https://www.youtube.com/watch?v=GUOzWoa1OCc
Adão e Eva realmente existiram! | Entrevista para o Brasil com o Dr. Craig
(Adão e Eva foram pessoas reais ou apenas figuras simbólicas? 🤔 Nesta entrevista profunda e esclarecedora, o Dr. William Lane Craig responde às principais dúvidas levantadas no Brasil sobre seu livro Em Busca do Adão Histórico, enfrentando rumores, mal-entendidos e críticas comuns na internet.
Ao longo da conversa, Craig explica o que realmente significa chamar Gênesis 1–11 de “mito-história”, defende a inerrância bíblica, afirma com clareza a historicidade de Adão e Eva 🧬📖 e mostra por que essa leitura não enfraquece, mas fortalece a autoridade das Escrituras. Ele também esclarece sua posição sobre ciência, dilúvio, milagres e o uso do Antigo Testamento no Novo Testamento, especialmente em Romanos 5.)
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Olá a todos, meu nome é Leandro Vilassa Borges. Eu sou diretor regional de
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núcleos do Fé Razoável ou Rism Faith aqui no Brasil. E eu tenho algumas
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questões que foram levantadas por alguns de nossos diretores e por pessoas aqui do nosso querido país. E nós estamos
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recebendo o Dr. William Lan Craig. Ele vai responder algumas dessas perguntas,
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nos ajudar a esclarecer muitas coisas que ele diz em seu livro chamado Em Busca do Adão Histórico, o qual ainda
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nós não temos traduzido para o português. Então, essa é uma oportunidade para entendermos melhor o
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que está sendo dito em seu livro e também aproveitar para tirar algumas dúvidas que têm sido levantadas por
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algumas comunidades aqui no Brasil, especialmente na internet. Assim, desde
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já te agradeço, Dr. Craig, por essa entrevista, pelo seu tempo. É um privilégio ter o Senhor aqui. E como o
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senhor já sabe, nós vamos conversar sobre o Adão, o Adão histórico. E
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acredito que essa é uma grande oportunidade para nós tirarmos algumas dúvidas e falar um pouco mais daquilo
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que o Senhor está tratando em seu livro, uma vez que nós não temos a tradução dele para o português aqui do Brasil.
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Vamos então ter esse bate-papo sobre esse assunto que é tão interessante.
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Eu sou muito grato, Leandro, por ter esta oportunidade hoje. Eu acho que
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quando você tem uma situação em que o livro não está disponível em português,
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o resultado são rumores mal entendidos e até deturpação do conteúdo do livro. E
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por isso estou muito feliz e grato pela chance de esclarecer exatamente qual é a
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proposta que estou oferecendo. O senhor tem toda a razão, Dr. Craig.
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Muitos mal entendidos ocorrem aqui, especialmente na internet. E é por isso
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que tenho interesse em fazer todas essas perguntas. Pois bem, sem mais demora,
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vamos começar com a primeira. Dr. Craig, o senhor acredita na inerrância bíblica?
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E o que exatamente o senhor entende por inerrância, considerando os gêneros literários e a intenção do autor?
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Em meu primeiro volume da minha teologia filosófica sistemática, no tópico sobre
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a Sagrada Escritura, eu articulo e dou uma defesa robusta da doutrina da
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inerrância bíblica. Eu creio que a doutrina da inerrância bíblica é baseada
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em segundo a Timóteo 3:16, que diz: "Toda a Escritura é inspirada por Deus e
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é útil para o ensino, para a repreensão, para corrigir e para treinar em
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justiça." Então ali os benefícios teológicos e pastorais da Escritura são
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descritos. Ela é útil para ensinar a doutrina cristã e para a prática cristã.
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Assim sendo, a inerrância bíblica é então a doutrina de que a escritura é
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verdadeira em tudo o que ela ensina. Agora, essa é uma definição sutil, pois
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levanta a seguinte questão sobre qualquer passagem específica da Escritura. O que esta passagem está
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tentando ensinar? E para responder a essa pergunta, o intérprete bíblico tem que usar os
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princípios corretos de hermenêutica ou interpretação bíblica. E isso incluirá,
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em primeiro lugar, determinar o gênero literário da peça de literatura que ele
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está tentando interpretar. Ora, a Bíblia é uma coleção de uma
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grande variedade de gêneros literários. Por exemplo, temos poesia nos Salmos.
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Temos biografia nos Evangelhos, temos literatura epistolar nas cartas de
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Paulo, temos o apocalíptico judaico no livro de Apocalipse, temos escrita
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histórica no livro de Atos e assim por diante. interpretar todos esses
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diferentes tipos de literatura pelos mesmos princípios, seria um erro
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hermenêutico grave, seria um erro em particular interpretar todos esses
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diferentes tipos de literatura de forma literal. Por exemplo, quando o salmista
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diz que as árvores do bosque batam palmas diante do Senhor, ele não está
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ensinando botânica. O salmista não acredita que as árvores tenham mãos. Ele
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está escrevendo poesia, que é frequentemente figurativa em sua linguagem. Similarmente, quando o livro
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de Apocalipse diz que haverá um dragão vermelho que varrerá 1/3 das estrelas do
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céu com sua cauda, não está ensinando astronomia. A literatura apocalíptica judaica é
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caracterizada por rico simbolismo e metáfora. A questão então é quando
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chegamos a Gênesis 1 a 11, qual é o gênero literário desta peça de
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literatura? Todos os estudiosos do Antigo Testamento
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reconhecem que os primeiros 11 capítulos de Gênesis, a chamada história primeva,
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se apartam das narrativas patriarcais que começam no capítulo 12. E a questão
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é então, que tipo de literatura é Gênesis 1 a 11? E essa será uma grande
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parte do meu livro, fazer uma análise do gênero literário desses capítulos para
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determinar o que eles estão nos ensinando, quais são nossos compromissos bíblicos como cristãos que creem na
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Bíblia. Bem, Dr. Craig, isso esclarece muito e é bastante importante. O que o senhor está
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dizendo, se eu entendi bem, é que a escritura é verdadeira em tudo o que ensina. E os gêneros, nós temos que ser
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muito, muito específicos. Nós temos que prestar muita atenção aos gêneros literários de cada texto, de cada livro,
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para que possamos entender bem, para que possamos compreender bem o que o texto
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quer dizer. OK? Muito obrigado por sua resposta e vamos então à próxima
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pergunta, por favor. É comum algumas pessoas entenderem mito
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como uma mentira? Isso acontece aqui no Brasil. em que a palavra mito é comumente entendida como algo que não é
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verdade. E quando o Senhor descreve Gênesis 1 a 11 como mito história, eu
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gostaria de saber o que o Senhor está afirmando e o que o Senhor não está afirmando.
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Trata-se de uma mentira ou é diferente disso?
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A palavra mito é um termo vastamente mal interpretado, usado em uma grande
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diversidade de formas. Eu utilizo a palavra no sentido em que ela é adotada
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por folcloristas ou classicistas que fazem a distinção entre mitos, lendas e
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fábulas. Por exemplo, o folclorista ou classicista entende
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esse tipo de literatura da seguinte forma: Mitos são narrativas sagradas
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tradicionais que tentam explicar instituições e realidades presentes ao
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autor e seu público ao fundamentá-las em eventos ocorridos no passado primordial.
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E note que essa definição não diz nada sobre a verdade ou falsidade dessas
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narrativas. é um tipo de literatura que tenta fundamentar realidades presentes
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numa cultura, em eventos no passado pré-histórico. E eu acho claro, ao olhar
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Gênesis 1 a 11, que este é de fato o propósito desses capítulos. O propósito
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da história primeva é uma espécie de prefácio para o Pentateuco como um todo
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e para o livro de Gênesis em particular, que tenta fundamentar várias realidades
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e instituições judaicas no passado primordial profundo. Coisas como a
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origem do mundo, a origem da humanidade, a origem da observância do sábado. E
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assim, eu acredito que esses capítulos exibem as semelhanças de família do
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mito, conforme o folclorista ou classicista entende esse termo. Sabe, Dr. Craig? Algumas pessoas que
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conversam aqui no Brasil me perguntaram por quê? Porque o Dr. Craig escolheu esta palavra? Porque ele não escolheu
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outra palavra? Pois há alguns autores que estão usando outros tipos de palavras ou expressões para dizer
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exatamente a mesma coisa. Sim, exatamente sim. A perspectiva é muito
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comum entre os comentaristas e estudiosos do Antigo Testamento, inclusive os conservadores. Então, por
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exemplo, Ji Packer fala de história dramática, Gordon Wenham fala de protohistória,
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Jack Collins fala em história de cosmovisão, Tramper Longman a denomina
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história teológica. John Walton se refere à história imagética.
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Todos eles estão tentando rotular a mesma coisa. Eu adoto o rótulo que foi
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dado a esse tipo de literatura pelo grande assriólogo Torquil Jacobson, que
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propôs mito história como uma descrição para este tipo de literatura que descreve pessoas históricas reais e
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eventos na linguagem figurativa e muitas vezes metafórica do mito. E quanto à
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razão pela qual decidi adotar esse rótulo, é porque eu acredito que isso se conecta melhor com os estudos de
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folcloristas e classicistas sobre mito, enquanto esses outros rótulos não se
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conectam com essa disciplina acadêmica. E eu também o faço por respeito à igreja cristã. Eu não desejo usar eufemismos
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que possam induzir ao erro. Eu quero ser direto com as pessoas e dizer o que é.
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Supere a questão do rótulo, compreenda o seu significado e você verá que isso é
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afirmado amplamente por estudiosos do Antigo Testamento hoje. E é por isso que
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adoto essa nomenclatura em particular. Se alguém não gosta da nomenclatura,
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está livre para rejeitá-la. O que é importante é a resposta para a seguinte pergunta: este é o tipo de literatura de
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Gênesis 1 a 11? Obrigado, Dr. Craig. Então, para mim
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fica bem claro que quando lemos a palavra mito em seu livro, nós não estamos lendo ela no sentido de algo
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mentiroso, ou seja, não estamos falando daquilo que é uma falsidade.
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Pois bem, e quanto a Adão e Eva, Dr. Craig, o que o Senhor pode nos dizer sobre eles? Para o Senhor, eles são
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pessoa pessoas históricas. E se sim, e que sentido histórico? são o primeiro
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casal, a origem de uma população ou um ancestral universal, por exemplo, e qual
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foi o caminho hermenêutico que o levou a essa conclusão? Sim, eu escrevi este
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livro como uma defesa vigorosa da historicidade de Adão e Eva, como o
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casal fundador da raça humana neste planeta. Isto é, todo ser humano que já
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viveu é descendente deste casal original. Portanto, estou defendendo que
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eles são históricos, como também estou defendendo a ancestralidade comum
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universal da raça humana. Quanto ao que me levou a isso hermeneuticamente, foi primeiramente uma
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análise da própria história primeva, Gênesis 1 a 11. Pareceu-me que esta
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sessão de Gênesis exibe muitas das semelhanças de família do mito que eu já
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mencionei, mas estes capítulos também são estruturados por um padrão de
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genealogias de descendência de antepassados. E essas genealogias foram comparadas à
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espinha dorsal da história primitiva. Isso ordena essas histórias primordiais
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cronologicamente para que se tornem uma história primitiva. E essas genealogias se fundem
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perfeitamente nas narrativas patriarcais em Gênesis 12, que indiscutivelmente se
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destina a descrever pessoas históricas como Abraão e seus descendentes. E eu
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entendo que com base nisso, podemos dizer que os ancestrais de Abraão, listados nessas genealogias também
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pretendem ser pessoas históricas. Portanto, creio que a análise correta de
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Gênesis 1 a 11 sugere que estamos lidando aqui com pessoas que, na visão
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do autor realmente viveram e foram os ancestrais de toda a humanidade.
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Ao me voltar para o Novo Testamento, eu encontro nos escritos de Paulo sobre Adão, particularmente em Romanos,
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capítulo 5, um compromisso com o Adão histórico. É preciso dizer que muitas referências a
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Adão no Novo Testamento não precisam ser interpretadas como se referindo à pessoa
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histórica. Elas podem estar apenas se referindo a uma figura literária nas
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histórias de Gênesis 2 e 3, como eu poderia me referir a Robinson Crusoé,
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sem pensar que estou me comprometendo com a sua historicidade. Mas em Romanos
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5, Paulo afirma que como resultado do pecado de Adão, o pecado entrou no mundo
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e a morte veio pelo pecado. E assim a morte se espalhou a todos os homens,
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porque todos pecaram. Em outras palavras, Paulo atribuiu ao pecado de
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Adão efeitos não apenas no mundo da história de Gênesis 2 e 3, no mundo real
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em que vivemos. E isso mostra que Paulo as considerava pessoas históricas reais.
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Uma figura puramente literária, como Humlet, por exemplo, não pode ter
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efeitos causais sobre o mundo real, fora do mundo da história da peça de
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Shakespeare. Mas de acordo com Paulo, o pecado de Adão teve efeitos no mundo
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real, fora do mundo da história de Gênesis 2 e 3. E isso me dá, eu acho,
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confirmação de que estamos comprometidos com o Adão e Eva históricos com base nos
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escritos de Paulo. Esses seriam os dois caminhos hermenêuticos que eu segui e que me
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levaram a essa conclusão. Não posso deixar de dizer, Dr. Craig, que é realmente importante o que o
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senhor acabou de mencionar, pois no Brasil, infelizmente, circularam alguns rumores de que o senhor estaria dizendo
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que Adão e Eva nunca existiram, que eles não são históricos e, como o senhor já
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acabou de explicar, isso simplesmente não é verdade. Pois bem, o senhor falou
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sobre as chamadas semelhanças de família do mito e quero perguntar algo sobre isso. Existem críticos aqui no Brasil
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que dizem que o Senhor interpreta Gênesis 1 a 11 com base na ciência. Isso
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é realmente verdade? Me permita já responder isso antes de você continuar.
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Isso não é verdade. Quem está dizendo isso ou não leu o livro ou o entendeu muito mal? O que eu deixo bem claro logo
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no começo do livro é que precisamos colocar a ciência moderna entre parênteses, deixá-la de lado e analisar
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essas narrativas antigas como elas teriam sido compreendidas pelas pessoas
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daquela época, como o autor e sua audiência teriam entendido essas
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narrativas. E metade do livro é dedicado a investigar essa questão antes de ir para
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a questão sobre se os ensinamentos de Gênesis 1 a 11 são compatíveis com os
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dados da ciência contemporânea. Portanto, é completamente errado pensar
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que eu interpreto Gênesis 1 a 11 com base na ciência contemporânea.
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Eu rejeito essa abordagem. Eu concordo com isso. Quando eu li o seu livro e vi
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que a primeira parte do livro está falando sobre gênero literário e então só depois de chegar a conclusão sobre o
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gênero, é que o senhor vai fazer uma busca sobre a questão da ciência. Fica muito claro para mim que o senhor não
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está chegando àquela conclusão baseado na ciência. E realmente isso fica muito
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claro quando se lê o livro. Pois bem, Dr. Craig, uma vez que o senhor está dizendo que não é verdade, que sua
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interpretação de Gênesis 1 a 11 está fundamentada na ciência, poderia nos responder se é verdade que ao falar das
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semelhanças de família do mito, o senhor considera certos detalhes da narrativa de Gênesis 1 a 11 cientificamente
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insustentáveis? Por exemplo, segundo rumores, o senhor teria comentado em seu livro sobre a grande diversidade de
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espécies em relação ao que realmente caberia na arca. e que isso resultaria
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na impreensão que antes mesmo da pesquisa literária o senhor já carregava o resultado da pesquisa científica. Uma
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vez mais, isso é um mal entendido. Eu não afirmo que qualquer coisa em Gênesis
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1 a 11 é mítica porque é cientificamente insustentável.
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Em particular, Leandro, fiquei surpreso ao ver na sua pergunta a menção sobre se
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a diversidade de espécies caberia na arca de Noé. Eu não menciono nada disso
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no livro. Eu desafio qualquer um a citar uma página onde isso é mencionado no
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livro. Na verdade, o que eu digo é que quando se lê mitologia, ela é muitas
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vezes figurativa e metafórica e que interpretá-la literalmente seria
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fantástico. Nesse sentido, eu defino o fantástico como aquilo que se interpretado
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literalmente seria evidentemente falso. Vou dar um exemplo. Na mitologia
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egípcia, o céu é frequentemente descrito como a deusa Nut, que é uma mulher
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curvada sobre a terra, com as solas dos pés e as palmas das mãos tocando a
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terra. Nenhum egípcio antigo, olhando para o céu, esperaria ver o corpo nu de
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uma mulher pairando sobre ele. Isso era linguagem figurativa ou metafórica.
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interpretá-la literalmente seria fantástico. E isso não tem nada a ver com ser cientificamente plausível ou
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não. É claro que nenhum antigo egípcio teria levado isso ao pé da letra. E
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argumento que há muitos elementos em Gênesis 1 a 11 que são assim, que se os
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levarmos ao pé da letra, então são claramente falsos. E isso sugere que o
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autor do Pentateuco não levou essas narrativas com uma espécie de literalidade ingênua.
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Sim, falando sobre elementos fantásticos, o senhor poderia dizer um pouco mais sobre isso? Pois em sua obra,
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Dr. Craig, o senhor afirma que a presença de elementos fantásticos é uma das características definidoras dos
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mitos. E o que o Senhor poderia dizer aqueles que argumentam que tais elementos presentes em Gênesis 1 a 11
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são milagres? Por milagres entende-se os atos sobrenaturais de Deus. E mais, de
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outra forma, se hoje tais elementos parecem inverosíveis sobre a ótica da ciência, por que não adiar o julgamento,
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visto que descobertas futuras podem torná-los plausíveis, como já aconteceu tantas vezes na disputa ciência versus
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Bíblia? Em resposta à segunda parte da sua pergunta, apenas quero reiterar: Eu não
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estou os rejeitando por serem inveroscímeis sob a luz da ciência
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moderna. Considere-me o exemplo dos antigos egípcios e da deusa do céu nut.
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Não tem relação alguma com astronomia ou ciência. Agora, de forma semelhante, em
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Gênesis 1 ao 11, como a questão percebe com acerto, os milagres, enquanto atos
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sobrenaturais de Deus, não são fantásticos. Devido ao fato deles terem
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uma causa sobrenatural, é perfeitamente razoável acreditar que algum evento
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possa ser um milagre. Assim, se um milagre ocorre, isso não é palpavelmente
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falso. Então, eu não rejeito como fantástico algo que seja milagroso. Pelo
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contrário, estou falando de elementos não milagrosos que são palpavelmente falsos se levados ao pé da letra.
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Deixe-me dar um exemplo. Em Gênesis 2 e 3, você encontra descrições de Deus como
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uma espécie de divindade hominoide que caminha no frescor do jardim à tarde,
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procurando por Adão e Eva, que se escondem entre os arbustos e os chama,
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dizendo: "Onde vocês estão?" Essa descrição antropomórfica de Deus é
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completamente inconsistente com o Deus transcendente descrito em Gênesis
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capítulo 1, que no princípio criou os céus e a terra. Portanto, sabemos que o
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autor do Pentateuco está simplesmente usando linguagem antropomórfica
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para descrever Deus nos capítulos 2 e 3. Ele não acreditava que Deus tem um corpo
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físico e anda pelo jardim. Nós sabemos disso por causa do capítulo um. Assim,
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você percebe que não se trata de ser cientificamente sustentável ou não, mas
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sim se é consistente com o que o autor do Pentateuco ensina sobre Deus em
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outras passagens de sua obra. Uma vez que o Senhor trouxe esse exemplo, eu vou aproveitar para
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perguntar sobre o dilúvio universal. Acredito que o senhor diria que o dilúvio universal é um elemento
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fantástico, mas no Brasil nós encontramos pessoas que defendem que tudo aquilo é simplesmente um milagre.
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Assim, por meio de milagre, Deus enviou todo aquele dilúvio, toda aquela chuva e
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etc. Esse é um bom ponto. Ter um dilúvio universal não está além da capacidade
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causal de Deus. Ele poderia criar água do nada. Isso está absolutamente
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correto. A questão é: se ocorreu dentro da história da humanidade um dilúvio em
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escala mundial que aniquilou toda a vida terrestre na Terra, exceto aquela a
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bordo da arca. E não só não há evidência de que tal evento tenha ocorrido, mas
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isso é contrário à melhor evidência que possuímos. E, portanto, eu acho que o
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esforço dos cientistas criacionistas para tentar defender uma espécie de geologia do dilúvio, onde se tenta
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explicar a evidência com base no dilúvio de Noé, é um esforço sem esperança.
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Assim, eu não acredito que tenha havido na história humana um dilúvio mundial
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que exterminou toda a vida na Terra, exceto aquela a bordo da arca.
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Está bem, Dr. Craig? Vamos então à próxima pergunta. Se eu entendi corretamente no seu livro Em
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Busca do Adão Histórico, o senhor busca conciliar a historicidade de Adão e Eva com a ciência moderna? Como o senhor
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então responde à crítica da hermenêutica seletiva? E com isso eles querem dizer
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usar a ciência para ler Gênesis de 1 a 11, não literalmente, mas insistir na
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literalidade de um Adão histórico a fim de apoiar a teologia de Paulo. Bem, eu
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já comentei que eu não uso a ciência para ler Gênesis 1 a 11 de forma não
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histórica. Eu coloco a ciência de lado e tento perguntar como as pessoas daquela
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época entenderiam. E eu também não insisto na literalidade
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do Adão histórico para apoiar a teologia paulina. Pelo contrário, eu digo que a
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teologia paulina apoia o Adão histórico e que, portanto, se acreditamos na
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inspiração das Escrituras, incluindo a carta aos Romanos, então estamos
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comprometidos como cristãos com o que Paulo diz sobre a queda de Adão e a
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entrada do pecado e da morte no mundo por Adão. Então, não estou argumentando
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pela teologia paulina com base em no Adão histórico. Pelo contrário, estou
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dizendo que com base na teologia paulina estamos comprometidos com a
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historicidade de Adão. Muito obrigado por sua resposta, Dr. Craig.
E agora quero trazer uma pergunta
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de um dos nossos diretores de núcleo apologéticos aqui no Brasil, que é a seguinte: considerando que passagens de
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Gênesis 1 a 11, como a criação do homem e da mulher em Mateus 19, a história de
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Adão e Eva em Romanos 5 e especialmente o dilúvio de Noé em segunda Pedro são citadas no Novo Testamento como eventos
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históricos e mais ainda como fundamento teológico. Como reconciliamos essa
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leitura com a classificação de Gênesis 1 a 11 como mito história?
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Eu acho que esta é a melhor objeção, à minha hipótese, uma que eu levo muito a
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sério e com a qual realmente lutei ao escrever o livro. Ao olhar para Gênesis
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1 a 11 como uma unidade, me parece quase inegável que isso é de natureza quase
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mítica, que isso constitui mito história. Mas ao chegar no Novo
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Testamento, há muitas referências à história primitiva pelos autores do Novo
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Testamento. E alguém pode se questionar: "Bem, os autores do Novo Testamento
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entenderam mal a história primeva? Eles a leram literalmente quando, na verdade
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deveria ser lida de forma figurada e metafórica. Isso não parece consistente com a
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inerrância bíblica e, portanto, isso não pode estar correto.
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Então, o que comecei a examinar foi como os autores do Novo Testamento citam literatura extrabíblica. E o que eu
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descobri, Leandro, é que existem inúmeras citações no Novo Testamento de literatura extrabíblica, pseudepigráfica
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e mitológica, a qual não queremos nos comprometer historicamente apenas porque
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um autor do Novo Testamento a cita. Exemplos paradigmáticos estão no livro
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de Judas. Judas, na verdade, cita do livro pseudepigráfico primeiro de
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Enoque, capítulo 1, versículo 9. Veja que primeiro de Enoque foi uma obra
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pseudônima escrita entre cerca de 400 e 200 antes de Cristo. Não faz parte do
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cânone do Antigo Testamento. E aqui temos Judas citando o primeiro de Enoque
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como se tivesse sido escrito pelo histórico Enoque, ele mesmo, a sétima
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geração de Adão. Eu acho que esta é a reductad absurdum dessas provas
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excessivamente fáceis de historicidade baseadas simplesmente numa citação do
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Novo Testamento. O fato é que um autor do Novo Testamento pode citar um texto extrabíblico
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ilustrativamente, sem se comprometer com a historicidade dele. Então, por
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exemplo, nós na cultura ocidental frequentemente usamos a mitologia grega
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para ilustrar. Podemos dizer que algo foi um cavalo de Troia ou que alguém tem
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um calcanhar de Aquiles ou que alguém abriu uma caixa de Pandora. Sem pensar
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que com isso estamos nos comprometendo com a historicidade dessas entidades
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míticas. E assim, similarmente, eu acho que Judas pode citar primeiro de Enoque
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de forma ilustrativa, sem nos comprometer com a historicidade ou autenticidade de primeiro de Enoque.
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Outro ótimo exemplo está em segundo a Timóteo. Paulo se refere a Janes e
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Jambres, que eram os mágicos que se opuseram a Moisés na corte do faraó.
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Quando você olha a literatura judaica extrabíblica, você descobre que Janes e
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Jambres não são nomeados no Antigo Testamento. Esses não são seus nomes no
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Velho Testamento. Isso é do folclore judaico. E acontece que esses mágicos
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judeus deram origem a todo tipo de contos lendários no judaísmo. Em alguns,
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Moisés os vence em um concurso de mágicos e eles vão para o deserto com
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Israel. Eles se juntam a Israel. Em outros eles voam sobre o Mar Vermelho e
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são eventualmente mortos por Deus ou por Moisés. E Janes e Jambres se tornaram
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uma espécie de símbolos de pessoas más. Não importava quando uma pessoa viveu ou
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agiu. Se você a chamasse de Janes ou jambres, você a estava acusando de ser
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uma pessoa má, como hoje diríamos que alguém é um verdadeiro Judas. Então
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Paulo não está se comprometendo com a historicidade de Janes e Jambres ali.
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Ele está usando o tema típico judaico dessas pessoas.
um exemplo final
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está em segundo a Coríntios, em que Paulo fala sobre um poço de água que seguiu os israelitas durante suas
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peregrinações no deserto por 40 anos. E novamente, ao olhar o folclore judaico,
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existe esta história sobre como havia um poço do tamanho de uma colmeia que
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rolava pelo chão e seguia os israelitas através do deserto. E toda noite quando
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acampavam o poço se estabelecia e jorrava água para eles beberem. E Paulo
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se refere a este poço em segundo Coríntios e diz: "A rocha era Cristo foi
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realmente Cristo quem os estava seguindo?" Agora, isso não compromete Paulo com a
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historicidade desta lenda judaica sobre o poço rolante que seguia os israelitas
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pelo deserto. Então, nestes casos, você tem o uso de textos extrabíblicos de forma
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ilustrativa, que não compromete o autor com a historicidade dos eventos ou das
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pessoas descritas. E eu diria que a mesma coisa é verdade no Novo Testamento.
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A maioria das referências a Adão e Eva na história primeva são referências ao
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Adão e Eva literários. O que quer dizer que é isso que aconteceu na história, ou
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seja, na história Eva foi feita do lado de Adão ou a serpente enganou Eva e
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assim por diante. E isso está certo. Foi o que aconteceu na história. Mas você
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não está comprometido com a historicidade desses eventos, a menos que você tenha algo como Romanos 5, onde
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você tem efeitos causais por uma figura na história fora da própria história. O
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pecado de Adão causou a morte no mundo, e a morte se espalhou para todos os
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homens, porque todos os homens pecam. Portanto, esta não é apenas uma
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referência ilustrativa a Adão e a queda. Esta é uma referência histórica. E,
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portanto, com base nisso, eu diria que não estamos historicamente comprometidos
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pela maioria das referências à história primeva. Seria apenas aquelas onde vemos
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algum efeito causal. Fora do mundo da história de Gênesis 1 a 11, que estamos
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historicamente comprometidos. Isso foi muito útil, Dr. Craig, sabe?
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Faz muito sentido para mim. Eu tenho um filho, é mais novo, ele se chama Felipe.
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E um dia eu estava conversando com ele sobre a história do cavalo de Troia. Então ele me olhou e disse: "Pai, qual
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que era a cor daquele cavalo? Nós temos uma foto dele? pois eu nunca vi esse cavalo. Então eu disse para ele: "Não,
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Felipe, ele não existe. Ele nunca existiu, é só um mito." E tentei explicar tudo para ele. E a reação final
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dele foi: "Ah, entendi. É uma mentira." Então, veja bem, o mal entendido do seu garoto
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é ilustrativo de alguns dos mal entendidos que você me descreveu, que acontecem no Brasil, o que é lamentável.
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Bem, vamos então para a próxima pergunta, Dr. Craig. Já que Gênesis 1 a 11 é mito histórico, como o senhor lida
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com a explicação de que o nível de detalhes técnicos e realistas nos relatos, como a arca de Noé em Gênesis
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6, contribui para uma interpretação literal deste evento. Estudos de
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engenharia apontam que as proporções da arca são viáveis sob o ponto de vista da flutuabilidade ou estabilidade. Então,
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faz parte das características de um texto mitohistórico trazer especificações compatíveis com as
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técnicas de engenharia e construção da época. Não é inconsistente descrever com
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tanta precisão algo que nessa leitura não teria ocorrido realmente
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literalmente. Você está bastante certo ao dizer que as
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descrições da arca são de um barco realista que seria navegável e isso está
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em forte contraste com os antigos relatos babilônicos do dilúvio, que descrevem uma embarcação com formato de
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zigurate, o que teria sido impossível sobreviver à enchente. Então, isso conta
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definitivamente a favor da historicidade da arca em algum nível, pelo menos.
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Talvez tenha havido uma inundação regional que ocorreu. Alguns acham que talvez tenha sido uma inundação que
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alagou o que hoje é a bacia do Golfo Pérsico, que era originalmente fechada.
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O estreito de Ormante as águas fora, mas quando as geleiras derreteram no fim da
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última era glacial, as águas do Oceano Índico romperam o estreito de Ormus e
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inundaram o Golfo Pérsico. Talvez esse tenha sido o dilúvio de Noé, ou talvez
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tenha sido o alargamento da bacia do Mar Negro, como alguns sugeriram, quando o Mediterrâneo rompeu o estreito de
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Bósforo e inundou a bacia do Mar Negro, formando aquele mar imenso hoje. Nós
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simplesmente não sabemos, mas eu acho que você está certo ao dizer que isso conta a favor da historicidade da arca e
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que não deve ser descartada como mito puro. OK, entendi. Está bem. Mas Dr. Craig, me
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permita fazer uma pergunta que é mais um temor do que qualquer outra coisa, se é que eu estou usando a palavra correta.
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Mas quais são os limites hermenêuticos que impediriam que essa leitura não
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literal de Gênesis de 1 a 11 também não seja aplicada a eventos centrais do Novo
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Testamento, como os milagres de Jesus, especialmente a ressurreição, ou mesmo do Antigo Testamento, como a abertura do
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mar ou Josué ali parando o sol e a lua e etc. Assim, quais são os critérios que
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preservam essas realidades como históricas e porque elas não caem na mesma categoria de mito histórico?
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Agradeço por essa pergunta. É muito importante que tenhamos tais critérios,
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senão tudo se torna subjetivo. E no livro eu listo 10 semelhanças de família
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do mito que nos permitem comparar mitos e histórias entre si para dar uma
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análise de gênero precisa. Quando se trata dos Evangelhos e das narrativas da ressurreição, ali estamos
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lidando com um gênero literário que mais se assemelha às biografias antigas,
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coisas como as vidas de gregos e romanos famosos escritas por Plutarco. Estas não
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são, em especial narrativas sagradas tradicionais que tentam fundamentar
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realidades e instituições presentes ao autor e seu público em eventos do
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passado primordial. Os evangelhos não fazem isso. Elas se parecem mais com
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biografias antigas, como as vidas dos césares e similares.
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E então nós não devemos ter medo, Leandro. Nós apenas precisamos ter
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cautela. O que eu acho que você precisa temer que uma leitura excessivamente literal de
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Gênesis 1 ao 11 irá amar a fé e a autoridade bíblica, porque ela se
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tornará indefensável à luz da linguística moderna, da história e ciência.
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Meu livro é uma tentativa de mostrar que a historicidade desse par fundador da
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raça humana é de modo algum incompatível com a melhor evidência da
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paleoantropologia e genética populacional. Nós não falamos disso
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hoje, mas este é um dos fardos deste livro. É defender a autoridade bíblica e
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a fé em Adão e Eva. E eu temo que isso será minado por pessoas que adotarem uma
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leitura muito literal dessas passagens e assim advogarem uma forma insustentável
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e desesperadora de criacionismo da terra jovem e ciência da criação. Esse tipo de
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movimento tornará impossível recomendar o cristianismo a homens e mulheres
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pensantes, cuja cultura é moldada pela universidade moderna.
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Sim, concordo. O senhor tem razão. A autoridade bíblica é algo que exige prioridade. E bem, se me permite, eu
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gostaria de fazer uma pergunta final para encerrarmos essa entrevista. E o que eu quero saber, Dr. Crey, é o
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seguinte: qual foi a sua intenção pastoral ou acadêmica ao escrever esse
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livro? Creio que o senhor já falou algo sobre isso, mas se puder deixar uma mensagem aos brasileiros, qual é a sua
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esperança sobre o fortalecimento em vez do enfraquecimento da nossa confiança
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nas Escrituras? E tal como o Senhor mencionou, por que não deveríamos temer o tipo de história mítica encontrada em
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Gênesis 1 a 11? Eu escrevi o livro Leandro como um estudo prévio à minha
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teologia filosófica sistemática em que estou agora empenhado. Como você sabe,
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os artistas clássicos costumavam fazer um estudo de uma pintura antes de executar a masterpiece definitiva. E
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então eu sabia que precisava resolver em minha mente esta questão do Adão histórico. Eu estava ciente por anos,
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décadas, que a questão do Adão histórico era um assunto realmente difícil. Como
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se pode conciliar a origem de toda a humanidade em um casal ancestral com o
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estudo atual de paleoantropologia e arqueologia e genética populacional?
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Assim, pensei que precisava chegar a certas conclusões firmes sobre isso
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antes de me empreender em escrever esta teologia filosófica sistemática.
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Então eu mergulhei neste ponto. O que eu queria determinar primeiro era: estamos
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de fato comprometidos com um casal histórico assim? Poderíamos nos contentar apenas tratando Adão e Eva
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como, por assim dizer, figuras arquetípicas, meramente figuras literárias? Adão representa todo homem
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quando ele comete um pecado. Todo homem em sua vida peca e está sujeito à
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condenação de Deus. necessitando assim de redenção e perdão. Então, poderíamos
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ler Gênesis 1 a 11 nessa ótica? Para responder a essa pergunta, eu deixei de
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lado os resultados da ciência moderna e analisei essas narrativas pensando que
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tipo de literatura é esta? E estamos comprometidos com a historicidade deste
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casal por estas narrativas? E minha conclusão foi: sim, estamos gostando ou
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não, lide com isso. Se você é um cristão crente na Bíblia, você está comprometido
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com a historicidade deste par ancestral da humanidade. Então, a questão passou a ser: certo,
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isso é compatível com o que aprendemos com a paleoantropologia e a genética populacional?
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E o que eu descobri, Leandro, foi que se movermos Adão e Eva para trás na história o suficiente para que sejam
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ancestrais, não apenas do Homo sapiens, mas dos neandertais e dos denizovanos
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também, então a existência de tal par fundador de toda a raça humana é
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totalmente compatível com a ciência moderna. E desde que o livro foi escrito, novos estudos em genética de
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populações surgiram e que confirmam as conclusões do livro. E tem sido muito
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gratificante ver isso. Então, na porção científica do livro, eu
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sugiro que consideremos Adão e Eva como ancestrais dos homo saápiens,
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neandertais e denizovanos, e, portanto, plausivelmente
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membros da espécie homo heidelberguenses ou homem de Heidelberg. Ele era um homem
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moderno, com capacidade cognitiva moderna, com conhecimento tecnológico e
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invenções e seria um candidato muito digno para a espécie a qual Adão e Eva
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pertencem. Bom, Dr. Craig, obrigado, muito obrigado
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mesmo pelo seu tempo e por compartilhar todas essas percepções conosco. Tenho certeza que esta conversa foi será uma
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grande bênção para mim, para minha comunidade evangélica aqui no Brasil e para quem deseja pensar mais
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profundamente sobre o Adão histórico. Eu realmente aprecio sua contribuição e
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espero que possamos repetir isso no futuro. E também, se o senhor me permite, eu gostaria de fazer um convite
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a todos que estão nos assistindo aqui do Brasil. Nós estamos levantando pessoas para se tornarem diretores de núcleos de
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estudos apologéticos. Ser um diretor de um núcleo significa liderar grupos de
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estudos em suas comunidades, em suas igrejas, em suas escolas, em suas universidades, etc. Tem sido um trabalho
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excelente que estamos realizando no Brasil. Temos mais de 100 diretores de núcleos em preparação. Então, este é um
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convite para você que está nos assistindo e tudo isso é totalmente gratuito. Fica aberto aqui o convite
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para você ser esse diretor e queremos te ajudar a se tornar um em sua região.
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Você que estiver interessado, basta acessar o site ferrazoável.com.br
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br e seguir as instruções. Bem, Dr. Craig, agradeço uma vez mais por essa
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grande oportunidade. Obrigado, Leandro, e obrigado por todo o trabalho que você está fazendo Brasil.
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Deus o abençoe e ao seu trabalho para o reino. Amém. E até a próxima. Yeah.
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