1 - https://www.bibliaonline.com.br/acf/ez/33/18+
¹² Tu, pois, filho do homem, dize aos filhos do teu povo: A justiça do justo não o livrará no dia da sua transgressão; e, quanto à impiedade do ímpio, não cairá por ela, no dia em que se converter da sua impiedade; nem o justo poderá viver pela sua justiça no dia em que pecar.
¹³ Quando eu disser ao justo que certamente viverá, e ele, confiando na sua justiça, praticar a iniquidade, não virão à memória todas as suas justiças, mas na sua iniquidade, que pratica, ele morrerá.
¹⁴ Quando eu também disser ao ímpio: Certamente morrerás; se ele se converter do seu pecado, e praticar juízo e justiça,
¹⁵ Restituindo esse ímpio o penhor, indenizando o que furtou, andando nos estatutos da vida, e não praticando iniquidade, certamente viverá, não morrerá.
¹⁶ De todos os seus pecados que cometeu não se terá memória contra ele; juízo e justiça fez, certamente viverá.
Ezequiel 33:12-16
2 - https://www.bibliaonline.com.br/acf+nvi/mt/5
¹⁹ Qualquer, pois, que violar um destes mandamentos, por menor que seja, e assim ensinar aos homens, será chamado o menor no reino dos céus; aquele, porém, que os cumprir e ensinar será chamado grande no reino dos céus.
²⁰ Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no reino dos céus.
Mateus 5:19,20
²¹ Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! Entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus.
²² Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? E em teu nome não expulsamos demônios? E em teu nome não fizemos muitas maravilhas?
²³ E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade.
²⁴ Todo aquele, pois, que escuta estas minhas palavras, e as pratica, assemelhá-lo-ei ao homem prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha;
²⁵ E desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquela casa, e não caiu, porque estava edificada sobre a rocha.
²⁶ E aquele que ouve estas minhas palavras, e não as cumpre, compará-lo-ei ao homem insensato, que edificou a sua casa sobre a areia;
²⁷ E desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquela casa, e caiu, e foi grande a sua queda.
Mateus 7:21-27
Vejam que as palavras de Jesus falam em justiça como prática dos mandamentos, que nunca conheceu determinado grupo porque são praticantes de iniquidade, e que a obediência/obras é o que diferencia uma pessoa prudente e uma imprudente. Nada de graça sem obras aqui, nem mesmo no contexto de salvação.
3 - Um pouco do livro de Lucas Banzoli (Calvinismo ou Arminianismo - pgs. 381-392 - Analisando os "textos calvinistas"- vou fazer vídeos do livro):
• Analisando os “textos calvinistas” Como é a prática deste livro, não basta apenas mostrarmos as provas bíblicas do nosso lado, é preciso também desfazer os argumentos apresentados do lado deles. Calvinistas também tem textos que, segundo eles, “provam” que o crente não pode perder a salvação, e se baseiam nestes textos quando algum arminiano tenta provar o contrário. Curiosamente, nenhum dos textos apresentados por eles são claros e explícitos como são os apresentados pelos arminianos.
É preciso mais que uma leitura nos “textos calvinistas” para chegarmos às conclusões apresentadas por eles. O principal defeito nos argumentos deles e aquilo que refuta todos os argumentos contrários de uma só vez é que todos eles fazem presumir a fidelidade do homem a partir da fidelidade de Deus. Isso é mais do que falso: isso é falacioso. É por meio deste raciocínio não deduzível nos textos que os calvinistas concluem que não podemos perder a salvação.
Há sempre uma inferência que todo calvinista faz na hora de apresentar os textos do lado deles, que é uma inferência não dedutiva nos próprios textos, mas uma que é meramente o reflexo de suas próprias convicções teológicas, e em parte pela interpretação de Calvino. Para citarmos um exemplo prático, vejamos este texto:
“Nunca o deixarei, nunca o abandonarei” (Hebreus 13:5)
Um arminiano lê um texto como este e conclui que Deus nunca nos deixará nem nos abandonará. Um calvinista lê um texto como este e conclui que Deus nunca nos deixará nem nos abandonará, e que nós também nunca deixaremos nem abandonaremos a Deus. Em termos simples, o arminiano interpreta o texto como o texto diz, enquanto o calvinista coloca no texto o que ele quer. A conclusão do arminiano, a partir disso, é que a fidelidade de Deus não implica necessariamente na fidelidade do homem, enquanto o calvinista inclui a fidelidade do homem em textos que somente falam da fidelidade de Deus.
Vejamos este outro texto:
“Por essa causa também sofro, mas não me envergonho, porque sei em quem tenho crido e estou bem certo de que ele é poderoso para guardar o meu depósito até aquele dia” (2ª Timóteo 1:12)
O arminiano lê este texto e conclui que Deus tem poder para guardar o depósito de Paulo até aquele dia. O calvinista lê este texto e conclui que Deus tem poder para guardar o depósito de Paulo até aquele dia e que Paulo necessariamente seria fiel e estaria salvo até aquele dia, para receber seu depósito. De um lado vemos a afirmação bíblica (de Deus tendo poder para guardar uma recompensa), e do outro lado temos uma suposição humana (de alguém necessariamente perseverando até o fim).
Suponhamos, por exemplo, que a taça da Copa Libertadores da América do ano que vem esteja em minha posse e que eu a entregarei ao time que conquistar o título, e que, diante das críticas, assegurasse ao presidente do São Paulo F. C. que “eu sou plenamente capaz de guardar a taça até a final do torneio”. Dessa afirmação apenas se deduz que eu guardarei bem a taça, e não que o São Paulo F. C. irá necessariamente ser o campeão674. A fidelidade de Deus é sempre incondicional; a perseverança do homem, contudo, é condicional.
Vejamos também este texto:
“Todo o que o Pai me der virá a mim, e quem vier a mim eu jamais rejeitarei” (João 6:37)
Arminianos leem este texto e concluem que Deus jamais rejeita quem vem a ele. Calvinistas leem este texto e concluem que Deus jamais rejeita quem vem a ele e que o homem também jamais rejeita a Deus. Mais uma vez, calvinistas leem mais do que o texto diz. Eles praticam frequentemente a eisegese, que é quando se força o texto para fazer com que uma passagem diga o que na verdade não se acha ali, e não exegese, que é quando se extrai o significado de um texto mediante legítimos métodos de interpretação.
Um típico exemplo de eisegese é essa declaração de Geisler, que reflete o parecer de muitos calvinistas:
“Todos os crentes estão em Cristo (2Co 5.17; Ef 1.4) e são parte de seu corpo (ICo 12.13). Por conseguinte, se alguém fosse separado de Cristo, parte de Cristo seria separada de si mesmo!”675
Sim, todos os crentes estão em Cristo, e são parte de seu corpo. Isso é fato. O que não é fato e que é fruto de pura especulação é que, ao alguém ser separado de Cristo, partes do corpo de Cristo se separem de si mesmo. Isso é tão absurdo e patético quanto seria caso afirmássemos que, quando um novo convertido passa a crer e é salvo, uma nova parte corporal é inserida ao corpo de Cristo em um lugar que não existia antes. Isso, além de trazer ao campo literal algo originalmente alegórico, ainda consiste no mais puro método de eisegese conhecido pelo homem, levando uma argumentação boba para o campo do reductio ad absurdum, como se isso constituísse um argumento.
Calvinistas também costumam citar o texto de 1ª João 2:18-19, que diz:
“Filhinhos, esta é a última hora; e, assim como vocês ouviram que o anticristo está vindo, já agora muitos anticristos têm surgido. Por isso sabemos que esta é a última hora. Eles saíram do nosso meio, mas na realidade não eram dos nossos, pois, se fossem dos nossos, teriam permanecido conosco; o fato de terem saído mostra que nenhum deles era dos nossos” (1ª João 2:18-19)
Porém, da premissa de que aqueles indivíduos não eram verdadeiros cristãos e deixaram a Igreja não segue a conclusão de que todos os que deixam a Igreja nunca foram verdadeiros convertidos. João nem ao menos estava falando de todas as pessoas, mas de um grupo específico, os “anticristos” (v.18), que, naquele contexto, se aplicava aos gnósticos que se infiltravam entre os cristãos passando-se por cristãos, quando descriam nos pontos mais fundamentais da fé. Nem de longe é um texto universal, que se aplica a qualquer pessoa que não permanece na Igreja.
Outro texto citado por eles é o de Romanos 8:38-39, que diz:
“Pois estou convencido de que nem morte nem vida, nem anjos nem demônios, nem o presente nem o futuro, nem quaisquer poderes, nem altura nem profundidade, nem qualquer outra coisa na criação será capaz de nos separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Romanos 8:38-39)
Novamente a lente de aumento calvinista entra em ação e onde o texto diz que nada nos separará do amor de Deus eles colocam como sendo “nada nos separará de Deus”. Isso não é mais do que uma adulteração no texto bíblico. Logicamente, nada nos pode separar do amor de Deus. O amor de Deus é infinito e universal, é para todos e incondicional, é eterno e ilimitado. Nada poderá nos separar do amor dele por nós. Mesmo se perdermos a salvação e ainda que caiamos em recorrentes pecados, Deus continuará nos amando, da mesma forma que ele ama o mundo todo (Jo.3:16), até mesmo aqueles que não são “eleitos”. Do amor de Cristo, nada os separa. De uma correta interpretação, o calvinismo os separa.
John Feinberg é outro que defende que o crente não pode perder a salvação, e ainda diz que encontra “abundante evidência bíblica” para isso, citando versículos clichês que em absolutamente nada indicam isso, a não ser sob a ótica da eisegese calvinista, onde se aumenta um texto e inclui nele inferências que o calvinista quer encontrar ali. Ele afirma:
“Encontro abundante evidência bíblica segundo a qual a apostasia é impossível. Passagens como João 6:37-39: 10:28-30: Romanos 8:28-30; 1ª Coríntios 1:8-9; Filipenses 1:6; e 1ª Pedro 1:5-9 parecem suportar a doutrina da segurança do crente”676
Para não dizer que não citamos os textos mencionados por Feinberg, comecemos pelo trecho citado do evangelho de João:
“Todo o que o Pai me der virá a mim, e quem vier a mim eu jamais rejeitarei. Pois desci do céu, não para fazer a minha vontade, mas para fazer a vontade daquele que me enviou. E esta é a vontade daquele que me enviou: que eu não perca nenhum dos que ele me deu, mas os ressuscite no último dia” (João 6:37 39)
São tantas as inferências calvinistas neste texto que podemos até traçar um quadro comparativo entre o que a Bíblia diz e como o calvinista lê:
É necessário acrescentar que nenhum arminiano crê que Deus quer que alguém que veio a Cristo se perca. Jesus estava plenamente certo quando disse que Deus não quer que ninguém se perca. Mas daí não se segue a conclusão de que efetivamente ninguém se perde. Isso é concluir no vazio, sem o apoio de premissas básicas de fundamento. O testemunho bíblico unânime é que pessoas se perdem, mesmo sem ser da vontade de Deus:
“Desejaria eu, de qualquer maneira a morte do ímpio? Diz o Senhor Jeová; não desejo, antes, que se converta dos seus caminhos e viva?” (Ezequiel 18:23)
“Pois não me agrada a morte de ninguém; palavra do Soberano Senhor. Arrependam-se e vivam!” (Ezequiel 18:32)
“Deus não quer a morte do pecador, mas, antes, que se converta e viva” (Ezequiel 33:11)
“O Senhor não demora em cumprir a sua promessa, como julgam alguns. Pelo contrário, ele é paciente com vocês, não querendo que ninguém pereça, mas que todos cheguem ao arrependimento” (2ª Pedro 3:9)
“Isso é bom e agradável perante Deus, nosso Salvador, que deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade” (1ª Timóteo 2:3,4)
Em síntese, da premissa que diz que Deus não quer que alguém se perca não se segue a conclusão de que tal pessoa não irá se perder. Jesus também não queria que Jerusalém fosse destruída (Mt.23:37). Ele chegou até a chorar sobre ela (Lc.19:41). Mas ela foi destruída assim mesmo (Mt.23:38).
Feinberg também citou o texto de João 10:28-29, que diz:
“Eu lhes dou a vida eterna, e elas jamais perecerão; ninguém as poderá arrancar da minha mão. Meu Pai, que as deu para mim, é maior do que todos; ninguém as pode arrancar da mão de meu Pai” (João 10:28-29)
Mais uma vez, o problema do calvinista é enxergar neste texto a impossibilidade de que as próprias pessoas, por livre e espontânea vontade, o abandonem. O texto diz que ninguém poderá tirá-las do Pai, não fala nada sobre se aquelas próprias pessoas podem ou não deixá-lo. A conclusão de que as próprias pessoas também não podem deixá-lo fica por conta da especulação calvinista, e não do texto bíblico. O fato de ninguém poder tirar algo da mão de alguém de modo algum implica em este algo não poder fazer nada.
Suponhamos que eu carregue um labrador no colo e diga a todo mundo que ninguém pode tirá-lo de mim. Isso significa que nenhuma outra pessoa pode vir até mim e arrancá-lo da minha mão. Mas isso não significa que eu estou impedindo o labrador de, por si mesmo e por livre e espontânea vontade, sair do meu colo. Se eu fizesse isso, não estaria cuidando dele, mas dominando-o. Deus não é um ditador celestial que impede que seus filhos saiam de seus braços, e sim um pai amável que os protege das ameaças externas, mas que respeita a livre decisão de cada filho.
Quando alguém deixa os braços de Cristo, não é porque outra pessoa a arrancou das mãos do Pai, mas porque o próprio indivíduo optou pelo outro caminho. É digno de nota que neste mesmo Evangelho de João, poucos capítulos adiante, vemos Jesus dizendo isso:
“Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o agricultor. Todo ramo que, estando em mim, não dá fruto, ele corta; e todo que dá fruto ele poda, para que dê mais fruto ainda. Vocês já estão limpos, pela palavra que lhes tenho falado. Permaneçam em mim, e eu permanecerei em vocês. Nenhum ramo pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira. Vocês também não podem dar fruto, se não permanecerem em mim. "Eu sou a videira; vocês são os ramos. Se alguém permanecer em mim e eu nele, esse dá muito fruto; pois sem mim vocês não podem fazer coisa alguma. Se alguém não permanecer em mim, será como o ramo que é jogado fora e seca. Tais ramos são apanhados, lançados ao fogo e queimados. Se vocês permanecerem em mim, e as minhas palavras permanecerem em vocês, pedirão o que quiserem, e lhes será concedido” (João 15:1-7)
"...todo ramo que estando em mim não dá fruto, ele corta"
"...permaneçam em mim e eu permanecerei em vocês"
"...vocês também não podem dar fruto, se não permanecerem em mim"
"...se alguém permanecer em mim"
"...se alguém não permanecer em mim, será como o ramo que é jogado fora"
"...tais ramos são apanhados, lançados ao fogo e queimados"
Assim, o próprio Senhor Jesus esclareceu que, embora ninguém de fora possa arrebatar dele as suas ovelhas, as ovelhas podem se separar de Cristo por sua própria conta, não permanecendo nele e sendo por fim queimadas. Como no exemplo do navio, ninguém de outro navio pode entrar no navio de Cristo para tirar à força os crentes que ali estão e lançá-los ao mar, mas os próprios crentes podem por sua própria conta e liberdade se lançarem e se perderem. É como disse o pastor Ciro Zibordi:
“Quem quiser pode ‘navegar’ em outras ‘embarcações’ ou ‘canoas furadas’. Contudo, é melhor permanecer no ‘navio da salvação’, em Cristo, pois a segurança da salvação é para quem nEle permanecer (Jo 10.28). Ninguém pode arrebatar, raptar, o crente da mão de Jesus, a menos que o próprio crente negue a sua fé, seguindo a falsos doutores (2 Tm 4.1-5)”677
Outro texto mencionado por Feinberg foi o de 1ª Pedro 1:8-9, que diz:
“Mesmo não o tendo visto, vocês o amam; e apesar de não o verem agora, crêem nele e exultam com alegria indizível e gloriosa, pois vocês estão alcançando o alvo da sua fé, a salvação das suas almas” (1ª Pedro 1:8-9)
Não sei onde Feinberg viu neste texto a garantia de que a salvação não pode ser perdida, ainda mais quando o texto diz que eles “estão alcançando” o alvo da fé, e não que “já alcançaram”. Todos os versículos que mostramos anteriormente provam que a finalização deste processo não é incondicional, e que o homem pode perder a salvação, caso não persevere até o fim.
Feinberg também fez menção ao texto de Filipenses 1:6, que diz:
“Tendo por certo isto mesmo, que aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até ao dia de Jesus Cristo” (Filipenses 1:6)
Presumir a fidelidade e perseverança incondicional do homem à luz de um texto que meramente diz que é Deus quem começa e aperfeiçoa a obra é desonestidade intelectual. Paulo estava dizendo que a glória e o mérito é todo de Deus, é ele quem inicia a salvação e é ele quem nos aperfeiçoa. Ele não garante que o homem não possa rejeitar a Deus ou recusar a obra dele em sua vida. Vimos no capítulo 5 que a graça não é irresistível e que o homem pode resistir a Deus678. O texto garante a parte de Deus, não garante a parte do homem.
Por fim, o último texto citado por Feinberg na defesa de seu calvinismo de cinco pontos foi o de 1ª Coríntios 1:8-9, que, semelhante à construção do texto anterior, diz:
“Ele os manterá firmes até o fim, de modo que vocês serão irrepreensíveis no dia de nosso Senhor Jesus Cristo. Fiel é Deus, o qual os chamou à comunhão com seu Filho Jesus Cristo, nosso Senhor” (1ª Coríntios 1:8-9)
O erro na interpretação deste texto é o mesmo do anterior. O texto diz que “fiel é Deus” (v.9), e não que o homem é fiel. A fidelidade de Deus não presume a fidelidade do homem. É Deus que nos mantém firmes, mas o homem não é um robô passivo, ele pode resistir a Deus. Se o homem permanece firme é por causa da fidelidade de Deus, e se ele não permanece firme é por culpa de sua própria infidelidade. Do início ao fim é por Deus que estamos firmes, e não por nós mesmos.
Isso, obviamente, não significa que nós não possamos ser infieis mesmo em vista da fidelidade de Deus. É isso o que Paulo diz em 2ª Timóteo 2:12-13:
“Se o negamos, ele também nos negará; se somos infiéis, ele permanece fiel, pois não pode negar-se a si mesmo” (2ª Timóteo 2:12-13)
O homem que se aparta de Deus é infiel, mas o próprio Deus permanece fiel. A culpa da separação não foi de Deus, foi do homem. Deus permaneceu fiel o tempo todo, mesmo vendo a infidelidade do homem. Paulo diz que Deus permanece fiel mesmo com os que se tornaram infieis, e que ele, exatamente por ter sido fiel, nos negará, porque nós o negamos. Deus não pode ser infiel a quem é infiel com ele, mas ele pode negar a quem o nega, e quem o nega é quem é infiel.
Desta forma, vemos que a fidelidade de Deus não implica na fidelidade do homem. O homem pode ser infiel mesmo com Deus permanecendo fiel, e, ao tornar-se infiel, nega a Deus e é negado por ele, tendo por fim a condenação. Este é o mesmo princípio que o Senhor Jesus revelou em Mateus 10:33, ao dizer:
“Mas aquele que me negar diante dos homens, eu também o negarei diante do meu Pai que está nos céus” (Mateus 10:33)
Desde o Antigo Testamento este conceito já era vigente. Azarias já dizia:
“Escutem-me, Asa e todo o povo de Judá e de Benjamim. O Senhor está com vocês quando vocês estão com ele. Se o buscarem, ele deixará que o encontrem, mas, se o abandonarem, ele os abandonará” (2ª Crônicas 15:2)
Deus é sempre fiel, mas o homem pode se tornar infiel e abandonar ao Senhor, sendo, por isso, abandonado por ele. Este abandono divino não é infidelidade, mas é uma consequencia do pecado. A infidelidade, que é o “divórcio”, foi praticada pelo homem. Deus apenas respeita a decisão do homem e permite que ele viva longe dele, se assim é o desejo do homem, que deverá pagar as consequencias naturais de suas próprias escolhas, por ter abandonado a Deus.
O Espírito Santo é o penhor (garantia) de que Deus será fiel conosco. Ele é o selo da nossa redenção (Ef.4:30). Mesmo assim, podemos entristecer (Ef.4:30) e até mesmo extinguir o Espírito Santo das nossas vidas (1Ts.5:19). O selo garante as promessas de Deus a respeito do homem, e não a resposta do homem às promessas de Deus. Como já foi dito, Deus é poderoso para cumprir tudo aquilo que ele promete aos seus santos e para guardar o galardão até aquele dia, mas o homem pode tornar-se infiel mesmo com Deus sendo fiel para com ele.
Infelizmente, calvinistas moldam as passagens que falam da fidelidade da parte de Deus para tentar incluir nelas a ideia de que os homens também serão fieis. Deus não prometeu cumprir a sua parte e forçar o homem a cumprir a dele. Se fosse assim, seria impossível alguém se tornar infiel, como Paulo disse (2Tm.2:12-13). Deus cumpre a parte dele, mantém sua palavra e fidelidade, mas o homem continua livre para aceitar ou rejeitar a operação de Deus em sua vida, para se arrepender ou resistir ao arrependimento (Ap.2:3-5; 2:16; 2:21-22; 3:3), para ser fiel ou infiel (2Tm.2:12-13), para perseverar ou cair (Hb.6:4-6; Gl.5:4).
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