Adão e Eva existiram! Entrevista para o Brasil com o Dr. Craig

 https://www.youtube.com/watch?v=GUOzWoa1OCc 

Adão e Eva realmente existiram! | Entrevista para o Brasil com o Dr. Craig

(Adão e Eva foram pessoas reais ou apenas figuras simbólicas? 🤔 Nesta entrevista profunda e esclarecedora, o Dr. William Lane Craig responde às principais dúvidas levantadas no Brasil sobre seu livro Em Busca do Adão Histórico, enfrentando rumores, mal-entendidos e críticas comuns na internet.


Ao longo da conversa, Craig explica o que realmente significa chamar Gênesis 1–11 de “mito-história”, defende a inerrância bíblica, afirma com clareza a historicidade de Adão e Eva 🧬📖 e mostra por que essa leitura não enfraquece, mas fortalece a autoridade das Escrituras. Ele também esclarece sua posição sobre ciência, dilúvio, milagres e o uso do Antigo Testamento no Novo Testamento, especialmente em Romanos 5.)


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Olá a todos, meu nome é Leandro Vilassa Borges. Eu sou diretor regional de

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núcleos do Fé Razoável ou Rism Faith aqui no Brasil. E eu tenho algumas

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questões que foram levantadas por alguns de nossos diretores e por pessoas aqui do nosso querido país. E nós estamos

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recebendo o Dr. William Lan Craig. Ele vai responder algumas dessas perguntas,

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nos ajudar a esclarecer muitas coisas que ele diz em seu livro chamado Em Busca do Adão Histórico, o qual ainda

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nós não temos traduzido para o português. Então, essa é uma oportunidade para entendermos melhor o

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que está sendo dito em seu livro e também aproveitar para tirar algumas dúvidas que têm sido levantadas por

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algumas comunidades aqui no Brasil, especialmente na internet. Assim, desde

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já te agradeço, Dr. Craig, por essa entrevista, pelo seu tempo. É um privilégio ter o Senhor aqui. E como o

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senhor já sabe, nós vamos conversar sobre o Adão, o Adão histórico. E

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acredito que essa é uma grande oportunidade para nós tirarmos algumas dúvidas e falar um pouco mais daquilo

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que o Senhor está tratando em seu livro, uma vez que nós não temos a tradução dele para o português aqui do Brasil.

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Vamos então ter esse bate-papo sobre esse assunto que é tão interessante.

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Eu sou muito grato, Leandro, por ter esta oportunidade hoje. Eu acho que

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quando você tem uma situação em que o livro não está disponível em português,

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o resultado são rumores mal entendidos e até deturpação do conteúdo do livro. E

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por isso estou muito feliz e grato pela chance de esclarecer exatamente qual é a

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proposta que estou oferecendo. O senhor tem toda a razão, Dr. Craig.

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Muitos mal entendidos ocorrem aqui, especialmente na internet. E é por isso

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que tenho interesse em fazer todas essas perguntas. Pois bem, sem mais demora,

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vamos começar com a primeira. Dr. Craig, o senhor acredita na inerrância bíblica?

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E o que exatamente o senhor entende por inerrância, considerando os gêneros literários e a intenção do autor?

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Em meu primeiro volume da minha teologia filosófica sistemática, no tópico sobre

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a Sagrada Escritura, eu articulo e dou uma defesa robusta da doutrina da

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inerrância bíblica. Eu creio que a doutrina da inerrância bíblica é baseada

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em segundo a Timóteo 3:16, que diz: "Toda a Escritura é inspirada por Deus e

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é útil para o ensino, para a repreensão, para corrigir e para treinar em

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justiça." Então ali os benefícios teológicos e pastorais da Escritura são

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descritos. Ela é útil para ensinar a doutrina cristã e para a prática cristã.

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Assim sendo, a inerrância bíblica é então a doutrina de que a escritura é

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verdadeira em tudo o que ela ensina. Agora, essa é uma definição sutil, pois

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levanta a seguinte questão sobre qualquer passagem específica da Escritura. O que esta passagem está

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tentando ensinar? E para responder a essa pergunta, o intérprete bíblico tem que usar os

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princípios corretos de hermenêutica ou interpretação bíblica. E isso incluirá,

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em primeiro lugar, determinar o gênero literário da peça de literatura que ele

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está tentando interpretar. Ora, a Bíblia é uma coleção de uma

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grande variedade de gêneros literários. Por exemplo, temos poesia nos Salmos.

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Temos biografia nos Evangelhos, temos literatura epistolar nas cartas de

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Paulo, temos o apocalíptico judaico no livro de Apocalipse, temos escrita

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histórica no livro de Atos e assim por diante. interpretar todos esses

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diferentes tipos de literatura pelos mesmos princípios, seria um erro

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hermenêutico grave, seria um erro em particular interpretar todos esses

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diferentes tipos de literatura de forma literal. Por exemplo, quando o salmista

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diz que as árvores do bosque batam palmas diante do Senhor, ele não está

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ensinando botânica. O salmista não acredita que as árvores tenham mãos. Ele

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está escrevendo poesia, que é frequentemente figurativa em sua linguagem. Similarmente, quando o livro

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de Apocalipse diz que haverá um dragão vermelho que varrerá 1/3 das estrelas do

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céu com sua cauda, não está ensinando astronomia. A literatura apocalíptica judaica é

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caracterizada por rico simbolismo e metáfora. A questão então é quando

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chegamos a Gênesis 1 a 11, qual é o gênero literário desta peça de

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literatura? Todos os estudiosos do Antigo Testamento

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reconhecem que os primeiros 11 capítulos de Gênesis, a chamada história primeva,

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se apartam das narrativas patriarcais que começam no capítulo 12. E a questão

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é então, que tipo de literatura é Gênesis 1 a 11? E essa será uma grande

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parte do meu livro, fazer uma análise do gênero literário desses capítulos para

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determinar o que eles estão nos ensinando, quais são nossos compromissos bíblicos como cristãos que creem na

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Bíblia. Bem, Dr. Craig, isso esclarece muito e é bastante importante. O que o senhor está

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dizendo, se eu entendi bem, é que a escritura é verdadeira em tudo o que ensina. E os gêneros, nós temos que ser

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muito, muito específicos. Nós temos que prestar muita atenção aos gêneros literários de cada texto, de cada livro,

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para que possamos entender bem, para que possamos compreender bem o que o texto

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quer dizer. OK? Muito obrigado por sua resposta e vamos então à próxima

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pergunta, por favor. É comum algumas pessoas entenderem mito

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como uma mentira? Isso acontece aqui no Brasil. em que a palavra mito é comumente entendida como algo que não é

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verdade. E quando o Senhor descreve Gênesis 1 a 11 como mito história, eu

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gostaria de saber o que o Senhor está afirmando e o que o Senhor não está afirmando.

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Trata-se de uma mentira ou é diferente disso?

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A palavra mito é um termo vastamente mal interpretado, usado em uma grande

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diversidade de formas. Eu utilizo a palavra no sentido em que ela é adotada

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por folcloristas ou classicistas que fazem a distinção entre mitos, lendas e

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fábulas. Por exemplo, o folclorista ou classicista entende

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esse tipo de literatura da seguinte forma: Mitos são narrativas sagradas

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tradicionais que tentam explicar instituições e realidades presentes ao

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autor e seu público ao fundamentá-las em eventos ocorridos no passado primordial.

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E note que essa definição não diz nada sobre a verdade ou falsidade dessas

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narrativas. é um tipo de literatura que tenta fundamentar realidades presentes

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numa cultura, em eventos no passado pré-histórico. E eu acho claro, ao olhar

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Gênesis 1 a 11, que este é de fato o propósito desses capítulos. O propósito

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da história primeva é uma espécie de prefácio para o Pentateuco como um todo

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e para o livro de Gênesis em particular, que tenta fundamentar várias realidades

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e instituições judaicas no passado primordial profundo. Coisas como a

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origem do mundo, a origem da humanidade, a origem da observância do sábado. E

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assim, eu acredito que esses capítulos exibem as semelhanças de família do

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mito, conforme o folclorista ou classicista entende esse termo. Sabe, Dr. Craig? Algumas pessoas que

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conversam aqui no Brasil me perguntaram por quê? Porque o Dr. Craig escolheu esta palavra? Porque ele não escolheu

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outra palavra? Pois há alguns autores que estão usando outros tipos de palavras ou expressões para dizer

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exatamente a mesma coisa. Sim, exatamente sim. A perspectiva é muito

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comum entre os comentaristas e estudiosos do Antigo Testamento, inclusive os conservadores. Então, por

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exemplo, Ji Packer fala de história dramática, Gordon Wenham fala de protohistória,

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Jack Collins fala em história de cosmovisão, Tramper Longman a denomina

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história teológica. John Walton se refere à história imagética.

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Todos eles estão tentando rotular a mesma coisa. Eu adoto o rótulo que foi

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dado a esse tipo de literatura pelo grande assriólogo Torquil Jacobson, que

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propôs mito história como uma descrição para este tipo de literatura que descreve pessoas históricas reais e

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eventos na linguagem figurativa e muitas vezes metafórica do mito. E quanto à

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razão pela qual decidi adotar esse rótulo, é porque eu acredito que isso se conecta melhor com os estudos de

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folcloristas e classicistas sobre mito, enquanto esses outros rótulos não se

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conectam com essa disciplina acadêmica. E eu também o faço por respeito à igreja cristã. Eu não desejo usar eufemismos

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que possam induzir ao erro. Eu quero ser direto com as pessoas e dizer o que é.

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Supere a questão do rótulo, compreenda o seu significado e você verá que isso é

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afirmado amplamente por estudiosos do Antigo Testamento hoje. E é por isso que

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adoto essa nomenclatura em particular. Se alguém não gosta da nomenclatura,

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está livre para rejeitá-la. O que é importante é a resposta para a seguinte pergunta: este é o tipo de literatura de

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Gênesis 1 a 11? Obrigado, Dr. Craig. Então, para mim

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fica bem claro que quando lemos a palavra mito em seu livro, nós não estamos lendo ela no sentido de algo

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mentiroso, ou seja, não estamos falando daquilo que é uma falsidade.

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Pois bem, e quanto a Adão e Eva, Dr. Craig, o que o Senhor pode nos dizer sobre eles? Para o Senhor, eles são

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pessoa pessoas históricas. E se sim, e que sentido histórico? são o primeiro

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casal, a origem de uma população ou um ancestral universal, por exemplo, e qual

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foi o caminho hermenêutico que o levou a essa conclusão? Sim, eu escrevi este

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livro como uma defesa vigorosa da historicidade de Adão e Eva, como o

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casal fundador da raça humana neste planeta. Isto é, todo ser humano que já

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viveu é descendente deste casal original. Portanto, estou defendendo que

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eles são históricos, como também estou defendendo a ancestralidade comum

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universal da raça humana. Quanto ao que me levou a isso hermeneuticamente, foi primeiramente uma

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análise da própria história primeva, Gênesis 1 a 11. Pareceu-me que esta

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sessão de Gênesis exibe muitas das semelhanças de família do mito que eu já

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mencionei, mas estes capítulos também são estruturados por um padrão de

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genealogias de descendência de antepassados. E essas genealogias foram comparadas à

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espinha dorsal da história primitiva. Isso ordena essas histórias primordiais

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cronologicamente para que se tornem uma história primitiva. E essas genealogias se fundem

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perfeitamente nas narrativas patriarcais em Gênesis 12, que indiscutivelmente se

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destina a descrever pessoas históricas como Abraão e seus descendentes. E eu

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entendo que com base nisso, podemos dizer que os ancestrais de Abraão, listados nessas genealogias também

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pretendem ser pessoas históricas. Portanto, creio que a análise correta de

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Gênesis 1 a 11 sugere que estamos lidando aqui com pessoas que, na visão

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do autor realmente viveram e foram os ancestrais de toda a humanidade.

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Ao me voltar para o Novo Testamento, eu encontro nos escritos de Paulo sobre Adão, particularmente em Romanos,

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capítulo 5, um compromisso com o Adão histórico. É preciso dizer que muitas referências a

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Adão no Novo Testamento não precisam ser interpretadas como se referindo à pessoa

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histórica. Elas podem estar apenas se referindo a uma figura literária nas

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histórias de Gênesis 2 e 3, como eu poderia me referir a Robinson Crusoé,

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sem pensar que estou me comprometendo com a sua historicidade. Mas em Romanos

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5, Paulo afirma que como resultado do pecado de Adão, o pecado entrou no mundo

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e a morte veio pelo pecado. E assim a morte se espalhou a todos os homens,

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porque todos pecaram. Em outras palavras, Paulo atribuiu ao pecado de

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Adão efeitos não apenas no mundo da história de Gênesis 2 e 3, no mundo real

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em que vivemos. E isso mostra que Paulo as considerava pessoas históricas reais.

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Uma figura puramente literária, como Humlet, por exemplo, não pode ter

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efeitos causais sobre o mundo real, fora do mundo da história da peça de

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Shakespeare. Mas de acordo com Paulo, o pecado de Adão teve efeitos no mundo

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real, fora do mundo da história de Gênesis 2 e 3. E isso me dá, eu acho,

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confirmação de que estamos comprometidos com o Adão e Eva históricos com base nos

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escritos de Paulo. Esses seriam os dois caminhos hermenêuticos que eu segui e que me

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levaram a essa conclusão. Não posso deixar de dizer, Dr. Craig, que é realmente importante o que o

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senhor acabou de mencionar, pois no Brasil, infelizmente, circularam alguns rumores de que o senhor estaria dizendo

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que Adão e Eva nunca existiram, que eles não são históricos e, como o senhor já

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acabou de explicar, isso simplesmente não é verdade. Pois bem, o senhor falou

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sobre as chamadas semelhanças de família do mito e quero perguntar algo sobre isso. Existem críticos aqui no Brasil

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que dizem que o Senhor interpreta Gênesis 1 a 11 com base na ciência. Isso

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é realmente verdade? Me permita já responder isso antes de você continuar.

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Isso não é verdade. Quem está dizendo isso ou não leu o livro ou o entendeu muito mal? O que eu deixo bem claro logo

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no começo do livro é que precisamos colocar a ciência moderna entre parênteses, deixá-la de lado e analisar

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essas narrativas antigas como elas teriam sido compreendidas pelas pessoas

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daquela época, como o autor e sua audiência teriam entendido essas

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narrativas. E metade do livro é dedicado a investigar essa questão antes de ir para

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a questão sobre se os ensinamentos de Gênesis 1 a 11 são compatíveis com os

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dados da ciência contemporânea. Portanto, é completamente errado pensar

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que eu interpreto Gênesis 1 a 11 com base na ciência contemporânea.

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Eu rejeito essa abordagem. Eu concordo com isso. Quando eu li o seu livro e vi

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que a primeira parte do livro está falando sobre gênero literário e então só depois de chegar a conclusão sobre o

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gênero, é que o senhor vai fazer uma busca sobre a questão da ciência. Fica muito claro para mim que o senhor não

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está chegando àquela conclusão baseado na ciência. E realmente isso fica muito

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claro quando se lê o livro. Pois bem, Dr. Craig, uma vez que o senhor está dizendo que não é verdade, que sua

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interpretação de Gênesis 1 a 11 está fundamentada na ciência, poderia nos responder se é verdade que ao falar das

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semelhanças de família do mito, o senhor considera certos detalhes da narrativa de Gênesis 1 a 11 cientificamente

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insustentáveis? Por exemplo, segundo rumores, o senhor teria comentado em seu livro sobre a grande diversidade de

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espécies em relação ao que realmente caberia na arca. e que isso resultaria

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na impreensão que antes mesmo da pesquisa literária o senhor já carregava o resultado da pesquisa científica. Uma

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vez mais, isso é um mal entendido. Eu não afirmo que qualquer coisa em Gênesis

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1 a 11 é mítica porque é cientificamente insustentável.

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Em particular, Leandro, fiquei surpreso ao ver na sua pergunta a menção sobre se

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a diversidade de espécies caberia na arca de Noé. Eu não menciono nada disso

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no livro. Eu desafio qualquer um a citar uma página onde isso é mencionado no

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livro. Na verdade, o que eu digo é que quando se lê mitologia, ela é muitas

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vezes figurativa e metafórica e que interpretá-la literalmente seria

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fantástico. Nesse sentido, eu defino o fantástico como aquilo que se interpretado

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literalmente seria evidentemente falso. Vou dar um exemplo. Na mitologia

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egípcia, o céu é frequentemente descrito como a deusa Nut, que é uma mulher

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curvada sobre a terra, com as solas dos pés e as palmas das mãos tocando a

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terra. Nenhum egípcio antigo, olhando para o céu, esperaria ver o corpo nu de

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uma mulher pairando sobre ele. Isso era linguagem figurativa ou metafórica.

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interpretá-la literalmente seria fantástico. E isso não tem nada a ver com ser cientificamente plausível ou

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não. É claro que nenhum antigo egípcio teria levado isso ao pé da letra. E

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argumento que há muitos elementos em Gênesis 1 a 11 que são assim, que se os

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levarmos ao pé da letra, então são claramente falsos. E isso sugere que o

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autor do Pentateuco não levou essas narrativas com uma espécie de literalidade ingênua.

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Sim, falando sobre elementos fantásticos, o senhor poderia dizer um pouco mais sobre isso? Pois em sua obra,

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Dr. Craig, o senhor afirma que a presença de elementos fantásticos é uma das características definidoras dos

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mitos. E o que o Senhor poderia dizer aqueles que argumentam que tais elementos presentes em Gênesis 1 a 11

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são milagres? Por milagres entende-se os atos sobrenaturais de Deus. E mais, de

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outra forma, se hoje tais elementos parecem inverosíveis sobre a ótica da ciência, por que não adiar o julgamento,

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visto que descobertas futuras podem torná-los plausíveis, como já aconteceu tantas vezes na disputa ciência versus

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Bíblia? Em resposta à segunda parte da sua pergunta, apenas quero reiterar: Eu não

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estou os rejeitando por serem inveroscímeis sob a luz da ciência

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moderna. Considere-me o exemplo dos antigos egípcios e da deusa do céu nut.

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Não tem relação alguma com astronomia ou ciência. Agora, de forma semelhante, em

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Gênesis 1 ao 11, como a questão percebe com acerto, os milagres, enquanto atos

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sobrenaturais de Deus, não são fantásticos. Devido ao fato deles terem

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uma causa sobrenatural, é perfeitamente razoável acreditar que algum evento

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possa ser um milagre. Assim, se um milagre ocorre, isso não é palpavelmente

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falso. Então, eu não rejeito como fantástico algo que seja milagroso. Pelo

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contrário, estou falando de elementos não milagrosos que são palpavelmente falsos se levados ao pé da letra.

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Deixe-me dar um exemplo. Em Gênesis 2 e 3, você encontra descrições de Deus como

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uma espécie de divindade hominoide que caminha no frescor do jardim à tarde,

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procurando por Adão e Eva, que se escondem entre os arbustos e os chama,

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dizendo: "Onde vocês estão?" Essa descrição antropomórfica de Deus é

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completamente inconsistente com o Deus transcendente descrito em Gênesis

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capítulo 1, que no princípio criou os céus e a terra. Portanto, sabemos que o

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autor do Pentateuco está simplesmente usando linguagem antropomórfica

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para descrever Deus nos capítulos 2 e 3. Ele não acreditava que Deus tem um corpo

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físico e anda pelo jardim. Nós sabemos disso por causa do capítulo um. Assim,

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você percebe que não se trata de ser cientificamente sustentável ou não, mas

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sim se é consistente com o que o autor do Pentateuco ensina sobre Deus em

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outras passagens de sua obra. Uma vez que o Senhor trouxe esse exemplo, eu vou aproveitar para

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perguntar sobre o dilúvio universal. Acredito que o senhor diria que o dilúvio universal é um elemento

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fantástico, mas no Brasil nós encontramos pessoas que defendem que tudo aquilo é simplesmente um milagre.

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Assim, por meio de milagre, Deus enviou todo aquele dilúvio, toda aquela chuva e

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etc. Esse é um bom ponto. Ter um dilúvio universal não está além da capacidade

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causal de Deus. Ele poderia criar água do nada. Isso está absolutamente

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correto. A questão é: se ocorreu dentro da história da humanidade um dilúvio em

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escala mundial que aniquilou toda a vida terrestre na Terra, exceto aquela a

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bordo da arca. E não só não há evidência de que tal evento tenha ocorrido, mas

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isso é contrário à melhor evidência que possuímos. E, portanto, eu acho que o

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esforço dos cientistas criacionistas para tentar defender uma espécie de geologia do dilúvio, onde se tenta

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explicar a evidência com base no dilúvio de Noé, é um esforço sem esperança.

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Assim, eu não acredito que tenha havido na história humana um dilúvio mundial

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que exterminou toda a vida na Terra, exceto aquela a bordo da arca.

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Está bem, Dr. Craig? Vamos então à próxima pergunta. Se eu entendi corretamente no seu livro Em

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Busca do Adão Histórico, o senhor busca conciliar a historicidade de Adão e Eva com a ciência moderna? Como o senhor

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então responde à crítica da hermenêutica seletiva? E com isso eles querem dizer

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usar a ciência para ler Gênesis de 1 a 11, não literalmente, mas insistir na

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literalidade de um Adão histórico a fim de apoiar a teologia de Paulo. Bem, eu

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já comentei que eu não uso a ciência para ler Gênesis 1 a 11 de forma não

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histórica. Eu coloco a ciência de lado e tento perguntar como as pessoas daquela

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época entenderiam. E eu também não insisto na literalidade

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do Adão histórico para apoiar a teologia paulina. Pelo contrário, eu digo que a

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teologia paulina apoia o Adão histórico e que, portanto, se acreditamos na

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inspiração das Escrituras, incluindo a carta aos Romanos, então estamos

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comprometidos como cristãos com o que Paulo diz sobre a queda de Adão e a

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entrada do pecado e da morte no mundo por Adão. Então, não estou argumentando

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pela teologia paulina com base em no Adão histórico. Pelo contrário, estou

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dizendo que com base na teologia paulina estamos comprometidos com a

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historicidade de Adão. Muito obrigado por sua resposta, Dr. Craig. 

E agora quero trazer uma pergunta

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de um dos nossos diretores de núcleo apologéticos aqui no Brasil, que é a seguinte: considerando que passagens de

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Gênesis 1 a 11, como a criação do homem e da mulher em Mateus 19, a história de

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Adão e Eva em Romanos 5 e especialmente o dilúvio de Noé em segunda Pedro são citadas no Novo Testamento como eventos

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históricos e mais ainda como fundamento teológico. Como reconciliamos essa

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leitura com a classificação de Gênesis 1 a 11 como mito história?

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Eu acho que esta é a melhor objeção, à minha hipótese, uma que eu levo muito a

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sério e com a qual realmente lutei ao escrever o livro. Ao olhar para Gênesis

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1 a 11 como uma unidade, me parece quase inegável que isso é de natureza quase

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mítica, que isso constitui mito história. Mas ao chegar no Novo

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Testamento, há muitas referências à história primitiva pelos autores do Novo

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Testamento. E alguém pode se questionar: "Bem, os autores do Novo Testamento

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entenderam mal a história primeva? Eles a leram literalmente quando, na verdade

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deveria ser lida de forma figurada e metafórica. Isso não parece consistente com a

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inerrância bíblica e, portanto, isso não pode estar correto.

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Então, o que comecei a examinar foi como os autores do Novo Testamento citam literatura extrabíblica. E o que eu

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descobri, Leandro, é que existem inúmeras citações no Novo Testamento de literatura extrabíblica, pseudepigráfica

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e mitológica, a qual não queremos nos comprometer historicamente apenas porque

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um autor do Novo Testamento a cita. Exemplos paradigmáticos estão no livro

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de Judas. Judas, na verdade, cita do livro pseudepigráfico primeiro de

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Enoque, capítulo 1, versículo 9. Veja que primeiro de Enoque foi uma obra

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pseudônima escrita entre cerca de 400 e 200 antes de Cristo. Não faz parte do

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cânone do Antigo Testamento. E aqui temos Judas citando o primeiro de Enoque

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como se tivesse sido escrito pelo histórico Enoque, ele mesmo, a sétima

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geração de Adão. Eu acho que esta é a reductad absurdum dessas provas

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excessivamente fáceis de historicidade baseadas simplesmente numa citação do

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Novo Testamento. O fato é que um autor do Novo Testamento pode citar um texto extrabíblico

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ilustrativamente, sem se comprometer com a historicidade dele. Então, por

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exemplo, nós na cultura ocidental frequentemente usamos a mitologia grega

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para ilustrar. Podemos dizer que algo foi um cavalo de Troia ou que alguém tem

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um calcanhar de Aquiles ou que alguém abriu uma caixa de Pandora. Sem pensar

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que com isso estamos nos comprometendo com a historicidade dessas entidades

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míticas. E assim, similarmente, eu acho que Judas pode citar primeiro de Enoque

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de forma ilustrativa, sem nos comprometer com a historicidade ou autenticidade de primeiro de Enoque.

28:37

Outro ótimo exemplo está em segundo a Timóteo. Paulo se refere a Janes e

28:42

Jambres, que eram os mágicos que se opuseram a Moisés na corte do faraó.

28:47

Quando você olha a literatura judaica extrabíblica, você descobre que Janes e

28:52

Jambres não são nomeados no Antigo Testamento. Esses não são seus nomes no

28:58

Velho Testamento. Isso é do folclore judaico. E acontece que esses mágicos

29:03

judeus deram origem a todo tipo de contos lendários no judaísmo. Em alguns,

29:10

Moisés os vence em um concurso de mágicos e eles vão para o deserto com

29:15

Israel. Eles se juntam a Israel. Em outros eles voam sobre o Mar Vermelho e

29:21

são eventualmente mortos por Deus ou por Moisés. E Janes e Jambres se tornaram

29:27

uma espécie de símbolos de pessoas más. Não importava quando uma pessoa viveu ou

29:33

agiu. Se você a chamasse de Janes ou jambres, você a estava acusando de ser

29:38

uma pessoa má, como hoje diríamos que alguém é um verdadeiro Judas. Então

29:44

Paulo não está se comprometendo com a historicidade de Janes e Jambres ali.

29:49

Ele está usando o tema típico judaico dessas pessoas

um exemplo final

29:55

está em segundo a Coríntios, em que Paulo fala sobre um poço de água que seguiu os israelitas durante suas

30:02

peregrinações no deserto por 40 anos. E novamente, ao olhar o folclore judaico,

30:09

existe esta história sobre como havia um poço do tamanho de uma colmeia que

30:14

rolava pelo chão e seguia os israelitas através do deserto. E toda noite quando

30:20

acampavam o poço se estabelecia e jorrava água para eles beberem. E Paulo

30:26

se refere a este poço em segundo Coríntios e diz: "A rocha era Cristo foi

30:32

realmente Cristo quem os estava seguindo?" Agora, isso não compromete Paulo com a

30:38

historicidade desta lenda judaica sobre o poço rolante que seguia os israelitas

30:44

pelo deserto. Então, nestes casos, você tem o uso de textos extrabíblicos de forma

30:51

ilustrativa, que não compromete o autor com a historicidade dos eventos ou das

30:57

pessoas descritas. E eu diria que a mesma coisa é verdade no Novo Testamento.

31:03

A maioria das referências a Adão e Eva na história primeva são referências ao

31:09

Adão e Eva literários. O que quer dizer que é isso que aconteceu na história, ou

31:14

seja, na história Eva foi feita do lado de Adão ou a serpente enganou Eva e

31:21

assim por diante. E isso está certo. Foi o que aconteceu na história. Mas você

31:27

não está comprometido com a historicidade desses eventos, a menos que você tenha algo como Romanos 5, onde

31:35

você tem efeitos causais por uma figura na história fora da própria história. O

31:41

pecado de Adão causou a morte no mundo, e a morte se espalhou para todos os

31:46

homens, porque todos os homens pecam. Portanto, esta não é apenas uma

31:52

referência ilustrativa a Adão e a queda. Esta é uma referência histórica. E,

31:58

portanto, com base nisso, eu diria que não estamos historicamente comprometidos

32:04

pela maioria das referências à história primeva. Seria apenas aquelas onde vemos

32:10

algum efeito causal. Fora do mundo da história de Gênesis 1 a 11, que estamos

32:16

historicamente comprometidos. Isso foi muito útil, Dr. Craig, sabe?

32:22

Faz muito sentido para mim. Eu tenho um filho, é mais novo, ele se chama Felipe.

32:28

E um dia eu estava conversando com ele sobre a história do cavalo de Troia. Então ele me olhou e disse: "Pai, qual

32:34

que era a cor daquele cavalo? Nós temos uma foto dele? pois eu nunca vi esse cavalo. Então eu disse para ele: "Não,

32:42

Felipe, ele não existe. Ele nunca existiu, é só um mito." E tentei explicar tudo para ele. E a reação final

32:48

dele foi: "Ah, entendi. É uma mentira." Então, veja bem, o mal entendido do seu garoto

32:54

é ilustrativo de alguns dos mal entendidos que você me descreveu, que acontecem no Brasil, o que é lamentável.

33:02

Bem, vamos então para a próxima pergunta, Dr. Craig. Já que Gênesis 1 a 11 é mito histórico, como o senhor lida

33:10

com a explicação de que o nível de detalhes técnicos e realistas nos relatos, como a arca de Noé em Gênesis

33:17

6, contribui para uma interpretação literal deste evento. Estudos de

33:22

engenharia apontam que as proporções da arca são viáveis sob o ponto de vista da flutuabilidade ou estabilidade. Então,

33:31

faz parte das características de um texto mitohistórico trazer especificações compatíveis com as

33:38

técnicas de engenharia e construção da época. Não é inconsistente descrever com

33:43

tanta precisão algo que nessa leitura não teria ocorrido realmente

33:49

literalmente. Você está bastante certo ao dizer que as

33:54

descrições da arca são de um barco realista que seria navegável e isso está

33:59

em forte contraste com os antigos relatos babilônicos do dilúvio, que descrevem uma embarcação com formato de

34:06

zigurate, o que teria sido impossível sobreviver à enchente. Então, isso conta

34:11

definitivamente a favor da historicidade da arca em algum nível, pelo menos.

34:17

Talvez tenha havido uma inundação regional que ocorreu. Alguns acham que talvez tenha sido uma inundação que

34:24

alagou o que hoje é a bacia do Golfo Pérsico, que era originalmente fechada.

34:29

O estreito de Ormante as águas fora, mas quando as geleiras derreteram no fim da

34:35

última era glacial, as águas do Oceano Índico romperam o estreito de Ormus e

34:40

inundaram o Golfo Pérsico. Talvez esse tenha sido o dilúvio de Noé, ou talvez

34:46

tenha sido o alargamento da bacia do Mar Negro, como alguns sugeriram, quando o Mediterrâneo rompeu o estreito de

34:53

Bósforo e inundou a bacia do Mar Negro, formando aquele mar imenso hoje. Nós

34:59

simplesmente não sabemos, mas eu acho que você está certo ao dizer que isso conta a favor da historicidade da arca e

35:07

que não deve ser descartada como mito puro. OK, entendi. Está bem. Mas Dr. Craig, me

35:13

permita fazer uma pergunta que é mais um temor do que qualquer outra coisa, se é que eu estou usando a palavra correta.

35:20

Mas quais são os limites hermenêuticos que impediriam que essa leitura não

35:25

literal de Gênesis de 1 a 11 também não seja aplicada a eventos centrais do Novo

35:31

Testamento, como os milagres de Jesus, especialmente a ressurreição, ou mesmo do Antigo Testamento, como a abertura do

35:38

mar ou Josué ali parando o sol e a lua e etc. Assim, quais são os critérios que

35:44

preservam essas realidades como históricas e porque elas não caem na mesma categoria de mito histórico?

35:53

Agradeço por essa pergunta. É muito importante que tenhamos tais critérios,

35:58

senão tudo se torna subjetivo. E no livro eu listo 10 semelhanças de família

36:04

do mito que nos permitem comparar mitos e histórias entre si para dar uma

36:09

análise de gênero precisa. Quando se trata dos Evangelhos e das narrativas da ressurreição, ali estamos

36:17

lidando com um gênero literário que mais se assemelha às biografias antigas,

36:23

coisas como as vidas de gregos e romanos famosos escritas por Plutarco. Estas não

36:29

são, em especial narrativas sagradas tradicionais que tentam fundamentar

36:35

realidades e instituições presentes ao autor e seu público em eventos do

36:41

passado primordial. Os evangelhos não fazem isso. Elas se parecem mais com

36:47

biografias antigas, como as vidas dos césares e similares.

36:52

E então nós não devemos ter medo, Leandro. Nós apenas precisamos ter

36:57

cautela. O que eu acho que você precisa temer que uma leitura excessivamente literal de

37:04

Gênesis 1 ao 11 irá amar a fé e a autoridade bíblica, porque ela se

37:10

tornará indefensável à luz da linguística moderna, da história e ciência.

37:16

Meu livro é uma tentativa de mostrar que a historicidade desse par fundador da

37:21

raça humana é de modo algum incompatível com a melhor evidência da

37:27

paleoantropologia e genética populacional. Nós não falamos disso

37:32

hoje, mas este é um dos fardos deste livro. É defender a autoridade bíblica e

37:38

a fé em Adão e Eva. E eu temo que isso será minado por pessoas que adotarem uma

37:44

leitura muito literal dessas passagens e assim advogarem uma forma insustentável

37:50

e desesperadora de criacionismo da terra jovem e ciência da criação. Esse tipo de

37:57

movimento tornará impossível recomendar o cristianismo a homens e mulheres

38:03

pensantes, cuja cultura é moldada pela universidade moderna.

38:08

Sim, concordo. O senhor tem razão. A autoridade bíblica é algo que exige prioridade. E bem, se me permite, eu

38:16

gostaria de fazer uma pergunta final para encerrarmos essa entrevista. E o que eu quero saber, Dr. Crey, é o

38:22

seguinte: qual foi a sua intenção pastoral ou acadêmica ao escrever esse

38:28

livro? Creio que o senhor já falou algo sobre isso, mas se puder deixar uma mensagem aos brasileiros, qual é a sua

38:35

esperança sobre o fortalecimento em vez do enfraquecimento da nossa confiança

38:40

nas Escrituras? E tal como o Senhor mencionou, por que não deveríamos temer o tipo de história mítica encontrada em

38:47

Gênesis 1 a 11? Eu escrevi o livro Leandro como um estudo prévio à minha

38:54

teologia filosófica sistemática em que estou agora empenhado. Como você sabe,

39:00

os artistas clássicos costumavam fazer um estudo de uma pintura antes de executar a masterpiece definitiva. E

39:08

então eu sabia que precisava resolver em minha mente esta questão do Adão histórico. Eu estava ciente por anos,

39:15

décadas, que a questão do Adão histórico era um assunto realmente difícil. Como

39:21

se pode conciliar a origem de toda a humanidade em um casal ancestral com o

39:26

estudo atual de paleoantropologia e arqueologia e genética populacional?

39:33

Assim, pensei que precisava chegar a certas conclusões firmes sobre isso

39:38

antes de me empreender em escrever esta teologia filosófica sistemática.

39:44

Então eu mergulhei neste ponto. O que eu queria determinar primeiro era: estamos

39:50

de fato comprometidos com um casal histórico assim? Poderíamos nos contentar apenas tratando Adão e Eva

39:58

como, por assim dizer, figuras arquetípicas, meramente figuras literárias? Adão representa todo homem

40:06

quando ele comete um pecado. Todo homem em sua vida peca e está sujeito à

40:11

condenação de Deus. necessitando assim de redenção e perdão. Então, poderíamos

40:17

ler Gênesis 1 a 11 nessa ótica? Para responder a essa pergunta, eu deixei de

40:23

lado os resultados da ciência moderna e analisei essas narrativas pensando que

40:29

tipo de literatura é esta? E estamos comprometidos com a historicidade deste

40:35

casal por estas narrativas? E minha conclusão foi: sim, estamos gostando ou

40:41

não, lide com isso. Se você é um cristão crente na Bíblia, você está comprometido

40:47

com a historicidade deste par ancestral da humanidade. Então, a questão passou a ser: certo,

40:54

isso é compatível com o que aprendemos com a paleoantropologia e a genética populacional?

41:01

E o que eu descobri, Leandro, foi que se movermos Adão e Eva para trás na história o suficiente para que sejam

41:08

ancestrais, não apenas do Homo sapiens, mas dos neandertais e dos denizovanos

41:14

também, então a existência de tal par fundador de toda a raça humana é

41:20

totalmente compatível com a ciência moderna. E desde que o livro foi escrito, novos estudos em genética de

41:27

populações surgiram e que confirmam as conclusões do livro. E tem sido muito

41:33

gratificante ver isso. Então, na porção científica do livro, eu

41:39

sugiro que consideremos Adão e Eva como ancestrais dos homo saápiens,

41:44

neandertais e denizovanos, e, portanto, plausivelmente

41:50

membros da espécie homo heidelberguenses ou homem de Heidelberg. Ele era um homem

41:57

moderno, com capacidade cognitiva moderna, com conhecimento tecnológico e

42:02

invenções e seria um candidato muito digno para a espécie a qual Adão e Eva

42:08

pertencem. Bom, Dr. Craig, obrigado, muito obrigado

42:15

mesmo pelo seu tempo e por compartilhar todas essas percepções conosco. Tenho certeza que esta conversa foi será uma

42:22

grande bênção para mim, para minha comunidade evangélica aqui no Brasil e para quem deseja pensar mais

42:27

profundamente sobre o Adão histórico. Eu realmente aprecio sua contribuição e

42:33

espero que possamos repetir isso no futuro. E também, se o senhor me permite, eu gostaria de fazer um convite

42:39

a todos que estão nos assistindo aqui do Brasil. Nós estamos levantando pessoas para se tornarem diretores de núcleos de

42:46

estudos apologéticos. Ser um diretor de um núcleo significa liderar grupos de

42:51

estudos em suas comunidades, em suas igrejas, em suas escolas, em suas universidades, etc. Tem sido um trabalho

42:58

excelente que estamos realizando no Brasil. Temos mais de 100 diretores de núcleos em preparação. Então, este é um

43:05

convite para você que está nos assistindo e tudo isso é totalmente gratuito. Fica aberto aqui o convite

43:12

para você ser esse diretor e queremos te ajudar a se tornar um em sua região.

43:17

Você que estiver interessado, basta acessar o site ferrazoável.com.br

43:24

br e seguir as instruções. Bem, Dr. Craig, agradeço uma vez mais por essa

43:30

grande oportunidade. Obrigado, Leandro, e obrigado por todo o trabalho que você está fazendo Brasil.

43:36

Deus o abençoe e ao seu trabalho para o reino. Amém. E até a próxima. Yeah.


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