Reflexão sobre música

         Eu, particularmente, gosto de vários estilos. Atualmente, como tenho aumentado os estudos, às vezes nem ouço música. Mas vou tentar resumir assim: não sou pedreiro/engenheiro, mas se vir uma parede torta ou uma casa com trincas sei que algo está errado. Outros vão saber pela configuração do alicerce que no futuro a casa ficará ruim (ou pior). Música=sons. Bateria=ruído. Quanto mais bateria, mais ruído. Quanto menos, menos ruído. Logo, quanto menos ruído da bateria competir com os sons da voz e dos outros instrumentos, melhor. Qual o limite?    

           Tecnicamente, não sei. "Empiricamente": para auxiliar eventualmente em uma parte ou outra, com batidas leves, parece se adequar ao som geral da música. Para estar constante na música: se for em um crescente que volta a diminuir, talvez fique bem. Vale para bumbo, agogô, etc. Guitarra: faz sons, mas de um modo mais estridente: precisa de mais suavidade ao tocar, e em um ou outro momento um crescente pode ir bem. Neste caso, a bateria não seria o indicado, mas distribuir os instrumentos que a formam para um uso mais focado e que não se sobressaia.                   

        Geralmente, me parece que músicas mais antigas - em Rock, Jazz, Samba...davam preferência a uma espécie de sonoridade, e não barulho. Isso me parece bom. "É proibido sonhar. Então me deixe o direito de sambar...". Diferente do Pagode, Jazz posterior, Sertanejo posterior...  que em parte considerável pareceram se associar ao apelo sexual e sentimento de casal.                                                                                                                         

        Sertanejo raiz é algo que gosto muito. Sertanejo atual ficou com vozes ruins, um ritmo que me irrita, letra prejudicada. Rock: "More than Words", "Stuck On You": melodias agradáveis que, ao mesmo tempo, nos trazem tranquilidade. "Smells like team spirit": vai num crescente, mas parece chegar a uma zona cinzenta e até prejudicial.                                                                                                                                       

     Axé, arroxa, funk vejo como muito difícil adaptar de um modo que seja utilizável. Reaguee e forró já admitem algo que permite mais som com alguma reflexão, e menos ímpeto aos instintos apenas de dançar e curtir, dependendo do modo como forem utilizados.                                                                                          

       Então, seria: mais som e menos ruído; mais reflexão e menos dança; mais harmonia/melodia e menos ritmo; mais preparo ao fazer, mas permitindo também o simples que se adeque a isso.                          

        Pode ser Jazz, Rock, Forró...Agora, para culto: estamos nos preparando para ouvir a Palavra: aí tem que ser para relaxar e refletir.                                                                                                                    

    Testemunhos: para mim, a maioria do que envolve música: não é realmente conversão, é apenas o emocional, e vejo isso pelo comportamento dos que se dizem convertidos: não estudam a Bíblia; muitos só sabem falar que o amor de Jesus é o que vale, e não os aspectos "técnicos" do estudo da Bíblia; o comportamento é moldado mais por "lacrações" que lê/ouve do que por uma meditação séria; vivem dizendo que a simplicidade é o que vale; mesmo entre os que estudam, percebo como regra (ainda que não todos) uma agitação constante - precisam estar sempre em algo "dinâmico" (agitado).                                                                                                                                        

    Nunca fui fã de nenhum cantor(a) / banda. Ouvi várias coisas. Algumas mais pesadas: Guns, Metallica, Nirvana, Ratos do Porão...mas sabia que era algo fluindo meio que instintivamente, principalmente quando o negócio ficava bem mais "agitado". Metallica: Nothing Else Matters - algo que, diminuindo um pouco em alguns momentos a bateria e guitarra, me parece bom até hoje.                                                                                                                                                                                            

     No entanto, ao menos nas igrejas adventistas em que vi a mudança nos estilos, do mais calmo para o mais agitado: JA não pode ter mais de uma hora; não tem vigília, e se tiver e olhe lá, tem que ter no máximo 3 a 4 horas; nada é focado no estudo árduo e objetivo da Bíblia, das descobertas acadêmicas (inclusive para ver que acadêmico é diferente de científico, em muitos momentos), do questionamento saudável, da repreensão, das conversas com divergência respeitosa e profunda, do domínio próprio, da disciplina quando necessária.                                                                                                 

        Ou seja, em quase todas as igrejas, a mudança da música, a introdução das danças, a mudança radical do ambiente de visão (púlpito...) seguiu apenas o desejo de incluir pessoas que não querem refletir para serem alcançadas e batizadas, para poderem auxiliar nas votações como: exagero na valorização (que deve, sim, existir) das mulheres, homem precisa pedir desculpa por ser homem, roupa não importa (mesmo que curta, decotada, transparente, rasgada...), reflexão inexistente ou falsificada, associação do pensamento assistencialista material e descaso espiritual: desde que ajude as pessoas com roupa e mantimento, não importa se vou prejudicar seu domínio próprio e crescimento espiritual...Enfim, sempre gostei de música, e até bastante, mas para mim sempre foi secundário: o principal sempre foi o intelecto "bruto" - conversas, estudos, debates.                                                                                                    

    Poderia ouvir as mesmas músicas dos arautos, projetart (talvez não todas), prisma (não todas)...antigos pela vida inteira e não me preocuparia. Entendo que faltou mais conversa aprofundada.                             

    Há irmãos que estudam o corpo humano e percebem como a música influencia, como determinados ritmos influenciam para que queiramos sempre mais rápido, com mais barulho, mais ruído, e percebo isso. Apresentei um pouco disso no vídeo 8 abaixo.  

      Os músicos são, para mim, como cozinheiros: sabem o que produzir para que as pessoas gostem e consumam, mas não sabem exatamente os efeitos específicos que trarão à mente e ao corpo, internamente. Sabem o externo (sabem pelo uso quais tipos levam a mais e a menos controle sobre corpo e mente), e usam isso para, inclusive, viciar, quando querem, e mesmo quando não há intenção, quando as ferramentas levam a isso.                                                                                                                                                                                                                                                                                       

     Entendo que precisamos encontrar a zona específica a partir da qual o prejuízo é evidente: música em que sentimos desejo sexual, música em que sentimos que vamos querer cada vez mais agito e ruídos, músicas que, após ouvir, geralmente não sentimos desejo de fazer algo que exija domínio próprio. Pode ser mais animada, como "A alegria está no coração de quem já conhece a Jesus", "O Teu Poder que vem lá do alto", mas já percebemos que começamos a chegar perto de algo que precisa de mais cuidado para produzir.                                                                                         

     Parece que igrejas com músicas dançantes raramente produzem cristãos focados nos estudos e, ao mesmo tempo, com paciência para conversar sobre crenças, e principalmente sobre divergências. Há outros fatores, claro, mas este me parece um deles.                                                                                                                                                                                                                                                  

     Quanto mais distantes do domínio próprio, mais carnal, na minha opinião.                                                                                                                                                                                                          

   Então, para mim, a "música do céu": incentiva reflexão; uma possível dança sem sensualidade e agitação descontrolada; não me incentiva a ouvir música o dia inteiro e ficar sem estudar e focar em outras coisas; bateria e guitarra não predominam nem em tempo de uso e nem em volume, e também outros instrumentos de percussão, e outros instrumentos, não de percussão, não serão usados para produzir um toque mais forte, forçando o instrumento, o ritmo a ser mais agitado e difícil de controlar; se ouvir, não tenderei a sentir depressão/tristeza contínua/descaso/revolta/alienação; não será um preparo para êxtase, mas para alegria segura, objetiva...vejo como princípios básicos, que precisam de outros.                                                                         

      E se não consigo estudar 1 hora por dia, não tendo a ouvir mais que 15 minutos diários de música, em média.

     Entendo que há um ponto importante. O Cristianismo está se  deteriorando por achar que tudo precisa estar explícito na Bíblia. O que não estiver, ele não segue. Ele vê que é muito difícil um Axé, um Funk (ao menos no que se tornou nas últimas décadas) produzir uma música que seja agradável aos ouvidos, não dançante ao ponto de sensualizar, não dançante ao ponto de prejudicar a própria concentração diante da letra, e os resultados obtidos são igrejas vazias de conteúdo, conhecimento, pessoas que não conseguem focar em algo que não seja por dinheiro, bênçãos materiais, auto ajuda, reflexão superficial, falta de enfrentamento do significado real do texto (independente do quanto isso leva à reformulação das crenças). O mesmo para o sertanejo atual e outras variantes. Se formos para os antigos, em algum momento a música deixou de ser mais reflexiva que dançante e, portanto, há algum limite que deva ser respeitado nisso. Mas ela chegou onde chegou, inclusive, de forma gradativa, ou seja, as anteriores foram preparando o terreno, os ouvidos, o acostumar-se a ritmos, batidas, embalos. E aí entra a grande preocupação: enquanto isso não fica objetivamente definido, qual embalo preferir?

    Bíblia não fala exatamente qual comida preferir, mas sei por observação simples que lanches constantes, refrigerantes, doces, comidas muito salgadas e com banha porco e muito óleo vão me levar ao sobrepeso, desatenção, doenças. Em Levítico 11, temos a permissão tardia da carne repetida com ressalvas, de acordo com características físicas dos animais. As características me permitem concluir com algum grau de segurança o que pode e o que não pode. Se uma pessoa diz que ama a Cristo mas não consegue parar para estudar a Bíblia, algum problema ocorre. Se não consegue perceber que há características para música que são boas, e outras ruins, que há coisas que servem e outras que não servem como alimentos, que há coisas boas para assistir e outras, ruins, vemos que não seria por falta de indicações bíblicas

      Posso pensar isso olhando a Adventista do passado e os testemunhas de Jeová: as músicas eram mais calmas, as mais alegres não abusavam da percussão (não se confundia alegria com euforia constante), ritmos que evidentemente levassem a um descontrole/alienação/euforia dançante (funk, rock, axé) eram evitados, e as crianças se concentravam mais (era mais difícil ver descontrole das crianças) na Escola Sabatina, nos cultos. Vamos pegar o exemplo da Música do Lulu Santos: ela realmente tem um certo equilíbrio (ao menos aparente) se deixarmos de lado falas mais polêmicas da letra. Mas a partir de que momento eu tenho a garantia de que este ritmo/embalo...não vai preparar minha mente para outros prejudiciais? Aí entra a questão: ela já parece caminhar para um limite, em que ou ela já está, ou está perto, e a partir dali a música se tornará, basicamente, apenas alienatória e dançante.

      E visto que o maior problema das igrejas sempre foi manter o foco das pessoas quanto aos estudos, ao domínio próprio, à concentração nos estudos dos cultos, o resultado de trazer a polêmica musical à tona em grupos foi torná-los cada vez mais distantes do foco do próprio Evangelho: pregação falada (não cantada), diante de um mundo em que, mesmo com música mais calma, mais voltada à reflexão, já era mais difícil fazer com que as pessoas  estudassem com frequência maior, e me parece que há algumas décadas a música tem empobrecido em termos de preparo, de reflexão sobre qualidade, o uso das igrejas de ritmos cada vez mais agitados foi puramente comercial, e trouxe como resultado, via de regra, igrejas mais barulhentas e pouco reflexivas.

      Ou seja, não se preparou as igrejas espiritual e intelectualmente para este tipo de distinção: Ah, um rock como tal música do Lulu Santos talvez possa ser adequado, ao menos para ouvir fora do momento do culto (em que precisamos nos preparar para concentrar na mensagem falada, no estudo reflexivo), mas pode ser que gradativamente nos leve à falta de domínio próprio, e por isso precisamos pensar melhor, visto que os seres humanos se degradam continuamente, e fica difícil mostrar a diferença desta para uma outra mais dançante e que permitem menos a reflexão enquanto se dança e se ouve.

     O próprio fato daquilo que é secundário nas próprias Escrituras (temos uma ou outra fala quanto a pessoas cantando e dançando, e prioritariamente a mensagem falada) ter tomado conta dos lares das famílias (que podem ouvir horas de músicas na semana, mas quase nada de mensagens faladas, e muito menos de estudos mais aprofundados) e das igrejas (cultos com horas de música são bem aceitos, mas um estudo mais longo leva as pessoas a torcerem o nariz, via de regra), isso já deveria nos alertar para algo que sabemos (a música tomou praticamente o lugar da leitura, da mensagem falada, do estudo aprofundado) em relação ao que não sabemos (exatamente qual música evitar em todos os seus detalhes, ainda que haja muitas em que percebemos o dever de evitar). Se ela leva a isso, o melhor é se utilizar de músicas que possam ser objetivamente percebidas como músicas que acalmam, ou que alegram sem trazer êxtase duvidoso.

        Alguns dizem que determinadas percussões serviam ao povo bíblico mais para marcar o tempo que para outras coisas, e não para ditar ritmo e danças, com o uso ao final de frases, por exemplo. A Bíblia não mostra como dançavam diante de instrumentos de percussão, mas que tinham a plena noção de que percussão não combinava com acalmar (Davi teria usado harpa para acalmar Saul). Também me parece que usavam a percussão em circunstâncias específicas fora do templo. Pareciam diferenciar o momento de dançar no caminho de um lugar para o outro e a forma de cantar no templo.


1 - https://www.youtube.com/watch?v=n9ws8ZWRn_c&list=RDn9ws8ZWRn_c&start_radio=1 

Toda Forma de Amor - Lulu Santos

Música agradável, até, mas vemos que a intenção já era fazer com que o som da bateria se sobressaísse o tempo inteiro.


2 - https://www.youtube.com/watch?v=tAGnKpE4NCI&list=RDtAGnKpE4NCI&start_radio=1 

Metallica: Nothing Else Matters

Aqui, música agradável de ouvir, até. No entanto, temos a mesma tendência: a bateria se sobressai quando entra, e fica frequente. Mas é uma música mais calma, inicia com instrumentos sem percussão, mas no momento em que o vocalista vai cantar, a percussão entra e seu som se sobressai constantemente. Para mim, como leigo, parece que os outros instrumentos "forram" a percussão, como a segunda voz para a primeira, ou seja, a prioridade é ouvir de forma acentuada a percussão. Mas a música é calma, agradável, tem momentos mais fortes mas, via de regra, segue um caminho mais ameno.


3 - https://www.youtube.com/watch?v=2V9WrcTfwtg&list=PLKSANL2P2RcRfwVAqRXLYR5LG75bf_3or  

Jimmy Bo Horne - You Get Me Hot

Me parece que a intenção é puramente dançante. Não há preocupação com a letra, com algo um pouco mais elaborado (e nem seria muito, mas ao menos um pouco mais). A intenção é simplesmente dançar. Há uma tendência, ou parece haver, para movimentos que envolvem movimentar não só os quadris, mas de modo que, gradativamente, o centro do corpo seja enfatizado. No rock relativamente antigo, no funk antigo... (em parte destas músicas, ao menos), a percussão dita a prioridade, ao meu ver, e os outros instrumentos e até a voz são auxiliares, ou me parecem. Ela é constante, ela leva ao clímax, ela se sobressai diante dos outros instrumentos quando aparece.


4 - https://www.youtube.com/watch?v=3GwjfUFyY6M&list=PLKSANL2P2RcRfwVAqRXLYR5LG75bf_3or&index=2 

Kool & The Gang - Celebration

Me parece o mesmo padrão. Mas é agradável.


5 - https://www.youtube.com/watch?v=EKMDMngj-ws&list=RDEKMDMngj-ws&start_radio=1 

Nabuco Maluco ft. Rodrigo Silva - Minha Vida é Uma Viagem - volume 7

Mesmo padrão. Percussão como o clímax. Repetição constante da letra. Tum, tá, tum, tá, tum, tá, tum, tá, tum, tá, tum, tá. Difícil fazer a criança querer um som mais calmo, mais contido, que a ensine a ter domínio próprio, enfrentar restrições, se concentrar, se alegrar de maneira mais contida, diante de músicas assim, ao meu ver (ao menos ouvindo músicas assim como regra, e não como exceção). E isso parece se concretizar no comportamento constante delas, em que mal prestam atenção quando alguém vai falar algo se não tiver um conjunto de estímulos de agitação.


6 - https://www.youtube.com/watch?v=LdAqpNl6eh0&list=RDLdAqpNl6eh0&start_radio=1 

Bênçãos que não tem fim - (Isadora Pompeo - Funk Gospel Remix)

Função é especificamente levar ao êxtase, na minha opinião. É usar a graça como justificativa para músicas que evidentemente levam a danças sem nenhuma intenção de reflexão, de concentração...só curtir o momento, se aproximar da sensualidade pelo movimento, etc.


7 - https://www.youtube.com/watch?v=zflxwJGcsOE&list=RDzflxwJGcsOE&start_radio=1 

Maravilhas - CD Jovem - Menos Um

    Encerrando os exemplos de música, ao menos no momento. A instrumentação é usada de modo mais agressivo. Como se quisesse imitar e preparar o caminho para o uso constante da percussão, posteriormente. Os autores parecem ter percebido que este tipo de música carece da repetição constante da letra para "colar"

"Pararara tandam, tandam, tandam, tan. Pararara tandam, tandam, tandam." 

    A intenção não parece mais usar a alegria como acessória à reflexão, mas o êxtase é o próprio carro chefe. A intenção é dançar e curtir, principalmente. A letra me parece só uma justificativa para levar à agitação. O próprio clipe parece querer simular um evento com muita variação de cor, imagens que lembrem um certo agito, um ambiente dançante. É relativamente agradável (não gosto, sinceramente, mas tem a intenção de ser relativamente agradável). Repetitiva, com imagens que levam a uma associação com locais dançantes. A instrumentação é evidentemente usada para causar um certo êxtase. Tantantantantan, tantantantantantantantantantantan. Mais a repetição. É mais trabalhada em certos pontos. Há um certo cuidado, e é aí que percebo que é o preparo das pessoas para aceitarem mais músicas repetitivas, agitadas, sem muita preocupação em falar mais que o conteúdo de duas ou três frases na música inteira. 


A intenção até mesmo das músicas cristãs não me parecem ser usar a música como instrumento didático para ensinar algo mais consistente. Uma história mais elaborada, um conceito que leve a uma reflexão maior. É só curtição, ao meu ver.


8 - https://www.youtube.com/watch?v=0-8da8wCW5U 

Clamando no Deserto - Música, adoração, saúde e domínio próprio - querem nos viciar e manipular - Parte 1


        Concluo pedindo desculpa pelo monte de coisas. Concluo também dizendo que tais músicas não me parecem apenas querer louvar (as cristãs) ou refletir sobre algo (as não cristãs) enquanto divertem. A intenção me parece preparar o caminho para a música apenas como mecanismo de agitação, ou mecanismo em que a percussão leva a um certo êxtase que contribui com a atenção constante do ouvinte. Há músicas boas. Algumas, se mudar aqui e ali, usar com menos frequência a percussão, melhorar a letra, diminuir a agitação, podem ser músicas interessantes

        O Rock não me surpreende mesmo em algumas versões mais fortes (algumas não me interessam mais, e outras não me interessavam mesmo quando ouvia com maior frequência), mas tendo a ser ansioso, e associo isso ao fato dele talvez não me surpreender. Mas há músicas boas. O Funk me causa incômodo (o de algumas décadas/anos), irritação. O do passado tem até alguns agradáveis, mas a intenção me parece puramente agitação. O sertanejo raiz gosto muito. Mas em que nível de domínio próprio preciso estar para ouvir determinados tipos de músicas e estar protegido das seculares que me levam para pensamentos não tão bons? Não sei

      Sei que as crianças são impacientes cada vez mais, adolescentes perdem constantemente a capacidade de reflexão e o próprio QI está aparentemente diminuindo, adultos são cada vez mais mimados e inconstantes, e me parece que a música exerce grande força nisso, junto com jogos cada vez mais agitados e estimulantes, comidas estimulantes. Nosso corpo e mente se acostumaram com a agitação, violência apelativa, padrões degradantes...dos filmes, séries, desenhos, músicas, clipes. Parece que isto está nos custando muita coisa. Nos acostumamos a ver pessoas trocando de casal constantemente nas séries. Nos acostumamos a ver beijos e outras cenas entre quem não namora, não são casados/noivos. Nos acostumamos a ver homens e mulheres seminus/seminuas nas praias e piscinas. Nos acostumamos a comer coisas que vão diminuir nosso tempo e qualidade de vida. Nossa mente se acostuma. Nosso corpo se acostuma. Mas o preço parece ser alto

      Funk, Rock, Blues, Sertanejo, Pop, Reaguee, não me parece ser o nome o prejudicial, mas o tipo de música aceitável em cada um, e o que pode não ser aceitável. Diante das exigências do templo no "AT", não me parece haver fundamento para a defesa de músicas que coloquem a agitação acima da reflexão nEle. Como forma geral de louvor, ainda assim, diante das leis da Torah quanto a evitar a nudez, falar constantemente sobre a Lei (com coisas duras), levar o povo a ser visto como sábio e entendido, evitar doenças, se controlar diante das situações (para garantir julgamentos justos), evitar pessoas alcoolizadas/sem domínio de si no serviço do templo. São coisas que nos ajudam a refletir sobre a necessidade de se estabelecer limites na música, no que vemos, ouvimos, tocamos, falamos, cheiramos. No "NT", a música se mantém meio que como no "AT": não é o foco. Em Atos, um homem entra dançando no templo, mas obviamente não é no sentido sensual, não é com movimentos bruscos, não é acompanhado de instrumentos em um nível de agitação como os de hoje. É apenas girando, levantando as pernas, talvez, pela alegria de ser curado. Os apóstolos não são citados o acompanhando na dança, e portanto a interpretação deve nos levar ao fato de que eles não dançaram. Mas não parece proibido ao menos na área em que estavam

       A Bíblia me parece falar, sim, de dança como mecanismo de louvor, mas não no templo, ao que vejo. Lulu Santos e outros me parecem bons exemplos em determinadas músicas. Alguns grupos de rock, também. E isso em outros estilos. Meu problema não é necessariamente com boa parte dos estilos. Mas os nomes parecem mais marcas: como Arautos - podemos ter quartetos com tudo quanto é tipo de estilos, mas só mantem o nome.

    Meus problemas são: percussão se sobressaindo; música voltada quase que exclusivamente para a dança; agitação em músicas e outros para crianças já hiperestimuladas e adolescentes já hiperestimulados, e adultos, também; normalização do corpo e da mente como critérios para aceitação, e não verificação dos efeitos gerais que eles têm causado. Não acho que só música extremamente "sacra" (tem música tida como sacra e que parece mais perigosa, talvez) seja o permitido, mas concordo que, diante do que vivemos, fora dela, o cuidado deve ser muito maior ao aceitar

    Espero ter ajudado em alguma coisa. A Bíblia nos leva ao caminho da saúde (física, mental, espiritual), ao caminho do reconhecimento do que traz calma (harpa, como exemplo), da necessidade de adoração consciente (ainda que mais agitada, em termos), de perceber que aceitação pelo corpo e consciência não são bons termômetros. Diante disso, avançar nos estilos musicais me parece algo que precisa de muita reflexão, muito cuidado, e o reconhecimento de que se estivéssemos focados no estudo objetivo das Escrituras, diante de tanta complexidade que ela apresenta, estaríamos talvez com as músicas bem lá do passado, sem tanta preocupação em aperfeiçoar a todo momento no sentido de tornar mais agitada, com mais percussão, com menos (ao invés de mais) qualidade nas letras, nem tanta variedade e "transmusicalidade" constante. Gregoriano apenas não é a saída, mas que saímos do rumo, acho que saímos bastante.


Graça e paz! Maranata! Deus nos abençoe



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