilhante,

⁵⁷ para se determinar quando uma coisa é pura ou impura. Essa é a regulamentação acerca de qualquer tipo de lepra e de mofo. 


Levítico 14:1-57 (NVI)


Essa interpretação teológica vê em Cristo o antítipo do bode para Azazel. Assim como Cristo, no Novo Testamento, carregou “ele mesmo em seu corpo, sobre o madeiro, os nossos pecados” (1 Pe 2:24), e “sofreu fora da porta”, (Hb 13:11, 12), semelhantemente no Antigo Testamento, o bode para Azazel, seu tipo recebe os pecados do povo e é enviado para fora, para o deserto21.

 

Os autores que defendem esse ponto de vista acrescentam que é perigoso entendermos “Azazel” como um nome próprio, fazendo referencia a um demônio, pois estaria associando Israel com a demonologia presente nas culturas vizinhas. “A idéia de apaziguar a Azazel é indicada quando se considera um nome próprio”22. Os defensores dessa opinião consideram o bode para Azazel como ligado à expiação, por isso é incompatível relacioná-lo com Satanás. Portanto, os defensores dessa idéia consideram abominável identificar o bode para Azazel como um símbolo do demônio, pois segundo eles, o bode para Azazel é um perfeito símbolo de Cristo.


“Para Azazel” como uma Designação Geográfica


A terceira maior corrente da interpretação de “Azazel”, o vê como um local geográfico, para onde o bode seria levado. Azazel significaria “lugar do precipício” ou “precipício acidentado”. A Mishná comenta que o bode era atirado nesse local escabroso23. É certo que o bode emissário era levado para o deserto, mas essa hipótese apresenta um local específico no deserto.

Entre os que defendem essa idéia está Rashi que viveu durante a idade média de 1040 a 1105, e atualmente G. R. Driver24.


“Azazel” como um Termo Técnico

A última hipótese também apresenta poucos defensores. Essa idéia encara “Azazel” como um termo técnico que descreve “inteira eliminação”, ou “inteira remoção”, ou ainda “extirpação”, da culpa comunitária. Seus defensores, adeptos da hipótese documentária, crêem que a identificação do bode para Azazel como representante de um ser surgiu com o passar do tempo nos escritos judaicos. Logo, mitos e lendas foram desenvolvidos em torno dessa figura folclórica25. Hoffmann é um dos principais defensores dessa idéia.



CAPITULO II - FUNÇÃO DO BODE PARA AZAZEL NO DIA DA EXPIAÇÃO

 

O Dia da Expiação era a quinta festa religiosa do calendário hebraico. Mais precisamente ao décimo dia do mês de Tishri, o sétimo mês, ela era realizada. Essa festa marcava o término bem como o início do ano litúrgico em Israel. Era um dia de “santa convocação”, onde “todo homem” de Israel deveria aparecer “diante do SENHOR” (Êx 23:17). É unicamente no contexto desta festa que a figura enigmática do bode para Azazel aparece, aparentemente ele está relacionado com a expiação dos pecados de Israel.



O Conceito de Purificação

 O verbo Kipper, de onde vem o nome do Dia da Expiação (Yom haKippurîm), trás em seu significado tanto a idéia de “expiar”, como um pagamento, para perdoar o pecado, como também à idéia de “purificar”, limpar, o pecado já perdoado. O purificar aqui não tem a ver com higiene antes, é um conceito religioso de que os pecados perdoados eram transferidos para o santuário e o contaminavam.

Os sacrifícios oferecidos durante o ano tinham a função de expiar o pecado do pecador arrependido, e dessa forma seus pecados eram simbolicamente transferidos para o santuário, onde ficavam até o Dia da Expiação, quando finalmente esses pecados seriam purificados.


O Relacionamento de Azazel com a Expiação/Purificação

Alguns entendem justamente isso, que na Cruz, os papéis desempenhados por ambos os bodes foram cumpridos em Cristo30. Num primeiro momento, Cristo morreu por nós (função do primeiro bode); logo em seguida Ele carregou para longe nossas iniquidades (função do segundo bode).

No versículo 5, Azazel está implicitamente relacionado e é dito que os dois bodes são “para a oferta pelo pecado”. A questão aqui seria a impossibilidade de se considerar uma oferta para o pecado como sendo um símbolo do demônio. O texto é um tanto obscuro. Baruch A. Levine, no entanto, nos dá um interessante comentário: Não está inteiramente claro porque ambos os bodes, o bode emissário e o designado ‘para o SENHOR’, eram submetidos como para oferta pelo pecado. Talvez porque neste ponto a sorte ainda não tinha sido lançada para determinar qual bode deveria ser feito ‘para o SENHOR’ e qual ‘para Azazel’. Possivelmente, então, ambos eram oferta para o pecado. Os versos 9-10 explanam que somente o bode feito ‘para o SENHOR’ servia como uma verdadeira oferta pelo pecado.32

O versículo 10 também representa um desafio para a compreensão da função do segundo bode envolvido no Dia da Expiação. Ali nos é dito: “mas o bode sobre que cair a sorte para Azazel será apresentado vivo perante o SENHOR, para fazer expiação por meio dele e enviá-lo ao deserto para Azazel” (Lv. 16:10).

As palavras le khapper ‘alav, traduzidas aqui como “para fazer expiação por meio dele”, requerem na expiação o uso de sangue sacrifical. A definição dada de “expiação” envolve expiar mediante o oferecimento de um substituto. “Requeria-se a vida do animal sacrificado, simbolizada especificamente pelo seu sangue, em troca da vida do adorador”33. O intrigante, no texto, é que em momento algum o bode para Azazel era sacrificado, ele não era morto, e dessa forma não poderia fazer parte da expiação, que exigia morte substitutiva.

Os comentaristas bíblicos expressam diversas visões quanto a essas palavras, alguns deles as reconhecem como representando uso excepcional do significado da expiação. “O targum Jonathan traduz: ‘para expiar o pecado do povo, a casa de Israel’ nesse caso a preposição ‘alav ‘sobre ele’ refere ao povo, e não ao bode. Rashi observa que o verbo Kipper invoca confissão, não somente expiação, mas que esse verso poderia referir à confissão pronunciada ‘sobre’ o bode emissário, como prescrito no verso 21”34. Essa pode ser uma possível solução para a expiação “por Azazel”. Ele era simplesmente um conduto no ritual da expiação, e não fazia ativamente expiação. A tradução adotada pela ARA, não seria, portanto, a mais correta. A preposição ‘al, jamais tem um uso instrumental35. Igualmente errôneo seria traduzir a palavra como “por ele”, indicando que a expiação era feita em favor do bode. A tradução “sobre ele” se encaixaria melhor no texto considerando que, como já vimos, o bode para Azazel não participava da expiação, pois o ritual, sem exceções, exigia sangue. O Dia da Expiação era a purificação dos pecados já perdoados durante o ano que precisavam agora ser removidos do santuário. Sendo assim, o primeiro bode não perdoava pecados, mas os purificava (vs. 19), limpava do santuário. E o segundo, que não era sacrificado, levava embora esses pecados que já tinham sido perdoados (vs. 22).



A Necessidade do Sangue na Expiação/Purificação

O fato do sangue do segundo bode não ser derramado talvez seja o maior argumento a favor da compreensão de que o bode para Azazel não participava na expiação ativa. Todos os ritos do Dia da Expiação atribuíam um acentuado valor ao sangue, visto ser ele o elemento básico, o suporte da vida. A vida da carne está no sangue (ver Gn 9:4, 5).

Essa ideia era a base para o sacrifício, uma vida substituindo outra vida: “este sangue eu tenho dado a vós para fazer sobre o altar o rito de expiação por vossas vidas, pois é o sangue que faz expiação por uma vida” ou “que expia pela vida que está nele” (Lv 17:11). No Novo Testamento a idéia permanece. Se não houvesse derramamento de sangue, isto é, sacrifício, não poderia haver expiação de pecados: “... sem derramamento de sangue não há remissão” (Hb 9:22). 

 O contexto de Levítico 16 mostra que a expiação já havia sido realizada quando, finalmente, o bode para Azazel desempenha sua parte. “Havendo, pois, acabado de fazer expiação pelo santuário, pela tenda da congregação, e pelo altar, então, fará chegar o bode vivo” (v. 20). Nesse momento, o sangue do bode “para o Senhor”, já fora derramado como sacrifício expiatório pelos pecados do povo vs. 15 e pela contaminação do santuário, que era purificada. Nada mais precisa ser expiado nem purificado.

Tanto o perdão dos pecados quanto a purificação do santuário já foram feitas pelo sangue do primeiro bode. Sendo assim, a função do bode para Azazel é simplesmente “levar” os pecados já perdoados e removidos do santuário.

Os versos 21 em diante deixam claro que o ritual da expiação era executado sem o bode para Azazel e colocado posteriormente sobre ele a expiação feita com o primeiro bode.

 

CAPITULO III CRÍTICAS ÀS TEORIAS SOBRE O BODE PARA AZAZEL


Crítica a Palavra “Azazel” como um Termo Técnico 

No entanto, tomar a palavra “Azazel” apenas como um “termo”, destituído de personalidade, quebra o evidente paralelismo entre “YHWH” e “Azazel”. Em outras palavras, se “YHWH” é um ser pessoal e se “Azazel” está em paralelo com ele, o segundo também deveria ser um ser pessoal, interpretá-lo simplesmente como um “termo” não cabe dentro do paralelismo.


Crítica a Palavra “Azazel” como uma designação geográfica

 Embora a tradição judaica seja forte na defesa da palavra “Azazel” como um local geográfico, essa interpretação apresenta alguns problemas. A tradição mishnáica, de onde vem à principal fonte da palavra “Azazel” como um “local”, é tardia. Ela não pode expressar, com certeza, o entendimento desta palavra na época da composição de Levítico.

Talvez a tradição judaica adotou essa interpretação com o propósito de refutar a crença de que os judeus ofereceram sacrifício a demônios (Lv. 17:27)39.

 Na defesa dessa hipótese é apresentado um argumento filológico, onde se relaciona a palavra “Azazel” com a palavra árabe “’azâzu”, que significa terra escarpada. As duas palavras teriam um grau de parentesco e assim a palavra “Azazel” teria um significado semelhante à palavra árabe. Segundo Tawil, o argumento apresenta dificuldades filológicas40. A relação não oferece consistência. 

Outro argumento contra a interpretação que vê a palavra “Azazel” como um local geográfico, é o paralelismo existente entre as expressões “para YHWH” e “para Azazel”. Se “YHWH” indica um ser pessoal “Azazel” também deve indicar, se considerarmos a segunda expressão como qualquer coisa que não indique personalidade, inclusive um local geográfico, o paralelismo é quebrado.


Crítica a Interpretação do Bode Azazel como um Símbolo de Cristo

Basicamente, o primeiro ponto que milita contra essa hipótese é o paralelismo incompleto que se forma quando não tomamos Azazel como um ser pessoal que está em oposição a YHWH. Nesse caso “Azazel” seria uma ação e não um ser pessoal.

A interpretação que vê o bode para Azazel como um símbolo de Cristo esbarra em outro problema, a função de ambos é diferente. Faltam elementos para ver no bode para Azazel um tipo de Cristo. O principal ponto que podemos destacar é o fato de que toda a obra de Cristo em perdoar os pecados, e ministrar no santuário celestial, é baseada no derramamento de seu sangue. Se seu sangue não fosse derramado, Cristo não poderia desempenhar nenhuma de suas funções como agente da expiação. A função de Cristo como salvador, exige necessariamente seu sacrifício (Hb 9:22). Porém, como já vimos anteriormente, o bode para Azazel não era sacrificado e, por isso, sua função tipológica não estava ligada a expiação, e sim a eliminação final dos pecados.

Não existe nenhuma evidência bíblica que indique ambos os bodes do Dia da Expiação como representantes da mesma obra, mas em etapas diferentes. Se assim fosse não haveria necessidade de distingui-los, em um “para YHWH” e outro “para Azazel”. Ademais, o sacrifício diário, que também era feito como um símbolo do sacrifício de Cristo, não necessitava ser dividido em duas etapas. A base do argumento que aponta o bode para Azazel, como um símbolo de Cristo, parece ser muito mais homilética do que exegética. As pressuposições teológicas e as traduções tendenciosas do texto massorético contribuíram para essa interpretação duvidosa.


A Interpretação do Bode para Azazel como o Epíteto de um Demônio

Essa hipótese se apresenta como a mais bem fundamentada. A literatura judaica antiga traz Azazel como um ser demoníaco ou um anjo caído. Ela não é totalmente conclusiva, mas traz um forte apoio a interpretação que vê o bode para Azazel como um símbolo do demônio. A evidência externa aponta ainda para um conceito comum nas religiões do antigo oriente médio, a crença de que o deserto era um lugar de morada dos demônios. Essas evidências coadunam com o contexto bíblico. O presente estudo não pretende ser conclusivo, mas em vista as evidências que foram levantadas essa parece ser a hipótese mais plausível.

 Azazel como um símbolo do demônio, então o demônio teria participação na salvação. Em resposta a essa afirmativa, conforme já discutido no capitulo 2, o bode para Azazel não participava da expiação, mas sua função estava ligada a eliminação dos pecados. A pergunta que surge então é a seguinte: Onde e quando a figura antitípica do bode para Azazel e do ritual da eliminação é encontrada?

O contexto de Levítico 16 é o Dia da Expiação que é também o dia do juízo para o povo de Israel. Os pecados previamente confessados e perdoados eram expiados e purificados pelos animais sacrificados. Após o término de todo sacrifício, o bode para Azazel era introduzido e eliminava esses pecados. Ele era um símbolo do verdadeiro culpado pelos pecados que devia recebê-los de volta.

 Na base do texto bíblico, a Igreja Adventista do Sétimo Dia vê no bode para Azazel um símbolo de Satanás. A escatologia adventista interpreta o momento em que o bode para Azazel é enviado ao deserto como um tipo que encontrará seu antítipo por ocasião do milênio de Apocalipse, onde Satanás é banido para a terra desolada (Ap. 20:1-3), e finalmente destruído após o milênio42. Como o pecador arrependido foi liberto da condenação final do pecado, através da morte e ministério de Cristo, toda conseqüência desses pecados será levada de volta para seu originador (Satanás).

Dessa forma, o bode para Azazel é visto como uma representação do ato escatológico de Deus em levar os pecados perdoados de volta para seu originador, para que esse sofra por eles, e seja finalmente destruído.




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